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03/03/2017

Soja: Investimento que vale muito

Produtores conseguem proteção da lavoura, desde o plantio, adotando sementes tratadas. estudo da Kleffmann mostra que tratamento de sementes com inseticidas registrou aumento de 45% na safra 2015/16

Soja: Investimento que vale muito

Pontapé inicial para uma boa produtividade, a semente é um dos principais insumos para a construção de uma lavoura de soja rentável, além, claro, de boas práticas de manejo como correção e adubação do solo.

Porém, a questão muitas vezes é: será que o investimento vale a pena? Ou então, para reduzir custos, a melhor opção seria salvar as próprias sementes? Pesquisa da Kleffmann mostra que na safra 2015/16 houve um aumento de 45% no volume de semente tratada pelo próprio agricultor com inseticidas.

Embora o estudo não tenha captado diferença significativa entre o custo do tratamento realizado na fazenda e o tratamento industrial, a tendência de aumento no procedimento on farm, sobretudo no Cerrado, evidencia maior volume de semente salva no mercado. De acordo com o levantamento da empresa, a área plantada com semente salva aumentou 35%.

Para  Leonardo Machado, secretário executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS), salvar a semente na propriedade pode ocorrer o falso sentimento de economia. “É uma armadilha, porque o produtor salva a semente e na hora de plantar ele percebe que a qualidade não é a mais adequada no período. Portanto, ele corre o risco de não encontrar mais no mercado a semente com a variedade desejada e não alcançar o objetivo esperado”, explica.

A mesma falsa sensação de economia acontece quando o produtor opta pela semente pirata. De acordo com Machado, a certificada é uma garantia de origem da produção e que se buscou o padrão mínimo de produtividade e sanidade da semente. “Em média, no Brasil, entre 65% e 70% das sementes de soja são certificadas e, o restante, entre 25% e 35% não são. Mas volto a dizer que este é um falso sentimento de economia, porque na verdade não está reduzindo custo. O uso de sementes sem garantias pode comprometer a produtividade final da safra”, acrescenta.

TSI
Conforme dados da ABRASS, um procedimento que tem crescido nas empresas sementeiras é o tratamento de Sementes Industrial (TSI). Ou seja, pouco antes de ser entregue ao agricultor, a semente recebe tratamento com agroquímicos, protegendo-as da incidência de pragas e fungos no desenvolvimento inicial das lavouras. Conforme Machado, hoje, de 15 a 20% das sementes são tratadas e a expectativa é que esse percentual chegue a 60% e 70% em poucos anos.

“O objetivo do tratamento de sementes é protegê-las, do plantio até a fase inicial, sendo imprescindível ao produtor fazê-lo sempre em busca de crescentes níveis de produtividade e proteção do seu investimento”, afirma Roberson Lima, diretor de SeedGrowth™ da Bayer, área responsável pelo TSI. Segundo ele, o TSI é uma tecnologia que possibilita aplicação e distribuição homogênea dos produtos às sementes com melhorprecisão e segurança, aliados à conveniência para o produtor.

Parceira da Bayer, a Sementes Falcão neste ano passa a oferecer esse tipo de serviço para os produtores. “A tecnologia desenvolvida pela Bayer facilita o trabalho do produtor, já que ele não precisará mais se envolver com o tratamento no campo, podendo se dedicar exclusivamente à semeadura e ao manejo da cultura durante a safra. Além disso, o contato de produtos químicos com os colaboradores é o menor possível”, explica Fernanda Viacelli Falcão, engenheira agrônoma e Gerente técnica da Sementes Falcão. Roberson Lima explica que, além da aplicação dos inseticidas e fungicidas, inoculantes, outros biológicos e micronutrientes que fazem parte da solução Bayer, os tratamentos tem como objetivo a proteção da semente contra os fatores de risco da lavoura como pragas,doenças, nematoides e estresse hídrico, protegendo o potencial produtivo da semente. “O tratamento de sementes é de fundamental importância para a proteção do investimento e deve integrar o programa de manejo a ser adotado pelo produtor em todo o ciclo da cultura”, acrescenta.

Segundo Fernanda Falcão, o agricultor define o potencial produtivo da lavoura no início do processo da semeadura. Tudo que se faz depois, como aplicação de fungicidas e inseticidas é para proteger aquilo que já foi estabelecido. Um dos insumos mais importantes e o único insumo vivo da lavoura capaz de aumentar a produtividade sem aumentar o custo é a semente. Ela defende que são várias as vantagens do TSI como a facilidade de receber uma semente pronta para ser semeada, liberando o distribuidor e o agricultor de se envolverem no processo de tratamento a campo. É uma comodidade e uma facilidade no processo que otimiza a mão de obra e os permite focar em outras atividades. há também qualidade e precisão no tratamento, pois a máquina opera de forma contínua por bateladas: ou seja, usando a dose exata de ingrediente ativo por unidade de semente (sem adição de água, com melhor cobertura e fluidez, com rastreabilidade do lote de sementes). E por fim, proporciona segurança para o operador, para as pessoas envolvidas no processo e para o meio ambiente.

Alexandre Gustavo Mansani, gerente de Desenvolvimento de Produtos & Serviços da Nidera Sementes, acrescenta que o  TSI realizado por meio de máquinas de alta performance e precisão garantem, sobretudo, a distribuição uniforme e adequada dos inseticidas e fungicidas necessários para proteger a semente que será semeada.

“Desta forma, não há riscos de subdose de produtos em parte do lote de sementes. Esta subdose, que é corriqueira no tratamento na fazenda, pode comprometer o estande da lavoura e posteriormente a produtividade”, observa.

Mansani diz que vale salientar que o tratamento de sementes e aplicações pós-semeadura são manejos que se complementam e não competem entre si. “Assim a redução de aplicações pós-plantio será determinadanovamente pelo clima e a intensidade dos problemas com pragas e doenças na lavoura”.

Segundo o gerente da Nidera, entre os diversos produtos fornecidos é possível realizar o  TSI com fungicidas, inseticidas, nematicidas, micronutrientes e promotores para semente.

Ele explica que a eficiência está vinculada ao princípio ativo escolhido, ao clima e à intensidade dos problemas com pragas e doenças na lavoura. “Mesmo assim o TSI contribui significativamente com a cultura e muitas vezes reduz a necessidade de aplicações pós-plantio.

Vale salientar que tratamento de sementes e aplicações pós-semeadura são manejos que se complementam e não competem entre si. Assim a redução de aplicações pós-plantio será determinada novamente pelo clima e intensidade dos problemas com pragas e doenças na lavoura”, afirma.

Custo ou investimento?
Para  Leonardo Machado, secretário executivo da ABRASS, a semente é um investimento e não um custo. “É um insumo importante para a construção de uma lavoura com alta produtividade. Da mesma forma como são os investimentos com a aplicação de agroquímicos e defensivos”, defende. Segundo ele, para ter altas produtividades, o sojicultor investe em diferentes tecnologias como sementes e adubos químicos para, assim, obter elevados resultados.

Em tempos de alta no custo de produção, a orientação de Machado é que o produtor gerencie  os custos fixos e variáveis e, principalmente, observe o mercado para comercializar em condições de preços favoráveis.

Assim é possível mitigar os riscos e ter uma gestão que busque sempre elevar a produtividade com lucratividade cada vez maior. “É uma falsa ilusão de economia usar  sementes  salvas ou piratas.  Se optar por esse tipo de  sementes, ele não terá economia com a compra do insumo já que a produtividade pode ser pífia. Ao investir em condições de produtividade elevada, a chance de ter lucro é bem maior”, recomenda.

Já não é mais segredo que ter maior produtividade sem aumentar a área plantada é sinônimo de rentabilidade maior. No entanto, como fazer essa conta fechar? De acordo com Machado, uma dessas engrenagens é apostar em sementeiras de confiança, que entregam produtos e dão suporte técnico necessário para extrair o melhor potencial do insumo possível. A garantia de qualidade é algo exigido por lei, que estabelece os requisitos mínimos para a produção de sementes. “Mas, na prática, o sementeiro vai além desse padrão de qualidade. Ele tem a proximidade com o agricultor, conhece a lavoura e as condições técnicas específicas. Por isso,  tem condição de orientar sobre as melhores variedades para aquela lavoura específica”, diz.

As empresas obtentoras - aquelas que pesquisam e desenvolvem cultivares da soja - licenciam a tecnologia e as sementeiras fazem a produção, multiplicação e comercializam para os agricultores, que pagamos royalties. As sementeiras repassam esses royalties para as obtentoras que utilizam parte desse valor para o desenvolvimento de novas cultivares. “Esse é o ciclo para o surgimento de novas variedades e para que o produtor possa ter sementes cada vez mais produtivas”, afirma Machado. No Brasil são produzidas cerca de 1,5 milhão de toneladas do insumo, que movimentam aproximadamente US$ 1,3 bilhão, conforme dados da ABRASS. Isso significa que a soja representa mais de 35% de toda a movimentação financeira nacional do mercado de sementes.

Licença e multiplicação
“Temos um consistente programa para o estabelecimento das parcerias com produtores de sementes, onde se avalia todo o processo relativo ao  TSI, levando-se em conta uma rigorosa lista de requerimentos técnicos e de segurança, para que a semente tratada chegue ao produtor com o mais alto padrão de qualidade e tecnologia disponíveis no mercado”, explica Roberson Lima, diretor da Bayer, área responsável pelo TSI. De acordo com ele, após essa avaliação a empresa viabiliza aos seus parceiros produtores de sementes equipamento de alta tecnologia, recobrimentos e serviços específicos - monitoramento remoto do processo de tratamento de sementes nas unidades, capacitação aos operadores, assistência técnica especializada e laboratórios que monitoram temas relativos à qualidade e plantabilidade das sementes tratadas.

Segundo Ricardo Franconere, gerente de marketing da Brasmax, marca brasileira da GDM Genética, a primeira regra para ser um multiplicador da tecnologia da empresa é a idoneidade do produtor de sementes e a presença de estrutura capaz de produzir e beneficiar com os padrões de qualidade necessários. “Depois disso, verificamos as sementes adequadas às regiões estratégicas para multiplicação da tecnologia disponível. Outra questão fundamental é se o sementeiro tem o compromisso com os produtores de fornecer assistência técnica regional”, diz Franconere. A cadeia de distribuição hoje da empresa conta com uma rede de multiplicadores estrategicamente posicionados em todo o Brasil e que passam por laudos de qualidade constantemente. “O que fideliza, além da boa qualidade da semente, é a maior produtividade e o resultado final obtido pelo produtor”, destaca.

Na  Nidera Sementes, os sementeiros interessados em multiplicar a tecnologia da empresa devem entrar primeiro em contato com o departamento de licenciamento. “Os consultores avaliarão as condições do sementeiro e o mercado onde ele está inserido. Isso para garantir que a entrada de novos sementeiros tenha uma interação positiva com aqueles que já multiplicam nossa semente”, afirma Alexandre Gustavo Mansani, gerente de Desenvolvimento de Produtos & Serviços da Nidera Sementes. A empresa não realiza certificação de sementeiras licenciadas, uma vez que as sementes produzidas pela  Nidera passam por intenso processo de controle de qualidade para chegar ao campo com diversas análises de qualidade de semente antes e depois do TSI, com o objetivo de garantir a melhor performance em germinação.

Pesquisa & Desenvolvimento
De acordo com Eduardo Mazzieri, diretor de Sementes da Bayer no Brasil,  a  empresa investe  na aquisição de bancos de germoplasma e capacitação dos times para somar o conhecimento de sementes à expertise da empresa com proteção de cultivos. para atender a  essas  necessidades, os investimentos  estão relacionados às estações de reprodução de sementes no brasil e ao redor do mundo. O objetivo é fornecer as melhores  soluções  em melhoramento genético  e  elaboração de uma  nova  variedade que inclui a prospecção de  linhagens com  novas características, análises  laboratoriais para purificação e emprego de análise genômica das linhagens  em avaliação, registro  e construção de mercado. “no país, contamos com uma série de estações de pesquisa e melhoramento, sempre localizadas em importantes regiões produtoras. Em relação ao prazo, o desenvolvimento de novas variedades pode levar até 15 anos”, afirma.

Para Mansani, gerente da Nidera Sementes, o mercado de sementes tem exigido investimentos muito altos em pesquisa e melhoramento. “Esses investimentos constantes também ocorrem em razão da entrada de novas biotecnologias no mercado, o que exige do departamento de pesquisa a abertura de diversas frentes.

Para ser ter uma ideia, as cultivares que estão sendo lançadas hoje no mercado já têm uma história de pesquisa de quase 10 anos”, ressalta.

Já as novas variedades desenvolvidas pela Brasmax têm como ponto de partida o produtor, que aponta tendências e necessidades. “Nós temos um contato muito próximo com o agricultor e identificamos hoje o que pode ser realidade daqui a sete anos”, diz Ricardo Franconere. Segundo ele, o direcionamento corporativo é para ter como foco o potencial produtivo da semente.

As características do material podem ter adaptações conforme a realidade local de solo, clima e de pragas e doenças.
Cada região, explica Franconere, tem uma necessidade diferente. Por exemplo, no Sul do País algumas variedades são mais voltadas para problemas fitossanitários. Por outro lado, no Cerrado há uma demanda por cultivares resistentes ao nematoide do cisto. “Nesse contexto, o objetivo é atender a essas necessidades, porém, com foco no potencial produtivo do material oferecido ao produtor.  não adianta a variedade ser resistente e ter baixo potencial produtivo”, afirma.

Portanto, a empresa está atenta às necessidades das características de resistência a doenças e pragas e também dos ciclos - precoce ou tardio. “Mas o que define o lançamento de uma cultivar não é apenas o pacote sanitário, mas sim o potencial produtivo, porque para o agricultor, o que realmente importa é o rendimento que o material proporcionará”, diz.

Já da parte de produtor, peça importante para a manutenção da tecnologia desenvolvida, ele pode contribuir em duas frentes. Franconere explica que, no caso de sementes com biotecnologia como a Intacta, se o agricultor não adotar as práticas recomendadas de manejo, em curto espaço de tempo a praga pode quebrar a resistência contra lagartas. Já em relação aos materiais de melhoramento genético, o produtor ajuda ao optar pela semente certificada, legalizada. “Para que as empresas possam lançar cultivares mais produtivos é preciso investir em pesquisa. E isso só é possível com o produtor comprando sementes certificadas, o que fortalece o setor e estimula a pesquisa”, defende. 





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