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06/05/2016

Setor agropecuário brasileiro segue motivado em 2016

Avaliação é de Anderson Galvão, diretor da consuLtoria agropecuária CéLeres, que prevê uma safra recorde de grãos no país

Setor agropecuário  brasileiro segue motivado em 2016

Apesar da incerteza política, o setor agropecuário brasileiro seguirá crescendo em 2016 e motivado, acredita Anderson Galvão, diretor da consultoria Céleres, nosso entrevistado desta edição da Revista Klff.
Segundo ele, o País caminha para mais uma safra recorde de grãos nesta campanha 2015/16, independentemente dos problemas pontuais em algumas regiões produtoras, como a falta de chuvas no médio- norte de Mato Grosso, Vale do Araguaia e MAPITO. 

Em linhas gerais, o que o setor agropecuário brasileiro pode esperar para este ano de 2016? Por quê?
Em linhas gerais, entendemos que o setor agropecuário brasileiro seguirá crescendo em 2016, motivado, principalmente, pela desvalorização do real. Embora vários custos estejam associados ao dólar (defensivos, fertilizantes e sementes), a desvalorização cambial minimiza problemas estruturais do Brasil (logística e custos de mão de obra). E mesmo para os insumos que sofrem maior influência do dólar, a verdade é que as indústrias não conseguiram repassar a desvalorização cambial na sua totalidade. Pelo lado da demanda internacional, o mundo segue comprador dos principais produtos agrícolas brasileiros, fornecendo a liquidez necessária para o bom funcionamento desses mercados. 

Por outro lado, a maior preocupação é com os produtos de consumo doméstico (arroz, feijão, trigo, lácteos, hortifrutis e algumas proteínas). Esses mercados têm sofrido retração de demanda devido à menor renda do trabalhador e ao crescimento do desemprego. Além disso, os insumos desses segmentos também sofreram alguma correção de preços.

Quais os impactos do cenário político no Brasil em relação às atuais perspectivas para o setor agropecuário nacional?
A incerteza política compromete principalmente o fluxo de investimentos de longo prazo necessário à melhoria da infraestrutura de logística e armazenagem de grãos, além, claro, de trazer maior volatilidade para a taxa de câmbio, que por sua vez dificulta o planejamento das empresas e produtores.

Qual a perspectiva da safra 15/16 de soja, milho e algodão no Brasil, em números de área, volume de produção e produtividade? 
Em seu sexto acompanhamento da safra de soja (janeiro último), a Céleres mantém a previsão de área plantada em 33,01 milhões de hectares,  crescimento  de  3,55% em relação à última temporada, e altera as projeções de rendimento e de produção para 2015/16. 
Houve ajustes positivos para as produtividades da região Sul, beneficiada  pelo  regime  intenso de chuvas, e ajustes negativos para os rendimentos do Centro-Oeste e Nordeste brasileiro, regiões nas quais a baixa umidade acabou pre-judicando as lavouras. 
Deste modo, a produtividade nacional de soja deverá ser de 3,02 toneladas por hectare em 2015/16, 1,1%  menor  que  na  temporada anterior, o que deverá diminuir a produção total para 99,8 milhões de toneladas, 2% inferior à última estimativa, entretanto, ainda 2,4% acima do produzido na temporada passada, com o avanço da produção da região Sul compensando parte das perdas do Centro-Oeste e Nordeste.
Já em milho, a Céleres alterou as estimativas de produtividade e produção da safra verão de milho e manteve as projeções para a safra inverno. 
Para a primeira safra, a área foi mantida em 5,68 milhões de hectares, queda de 5,55% em relação à temporada passada. já para produtividade, a Céleres incluiu as observações de campo e as expectativas de clima para os próximos meses, o que levou a estimar o rendimento em 5,06 toneladas/hectare ou 1,5% inferior ao observado na safra passada. 
Refletindo  a  queda  tanto  de área quanto de produtividade, a produção da safra verão deverá ser de 28,8 milhões de toneladas em 2015/16, diminuição de 7% na comparação com a temporada passada. 
Para a safra 2015/16, a manutenção do patamar cambial desvalorizado continuará  beneficiando as exportações do cereal, que, segundo a Céleres, será de 28 milhões de toneladas, o que deverá limitar ainda mais o contingente disponível para o restante do ano (5,5 milhões de toneladas em 2015/16).
No 6º levantamento da safra de algodão 2015/16, a consultoria mantém a estimativa de área a ser cultivada em 967,8 mil hectares, queda de 2,8% em relação à safra passada. já a produtividade da pluma é estimada em 1,62 toneladas/hectare, 5,1% maior que em 2014/15. Com isso, a produção de pluma de 1,57 milhão de toneladas, com avanço de 2,4% sobre da produção na safra anterior.

E quais as perspectivas de preços para os produtores de grãos? Por quê?
O mundo vive o fim do super-ciclo de commodities. Então, em dólares, não acreditamos em altas expressivas para as principais commodities, mesmo diante de alguma incerteza climática. Nesse sentido, produtos como soja, milho, algo-dão, café e açúcar devem continuar em patamares de preços bem abaixo daqueles observados até o fim de 2013. Em outras palavras, o mundo das commodities atravessará alguns anos de preços mais baixos, até que uma nova correção das forças de oferta e demanda, junto  com  fatores  macroeconômicos – como a força do dólar na economia internacional e as taxas de juros do dólar – permitam uma nova retomada dos preços das commodities, não só agrícolas, mas commodities no geral.

Quais os impactos e consequências do clima nesta safra de grãos?
O impacto do El Niño trouxe, sim, alguma preocupação, mas historicamente, anos de El Niño estão associados com safras boas no Brasil. Os problemas pontuais que ocorreram, como no médio-norte de Mato Grosso, Vale do Ara-guaia e MAPITO, de falta de chuvas, não vão, infelizmente, implicar em maiores altas nas cotações da soja e do milho. dessa forma, o Brasil caminha para mais uma safra recorde nessa campanha 2015/16. 

Como ficam os custos de produção em todas as áreas de cultivo de grãos? 
Muito influenciados pela desvalorização do real, os custos de produção para a campanha agrícola 2016/17 possuem um claro viés de alta. No entanto, um aspecto que merece ser lembrado é que o recente movimento de queda das cotações do petróleo tem o poder de influenciar outros importantes  drivers  de  custos. Nesse sentido, itens relevantes como transporte marítimo, a própria energia e fertilizantes estão com tendência de queda no mercado internacional. Em maior ou menor proporção, uma parcela desse recuo nos drivers de custos de produção acaba contribuindo para menores custos – em dólares – na produção de commodities agrícolas.

O produtor nacional de grãos está capitalizado ou recorre a financiamentos para custeio e investimento na lavoura? 
Tradicionalmente,  o agricultor brasileiro, sobretudo o das regiões de fronteira agrícola, possui baixa capitalização, dada a expressiva necessidade de capital que esse produtor tem para o desenvolvimento das suas áreas. Os produtores do sul do País, onde as áreas já são mais consolidadas, e os preços melhores (devido à maior proximidade com portos e mercado consumidor), têm maior nível de capitalização do que os produtores do Cerrado e MAPITO.
Dessa forma, os agricultores es-tão recorrendo a uma maior parcela de capital de terceiros já a partir da safra 2015/16. uma observação que temos é que, apesar da discussão da escassez de crédito, ocorreram sim bons volumes de financiamento para a agricultura em 2015 e o mesmo deve se repetir em 2016. 
A grande e importante diferença é que o custo de capital tem crescido de forma expressiva nesses últimos meses, refletindo uma maior incerteza e os próprios riscos políticos.

A logística ainda é um entrave para a produção nacional?
Seguramente a logística ainda é um entrave, embora as melhorias estejam ocorrendo. 
Em 2015, 12% do milho exportado pelo Brasil já foram exportados por portos do Norte do País, mostrando que os canais de escoamento do Norte começam a ter relevância no mercado interno. diante da característica de contínua expansão da área agrícola e da produção no País,  o  Brasil  continuará  enfrentando escassez de infraestrutura por muitos anos ainda, visto que as obras de infraestrutura ocorrem numa velocidade e timing diferentes da expansão agrícola, que é muito mais ágil.

Quais as principais novidades em tecnologia que podem beneficiar os produtores rurais?

Em um período igual ao que estamos começando a atravessar, entendo que as principais tecnologias que podem auxiliar o produtor são aquelas associadas, primeiro, à gestão profissional das propriedades,  nas  questões  financeiras, econômicas e administrativas, se-guidas das tecnologias que asseguram maiores níveis de produtividade (manejo de solos, seleção de sementes e o manejo agronômico de uma maneira geral).

Como o cenário internacional influenciará este ano os resultados do agronegócio no Brasil? Por quê?
O cenário internacional deve ser visto com moderação para o setor agrícola. Os produtores de commodities agrícolas alimentares seguem com um cenário favorável, principalmente sobre a ótica da demanda. Os preços podem até estar mais baixos, mas a demanda segue firme para soja, milho e proteínas animais. Já as commodities agrícolas industriais (algodão, borracha, celulose etc) tendem a sofrer mais com a desaceleração da economia nos países emergentes.

A análise dos dados do Fundo Monetário  Internacional  mostra que, em 2015, numa lista de 188 países, o Brasil ficou na 180ª posição de crescimento. Esse fato nos mostra que 179 países estão com melhor performance econômica do  que  nós.  Assim,  entendemos que a demanda por alimentos se-guirá firme em 2016 e, direta ou in-diretamente, beneficiando o País. 





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