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19/05/2016

Safra recorde de soja esconde problemas provocados pelo clima

Produtores tiveram dificuldades em lidar com lavouras, do plantio à colheita

Safra recorde de soja esconde problemas provocados pelo clima

Apesar das irregularidades climáticas, em que excesso e falta de chuvas pontuaram as lavouras do plantio à colheita, a  safra  brasileira de  soja 2015/16 atingirá o recorde de 101,7 milhões de toneladas, conforme  estimativa feita pela Agroconsult, organizadora do Rally da Safra, com crescimento de 5% sobre 2014/15. A área plantada é de 33,2 milhões de hectares – 4% superior à safra passada. “Esse resultado tem uma característica bastante peculiar, com a média da produção nacional muito parecida com a do ano passado. Mas devemos adotar precaução ao olharmos para os números, pois escondem muitas informações boas e escondem também problemas graves em algumas regiões”, explica André Pessôa, coordenador geral do Rally. 

“Poucas vezes, ao longo dos últimos 13 anos de realização do Rally, vimos uma safra tão difícil e tão errática do ponto de vista do comportamento do clima. Tivemos início complicado com excesso de chuvas no sul do Brasil e falta de chuvas no Brasil central, ambos atrasando o início do plantio e dificultando a implantação adequada das lavouras e depois passamos por um período inverso. Em todas as regiões que passamos, produtores consideraram muito difícil lidar com as lavouras”, complementou Pessôa.

Goiás e Minas Gerais, que sofreram quebra na safra 2014/15, conseguiram se recuperar, fechando, respectivamente, com 53,1 e 51,3 sacas por hectare. As lavouras também se desenvolveram bem no Rio Grande do sul, santa Catarina, Mato Grosso do sul e são Paulo e esses estados estão registrando aumento da produção em relação à safra passada.

O potencial da safra brasileira de soja poderia ser maior, caso o Mato Grosso e o Paraná, principais produtores,  e  o  MAPITOBA  (Maranhão,  Piauí,  Tocantins  e  Bahia) não tivessem sido afetados pelos problemas climáticos. “Apesar das dificuldades  provocadas  pelo  clima que afetaram principalmente o Médio-Norte e o Nordeste do Mato Grosso,  a  safra  não  foi  tão  ruim quanto  se  esperava  porque  parte do desempenho do Estado foi compensado pelo ótimo resultado na região Oeste”, diz Pessôa. Com isso, o Estado irá registrar uma produtividade média de 52 sacas por hectare, ou uma saca a menos em relação à safra passada. No Paraná, a safra foi prejudicada pela maior incidência de ferrugem e pelo excesso de chuvas na colheita.

O pior cenário ocorreu no MAPITOBA. Pessôa explica que, apesar do atraso significativo no plantio, especialmente  Maranhão  e  Piauí, a safra vinha caminhando bem até janeiro, porém a falta de chuvas em fevereiro em toda a região durante o desenvolvimento das lavouras resultou em quebra de safra nos quatro estados. “Com isso, a esperança foi embora”, segundo Pessôa.
A  queda  média  de  produtividade deve ficar próxima de 20% na região. Na Bahia, a estimativa da Agroconsult é de uma queda de 49 para 39,5 sacas por hectare. No Maranhão, de 46 para 37, no Piauí, de 45,4 para 37 sacas e, no Tocantins, 48,6 para 40 sacas.

Mesmo sem a ajuda do clima, a produtividade média brasileira ficou pouco acima do ano passado (1%) em razão do controle preventivo e da menor incidência de pragas e doenças na maioria dos Estados.
Pessôa destaca também que os técnicos do Rally da Safra encontraram maior variação no nível tecnológico das lavouras. “Há quatro ou cinco anos, a soja era uma cultura homogênea no Brasil. Agora o quadro tecnológico mudou muito e encontramos produtores que podem chegar a 70/80 sacas por hectare, enquanto outros colhem 40 sacas”, afirma.

Milho safrinha
Apesar do atraso no início da safra de soja, que gerou temor entre os produtores em relação ao plantio da safrinha de milho deste ano, foi possível recuperar parte do tempo perdido. Diante do bom momento do mercado de milho, a intenção de plantio do milho deverá ser mantida, confirmando a expectativa inicial da Agroconsult de aumento de área de safrinha.

A produção do milho segunda safra é estimada em 58,8 milhões de toneladas, com aumento de 8% sobre a safra passada. A área plantada deverá registrar crescimento de 11%, chegando a 10,7 milhões de hectares. A avaliação de safrinha será feita pelas equipes do Rally em maio.


Trabalho em campo
Nesta edição, oito equipes estiveram em campo para avaliar lavouras de soja, percorrendo 70 mil  quilômetros  e  colhendo  892 amostras. As Equipes 1, 2 e 3 avaliaram as lavouras de soja precoce nos principais estados produtores – MS/GO/PR/MT – de 26 de janeiro a 04 de fevereiro. A Equipe 4 deixou Goiânia no dia 23 e seguiu pelo leste do Mato Grosso até chegar a Palmas, em Tocantins. Já a Equipe 5 percorreu o MATOPIBA entre 28 de fevereiro e 03 de março. Os técnicos das Equipes 6 e 7 avaliaram lavouras no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul entre os dias 01 e 12 de março e a Equipe 8 visitou o Oeste da Bahia, o leste de Goiás e o triângulo Mineiro entre os dias 09 e 15 de março. Outras três equipes avaliarão o milho segunda safra dos dias 03 a 20 de maio no Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, em um total de 15 mil quilômetros a serem percorridos.

O Rally da safra 2016 chega à 13ª edição patrocinado pelo Banco do Brasil, Bayer, Monsanto, Mosaic e Volkswagen, com apoio da BM&FBOVESPA, FIESP, Agrosatélite, Agroipês, Impar Consultoria no Agronegócio e Universidade Federal de Viçosa e apoios regionais da Aprosoja Mato Grosso e Famasul.


Fonte: Revista KLFF - 12ª edição





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