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07/04/2017

Relatório de Safra Cana

Do campo para o campo: agradecemos sua participação em nossa pesquisa e aproveitamos para dividir o resultado do nosso estudo sobre Panorama da Cana de Açúcar nos últimos 10 anos. Boa leitura!

A Kleffmann realiza o estudo do AMIS Cana há 16 anos no Brasil, e nesse período acompanhou a evolução dessa cultura no país.

A  crescente  demanda  de  açúcar  e  etanol  pelo  mundo,  fez  da  Cana  de  Açúcar  (Saccharum officinarum)  umas  das  principais  culturas  agrícolas  do  Brasil.  Mesmo  com  as  oscilações  do  mercado mundial  dessas  commodities  e  fatores  climáticos  adversos,  os  produtos  derivados  da  cana  de  açúcar continuam sendo um dos principais itens de exportações do Brasil.

Em  10  anos,  a  área  cultivada  quase  dobrou,  saindo  de  5,2  milhões  de  ha  em  2006  para aproximadamente  10  milhões  de  ha  em  2015.  Esses  números  colocam  o  país  como  principal  produtor mundial de cana de açúcar, maior produtor e exportador de açúcar e segundo maior produtor de etanol.

A expansão da área foi realizada principalmente em áreas de pastagens, sendo o estado de São Paulo  o  principal  produtor,  mas  merecem  destaques  os  estados  de  Goiás  e  Mato  Grosso  do  Sul  que tiveram  um  aumento  expressivo  de  área,  quase  triplicando  nesse  período.  Em  contrapartida,  estados tradicionais  dessa  cultura  da  região  Nordeste  como  Alagoas  e  Pernambuco  diminuíram  a  área  em  até 20%  devido  principalmente  à  baixa  tecnologia  empregada  nas  lavouras,  o  que  tornou  o  custo  de produção muito elevado e com baixo rendimento.

Diante desse incremento de área, o setor sucroalcooleiro trabalhou para incorporar e aprimorar novas tecnologias e manejos e assim aumentar a sua competitividade,  reduzindo custos de  produção  e aumentando  a  produtividade.  Dessa  forma,  era  fundamental  que  fosse  desenvolvido  um  adequado manejo e controle fitossanitário na cultura, além do uso de variedades produtivas e adaptadas as regiões.

Um fator que contribuiu muito para mudança no manejo da cultura e que merece destaque, é o avanço da colheita mecanizada. Em 2006 a área colhida mecanicamente era de aproximadamente 25% da área cultivada e em 2015 esse valor chegou a 88%, sendo que maior parte da área queimada  ainda está na região Nordeste, local historicamente conhecida como de baixa tecnologia.

Essa  é  uma  mudança  definitiva  para  a  cultura,  em  função  da  evolução  tecnológica  e  também visto que é uma Norma Ambiental protocolada pelos produtores de cana de açúcar para eliminar a prática de queimada nos canaviais.

Apesar  da  relevante  melhoria  que  essa  prática  trouxe  ao  meio  ambiente,  foi  necessário readequar  o  manejo  da  cultura,  com  a  introdução,  por  exemplo,  do  quebra-lombo,  uma  prática  agrícola necessária  para  o  bom  aproveitamento  da  colheita  da  cana.  Além  disso,  com  a  colheita  mecânica, ganharam importância plantas daninhas que antes não eram problemas, principalmente as dicotiledôneas que não sofrem o efeito da palhada no solo para germinarem, ao contrário das poáceas (gramíneas) que são mais sensíveis a essa prática.

Outro  fator  que  deve  ser  considerado  nessa  mudança  na  forma  de  colheita  é  o  aumento  da infestação de pragas do solo. Insetos que antes impactavam de forma pontual, somente em regiões com históricos de infestações, ganharam importância com o fim das queimadas e o acúmulo da palhada. Com isso,  criou-se  um  ambiente  propício  para  o  alojamento  e  multiplicação  dessas  espécies  prejudiciais  à cultura.  Em  uma  década,  o  custo  com  defensivos  teve  um  aumento  real  de  80%  e  o  número  de aplicações aumentou, em média, de 2,0 para 4,1 aplicações.

Vários  fatores  contribuíram  para  esse  aumento  significativo  do  custo  como  clima,  novas tecnologias,  mudanças  no  manejo,  maior  controle  fitossanitário  com  o  aumento  de  infestações  e/ou resistências  de  algumas  pragas  e  plantas  daninhas  ao  controle  com  produtos  químicos,  surgimento  de novas pragas e até doenças que antes não causavam danos econômicos.

Herbicidas, com as diferentes formas de manejo (destruição de soqueira, dessecação de plantio, aplicação  em  catação,  quebra  lombo,  etc.)  sempre  foi  o  principal  segmento  em  cana  de  açúcar, representando 52% do gasto com defensivos na safra 2015. No entanto esse valor já foi mais elevado. 5 anos atrás representava 62% e 10 anos atrás 70% do custo total de tratamento com defensivos.

Dentre  todos  os  fatores  limitantes  para  a  produção  da  cana  de  açúcar,  as  plantas  daninhas destacam-se  pela  complexidade  de  controle  de  algumas  espécies.  A  presença  dessas plantas indesejadas  na  cultura  da  cana  de  açúcar,  além  de  prejudicar  o  seu  desenvolvimento  competindo  por agua, luz e nutrientes, e causar alelopatia em alguns casos, dificultam a colheita e o processamento da matéria prima.

As  espécies  monocotiledôneas  (gramíneas)  sempre  foram  os  principais  alvos  de  controles  das plantas  daninhas.  Espécies  como  Brachiária  (Brachiária  spp),  Capim  Colchão  (Digitária  horizontalis)  e Capim Colonião (Panicum maximum) estão presentes em todas as regiões produtoras de cana no Brasil.

Na última safra, essas 3 espécies representaram 60% do mercado de herbicidas, sendo que ao longo dos anos, sempre mantiveram essa média de mercado. O uso de herbicidas com princípio ativo Clomazone, Diuron  +  Hexazinona,  Tebuthiuron  e  Isoxaflutole  são  os  principais  produtos  utilizados  nesse  controle, tanto em pré-emergência como em pós emergências das espécies.

Uma outra espécie que sempre merece destaque é a Tiririca (Cyperus rotundus). O seu controle é um pouco mais complexo, pois a sua propagação pode ser tanto pelas sementes ou por tubérculos, o que caracteriza como uma espécie perene. A sua infestação também ocorre em todo território brasileiro, e o seu controle é feito principalmente com uso de produtos de princípio ativo Sulfentrazone.

Nos  últimos  anos,  com  a  diminuição  da  queima  da  cana  de  açúcar  para  a  colheita,  ganharam importância  as  espécies  dicotiledôneas.  Corda  de  Viola  (Ipomoea  grandifolia)  sempre  foi  problema, representando  em  média  até  10%  do  mercado  de  herbicidas  nos  últimos  7  anos.  No  entanto,  espécies como Melão de São Caetano (Momordica charantia), Merremia (Merremia aegyptia) e espécies cultivadas comercialmente  como  Mamona  (Ricinus  communis)  e  Mucuna  Preta  (Mucuna  pruriens)  também ganharam  importância  dentre  as  plantas  daninhas  de  folha  larga.  Juntas,  elas  representaram  5%  do mercado de herbicidas na  última safra. Apesar de representar um percentual baixo em relação a outras plantas  daninhas,  há  5  anos  atrás  representava  apenas  1%.  Produtos  à  base  de  Amicarbazone,

Sulfentrazone são os mais utilizados para esse controle, no entanto, novas moléculas como Saflufenacil também estão sendo utilizados.

A  adoção  do  uso  de  herbicidas  é  praticamente  em  100%  da  área,  com  uma  média  de  1,5 aplicações ao longo dos anos.

O  advento  da  colheita  mecânica  teve um  grande  impacto  em inseticidas  na cultura  da  cana de açúcar.  Com  o  fim  das  queimadas,  pragas  do  solo  que  antes  não  causavam  grandes  danos  ganharam importância.  Espécies  como  Sphenoforus  (Sphenophorus  levis),  Migdolus  (Migdolus  fryanus),  Broca

Gigante  (Castnia  licus)  e  Broca  Peluda  (Hyponeuma  taltula)  já  respondem  por  15%  do  mercado  de inseticidas, sendo que uma década atrás, apenas o Migdolus tinha alguma importância.

Cigarrinha da Raiz (Mahanarva fimbriolata), Broca da Cana (Diatraea sacharalis) e Cupim (várias espécies)  são  as  principais  pragas  da  cana  de  açúcar,  representando  em  média  70%  do  mercado  de inseticidas.

O controle químico que era feito tradicionalmente pelo princípio ativo Fipronil e que já chegou a representar  50%  do  mercado  de  inseticidas,  hoje  tem  a  companhia  de  outros  ativos  como Chlorantraniliprole, Ethiprole e Thiamethoxam dentre outros.

O controle biológico também tem a sua importância no segmento de inseticidas em cana e hoje representam  aproximadamente  10%  desse  mercado.  O  principal  controle  de  Broca  da  Cana  (Diatraea sacharalis) é feito por Cotésia flavipes, mas também utilizam se Trichogramma e Beauveria bassiana para esse mesmo controle, além de Metarhizium anisopliae para o controle de Cigarrinha da Raiz (Mahanarva fimbriolata).  Em  média  foram  realizadas  2,6  aplicações  de  inseticidas,  na  safra  2015  entre  produtos químicos e biológicos, sendo que em 2010 eram realizadas 1,3 aplicações, ou seja, a metade.

Além  dos  principais  drivers,  herbicidas  e  inseticidas,  dois  segmentos  também  merecem destaques, fungicidas e maturadores. Apesar de ainda serem um mercado pequeno, atualmente com 2% e 7,6% do mercado respectivamente, é importante ressaltar a ascensão desses segmentos.

Até  6  anos  atrás,  praticamente  não  se  utilizava  fungicidas  na  cultura  da  cana.  Hoje,  doenças como  Podridão  Abacaxi  (Thielaviopsis  paradoxa)  e  Ferrugem  Alaranjada  (Puccinia  kuehnii)  já  causam preocupações aos produtores da região Centro-Sul que tem utilizado principalmente produtos à base do Estrobirulinas e Triazois. A adoção desse segmento chega a 15% da área de cana do brasil.

Em relação ao maturadores, houve um aumento significativo do uso desses produtos na última safra.  Fatores  climáticos  e  a  mudança  no  manejo  da  cultura  tem  aumentado  a  importância  desse segmento.  O  uso  de  produtos  específicos  para  essa  finalidade,  como  à  base  de  Trinexapac  ethyl, Sulfometuron  methil  e Ethepon  dentre  outros tem  alavancado  esse  mercado,  que  hoje  já  é  utilizado  em 30%  da  área,  sendo  que  uma  década  atrás  essa  adoção  era  menos  que  a  metade,  13%.  Um  ponto importante a ser ressaltado, é o aumento do uso de inibidores de florescimento nas duas últimas safras em função do clima e das variedades cultivadas.

Fonte: painel AMIS® Cana – Kleffmann Group





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