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25/08/2016

Relatório de Safra Algodão

Do campo para o campo: agradecemos sua participação em nossa pesquisa e aproveitamos para dividir o resultado do nosso estudo sobre algodão safra 2015/16. Boa leitura!

Apesar da queda de 5% à nível nacional da cultura do algodão devido más condições climáticas e  alta  do  dólar,  o  Mato  Grosso,  principal  produtor  da  cultura,  apresentou  ligeira  acessão  quanto  à  área cultivada, apresentando variação de 6% em relação à última safra. Bahia, vice-líder no ranking, apresenta queda  de  23%  na  área.  Uma  das  causas  desse  impacto  é  a  atrativa  demanda  que  a  soja  oferece  ao mercado  e  também  pelos  altos  custos  frente  à  produção  de  algodão  de  que  a  oleaginosa  apresenta.

Neste contexto também encontramos Mato Grosso do Sul sofrendo este tipo de troca de cultura. A alta do dólar também contribuiu para que a soja tomasse lugar do algodão.  

Os  principais  países  produtores  da  cultura,  Índia,  China,  Estados  Unidos,  Paquistão  e  Brasil, tendem  diminuir  a  produção  local,  reflexo  da  menor  demanda  mundial  de  algodão.  Além  do  poliéster, principal  concorrente,  apresentar  preços  mais  baixos  para  consumo,  até  o  ano  passado  o  mercado  se manteve  em  um  ritmo  de  crescimento  quanto  ao  volume  de  estoque  mundial  produzido.  No  mercado brasileiro, percebemos um menor investimento na indústria têxtil sentido pela instabilidade econômica em que  o  país  se  encontra.  Assim,  a  indústria  segue  atendendo  demandas  imediatas,  na  expectativa  de encontrar preços melhores de negociações. 

Em  relação  à  percepção  dos  produtores  quanto  resistência  a  insetos  e  daninhas,  assunto  que preocupa cotonicultores pelo intensivo uso sem cautela da biotecnologia, lagarta do cartucho representa mais de 40% de reclamações nas lavouras. Assim como no ano anterior, buva e capim amargoso são as principais ervas que aparecem com maior resistência.            

A procura por tecnologias contra ataques das principais pragas e infestação de daninhas é cada vez  maior,  já  que  85%  da  área  levantada  pelo  AMIS  apresenta  tecnologia  Bt  e  97%  possui  algum  tipo variedade com tecnologia resistente a algum tipo de herbicida, números superiores aos apresentados na safra passada. Com o emprego de tecnologias no campo, há uma alteração no manejo com a diminuição de aplicações para lagartas.

Um  novo  alvo  começa  a  chamar  atenção  nos  campos  de  algodão.  A  Spodoptera  eridania apresenta  resistência  à  maioria  das  tecnologias  Bt  encontradas  no  campo.  Sua  área  tratada  cresceu 1,15%  em  relação  à  safra  passada  em  um  cenário  de  queda  de  área  cultivada.  A  área  com  tratamento para esse alvo aumentou quase 6%, chegando a 79% com pelo menos um tratamento para a lagarta do cartucho.

Segundo  previsão  da  safra  2016/17  do  Painel  AMIS  Algodão,  a  área  cultivada  sofrerá  retração de  4%  da  área  cultivada,  impulsionada,  principalmente,  pela  possível  queda  da  área  da  Bahia, especificamente Extremo Oeste, importante região cotonicultora.

Segundo  o  relatório  de  Carlos  Cogo,  no  início  de  junho,  o  preço  médio  de  exportação  para embarque  entre  julho  e  dezembro  de  2017  (safra  2016/2017)  estava  em  67,72  centavos  de  dólar  por

libra-peso,  2,3%  superior  à de maio/2016.  O impulso  da alta da Bolsa  de  Nova York  veio  da  chuva que atingiu a região do Texas (principal produtor dos Estados Unidos) e da falta de precipitação em algumas regiões  produtoras  do  Brasil.  Além  disso,  o  enfraquecimento  do  dólar  fez  com  que  a  pluma  norte-americana  se  tornasse  mais  atraente  para  compradores  estrangeiros.  Cogo  ainda  ressalta  que  com  a previsão do preço do petróleo em queda e elevados estoques de passagem, os preços de algodão serão impedidos de voltar a crescer.

Quanto ao estoque mundial 2016/2017, o Comitê estima volume de 19,7 milhões de toneladas, 3,9%  menor  que  na  safra  2015/2016,  com  redução  acumulada  de  19,3%  desde  2014/2015.  Já  para  os demais países, estima-se aumento de 3%, para 8,8 milhões de toneladas em 2016/2017.

Com  o  aumento  na  área  semeada  e  no  rendimento  médio  na  temporada  2016/2017,  o  Icac indica  recuperação  de  6,0%  na  produção  mundial,  atingindo  23,01  milhões  de  toneladas,  mas  ainda 11,8% inferior às 26,1 milhões de toneladas colhidas na temporada 2014/2015. 

Fonte: painel AMIS® Algodão 2015/16 – Kleffmann Group





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