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20/07/2016

Relatório de Fechamento de Soja

Do campo para o campo: agradecemos sua participação em nossa pesquisa e aproveitamos para dividir o resultado do nosso estudo sobre soja safra 2015/16. Boa leitura!

Em julho de 2015, muitos consultores opinaram sobre as expectativas que a safra de soja no ciclo 2015/16 trariam aos produtores e, consequentemente, à economia brasileira. Em linhas gerais, o cenário era positivo, pois mesmo com a escalada na cotação do dólar, o preço internacional da oleaginosa estava em patamares elevados. Assim, a primeira estimativa de safra levantada pela Conab em outubro de 2015 apontava uma produção de 102 milhões de toneladas, quase 6% à safra 2014/15.

O estudo AMIS finalizado pela Kleffmann no início de abril apontou que, de fato, os produtores apostaram na cultura: a área plantada aumentou 5%, o que representou, em valores absolutos, quase 1,5 milhões de hectares plantados com soja em comparação com a safra anterior. Dos estados abordados na pesquisa, apenas o Piauí apresentou redução na área de cultivo.

Contudo, embora o uso de defensivos tenha seguido a expansão de área, o valor deste mercado em dólar apresentou queda considerável de 12%, sobretudo devido à valorização cambial. Segundo a pesquisa, o custo médio por hectare com agroquímicos aumentou 26% em reais, corroborando estimativa de consultores de que os custos de produção aumentariam entre 10 e 30%. Porém, considerando a desvalorização do Real, o custo em dólar caiu 16%, daí a retração do valor de mercado.

O cultivo da oleaginosa ganhou espaço sobre áreas de algodão, arroz, feijão e milho de primeira safra. Embora a cotação internacional da saca de soja venha se mantendo firme mesmo com a divulgação dos bons resultados da safra americana, a rentabilidade dos sojicultores foi menor que a projetada inicialmente por conta da queda de produtividade devido às condições climáticas. A última estimativa de fechamento de safra divulgada pela Conab em julho de 2016 reportou 95,6 milhões de toneladas, 6% inferior à expectativa de produção no início da safra.

O fenômeno El Niño causou perdas consideráveis por excesso de chuva na região sul e seca no Centro-oeste e Extremo Oeste Baiano. Para efeitos de análise do mercado de defensivos, o impacto das duas regiões sobre o resultado foi distinto: enquanto na região norte, que compreende o bioma Cerrado, a área potencialmente tratada com defensivos caiu 1%, no sul a área cresceu 13%.

A principal classe de produto a impactar essa diferença foi fungicida, sobretudo produtos para controle de ferrugem asiática, que correspondem a 90% das vendas nesse segmento. Os produtores de soja da região sul aumentaram a superfície tratada e o número de aplicações contra Phakospora pachyrhizi, o agente patógeno da ferrugem. Considerando que houve aumento generalizado tanto da dosagem quanto do preço dos fungicidas, o clima quente e úmido ainda propiciou condições favoráveis para a disseminação na região sul, por isso que os produtores gastaram, em média, 14 reais por hectare a mais em comparação com os sojicultores do Cerrado.

Vale destacar que os produtores vêm buscando soluções para o controle de ferrugem, haja vista a perda de eficiência dos produtos disponíveis no mercado. Assim, houve aumento significativo no volume aplicado de carboxamidas e ditiocarbamatos, embora as misturas prontas de triazol e estrobilurina ainda representem mais da metade do volume utilizado.

Em se tratando de inseticidas, o segundo segmento de produto mais importante no cultivo de soja, representando um quarto das vendas, a redução de em faturamento já era esperada em virtude do avanço das variedades com biotecnologia Bt. A área cultivada com semente de soja Intacta mais que dobrou, alcançando quase 13 milhões de hectares. Dessa forma, a área tratada com lagarticidas reduziu 27% em comparação com a safra passada. Por outro lado, o controle de percevejos aumentou 28% em área, principalmente na região sul, uma vez que a adoção de tratamento contra percevejos no sul já está próxima à taxa do Cerrado: 88 vs. 90%.

A venda de herbicidas recuou 20% em dólar, mesmo o acompanhando a queda no custo de aplicação por hectare. Vale ressaltar que o uso de graminicidas aumentou de forma expressiva, sobretudo na região sul e em materiais com tecnologia RR. No Cerrado, os produtores vêm utilizando graminicidas para controle do milho tiguera, enquanto no sul, o uso é mais concentrado em capim amargoso.

Em se tratando de tratamento de sementes com inseticidas, houve um aumento de 45% no volume de semente tratada pelo próprio agricultor. Embora o estudo não tenha captado diferença significativa entre o custo do tratamento realizado na fazenda e o tratamento industrial, a tendência de aumento no tratamento on farm, sobretudo no Cerrado, evidencia maior volume de semente salva no mercado (segundo o levantamento da Kleffmann, a área plantada com semente salva aumentou 35%).

Por fim, especialistas de mercado vem reportando a preocupação dos produtores acerca da disponibilidade de crédito para financiamento da produção. Embora a cultura esteja remunerando bem por conta dos preços praticados no mercado internacional, é sabido que a margem líquida vem diminuindo. O estudo AMIS revela que na safra 2013/14, quase metade do volume dos defensivos aplicados na lavoura foi adquirida via pagamento à vista. Desde então, o pagamento a prazo safra aumentou 17%, sendo hoje a principal forma de financiamento de defensivos. Isso condiz com dados divulgados pela Conab, que mostram maior aporte de recursos nos períodos de pré-plantio.

Para a safra de soja 2016/17, ainda há muita especulação. É preciso observar como os produtores vão fechar o fluxo de caixa ao fim da colheita da safra de inverno. Além disso, deve-se observar o desenvolvimento da safra de grãos nos Estados Unidos e também a evolução do fenômeno climático La niña. Contudo, internamente ainda tem-se a questão da incerteza econômica decorrente da instabilidade política em que se encontra o país. Assim, a próxima safra de soja não deve se iniciar em um clima tão otimista como observado na safra 2015/16. Mesmo os produtores entrevistados na pesquisa apontam um aumento de área de apenas 2%, no máximo. Mais uma vez, os sojicultores estarão atentos aos custos de produção, uma vez que nesta safra, entre sementes e defensivos, as despesas foram na faixa de 780 a 900 reais por hectare de acordo com a pesquisa.

 

Fonte: painel AMIS Soja 2015/16 – Kleffmann Group

 





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