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18/12/2015

Produtores perguntam e Guilherme Scheffer responde

Referência no setor pela excelência no agronegócio, empresário fala sobre sucessão familiar, gestão, desafios do setor e pecuária

Tudo começou com Elizeu Maggi Scheffer e a esposa Carolina Mognon Scheffer, que saíram do Sul do Brasil, passaram pelo Paraná e chegaram em 1982 em Itiquira, no Sul do Mato Grosso para plantar soja. Dez anos depois viram em Sapezal, região Noroeste do Estado, a oportunidade de expandir e crescer. Essa decisão os levou a estruturar o Grupo Scheffer em 1994 que hoje soma 108 mil hectares plantados com soja, algodão e milho em oito fazendas localizadas em Sapezal, Campos de Júlio e União do Sul. Além dessas culturas, o Grupo aposta na integração lavoura-pecuária e em semiconfinamento, com 20 mil cabeças de gado de corte vendidas por ano.

Diante de tamanho know-how, a revista KLFF convidou um dos sócios da empresa, Guilherme Scheffer para responder algumas questões de produtores. Acompanhe essa rica troca de experiências.

Rodinei José Vieira – Fazenda São Luiz – São Luiz Gonzaga/RS: Qual fungicida foi melhor no controle da ferrugem na soja?

O melhor custo-benefício que obtivemos foi com o 
FOX, produto da Bayer Crop Science para o controle de 
doenças na soja.

Fabio Aoyagui - Grupo Salgueiro da Serra – Formosa/GO: Como o grupo Scheffer trata a perpetuidade do negócio para as próximas gerações? Que estratégias estão sendo utilizadas para que a transição seja feita com o menor impacto possível, dentro dos núcleos familiares e na empresa?

Atualmente, o Grupo Scheffer se encontra na segunda geração: dois filhos e uma filha estão ativos na gestão do negócio. Desde cedo, a estratégia para a segunda geração foi trazê-los para o negócio já na adolescência, dando aos poucos responsabilidades e poder de decisão. Com isso, os filhos foram pegando gosto pelo negócio e hoje são sócios. Cada um está em uma área bem definida no grupo. Para a terceira geração já estão definidas algumas regras de entrada, de qualificação mínima, mas desde cedo incentivamos os adolescentes e crianças a começarem a gostar de fazenda. Hoje a terceira geração é levada mais para recreação, pegando, assim, gosto pelas fazendas. Mas é bem claro para todos que é da fazenda que vêm os frutos para passear, estudar e viajar. 

Alexandre Oliveira Barbosa - Fazenda Primavera – Pedregulho/SP: Qual o fator crítico - tanto humano quanto tecnológico - na gestão das propriedades?

Um fator crítico que vemos é que as funções administrativas e técnicas têm que ser muito bem definidas. Nosso modelo define bem quem é responsável pela parte técnica e quem é pela parte administrativa. Existe um grande risco de uma área ficar mal administrada se a função não ficar bem clara.

Antonio Renato Gonçalves – Fazenda Pau Furado – Teixeira Soares/PR: Como fazer agricultura e pecuária na mesma área, com risco dos animais escaparem e compactarem o solo?

No nosso modelo de integração lavoura-pecuária, o boi só vai ao pasto que é plantado no período da seca. Assim, o pasto definitivo pode revitalizar-se. Na seca não há problema de compactação, pois o solo já está bem seco.

Andre Luiz Potrich – Fazenda Santa Amália do Tangará – Tangará da Serra/MT: O grupo faz alguma suplementação proteica na época das chuvas para o gado que vai ao semiconfinamento? Como isso é feito?

Fazemos uma suplementação com a ração formulada na fazenda e levada, de caminhão, aos cochos cobertos.

Fabio Milioreli Romeiro – Fazenda Simar – Maravilhas/MG: Qual a formulação que vocês usam na silagem no confinamento bovino?

Não usamos silagem, só damos 10 quilos por dia, por boi, de um mix de milho, torta de algodão e núcleo. A fonte de fibra vem do pasto por se tratar de semiconfinamento. A composição depende do preço de cada insumo. Tratamos uma vez por dia em cocho coberto também. A média no confinamento é de 6 a 7 cabeças por hectare. O pasto é adubado anualmente. 

Burcardo Geller – Fazenda Três Coqueiros – Cruzália/SP: Gostaria de saber se acredita no futuro do etanol de cereais no Brasil num curto prazo?

A curto prazo, acreditamos em usinas que façam a integração de cana/milho. Acreditamos que as usinas que utilizam somente milho correm um risco grande com o impacto da logística no médio prazo sobre o preço do milho. Hoje um negócio aparentemente viável pode ficar muito ruim com a melhora da logística, uma vez que isso pode reduzir o preço do frete, deixando a diferença de preço de milho do interior do país para a exportação menor. Outro problema que vemos na industrialização do etanol em regiões de baixo valor de matéria-prima é o frete retorno do combustível e o custo atual de energia. Comparado com a cana que é superavitária em energia tornando-se uma fonte de renda, o milho é o inverso.

Paulo Saturnino Gonçalves - Fazenda Eldorado – Querência/MT: Quais são os próximos desafios para o setor?

Conseguir que os materiais disponíveis em biotecnologia não percam sua eficácia ao longo do tempo e que o custo de manter essa tecnologia viva não fique inviável. Outro desafio é qualificar e manter essa mão de obra qualificada na fazenda. Hoje está cada vez mais difícil manter as pessoas nas fazendas, pois todos querem ir para a cidade.



Fonte: Revista KLFF - 11ª Ed.




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