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24/03/2017

O potencial do gado Senepol

No Brasil desde o ano 2000, raça conquista mercado e cresce 35% ao ano, tanto em volume de criadores quanto de animais

O potencial do gado Senepol

Apaixonado. É assim que o produtor de gado Senepol, Bruno Ribeiro, sente-se em relação ao animal dessa raça, na qual começou a investir em 2015 para empreender uma nova atividade econômica.
“Atuamos no mercado imobiliário, em São Paulo, mas pensamos em buscar um novo segmento para diversificar. Após estudar algumas oportunidades, decidimos ingressar no mundo da pecuária com a raça Senepol, que tem um potencial de mercado muito grande e representa um ótimo investimento. É um animal bonito, sou suspeito para falar, pois me apaixonei. Fico animado em participar de leilões. Realmente me encantei com o mundo do Senepol”, afirma Ribeiro, que arrenda a fazenda Urtigão, em Marília (SP), para a criação do gado.

Como não conhecia o mercado pecuário, o investimento de Ribeiro na raça foi feito em parceria com João Arantes  neto e Ricardo Arantes, proprietários da empresa Senepol  nova Vida e responsáveis por apresentar as vantagens da raça para ele e prestar toda a assessoria necessária ao novo negócio. “Por enquanto, tivemos uma  boa rentabilidade com o  negócio, em torno de 30%. A expectativa de crescimento é ótima, pois começaram a  nascer os primeiros animais do projeto  em parceria com a Senepol Nova Vida, onde temos 1,2 mil receptoras  e um prazo de, pelo menos, cinco anos para fazer 2,4 mil prenhezes”, diz.

Com sede em Ariquemes (RO) e uma central recém-inaugurada em Marília (SP), onde ficam os laboratórios de Fertilização In Vitro (FIV) e  transferência de Embriões (tE), além de suas melhores doadoras, a Senepol nova Vida tem por objetivo democratizar a melhor genética da raça no Brasil. “Aos que decidem entrar para o Senepol, vendemos bezerros, embriões e doses de sêmen de touros excepcionais. Já aos criadores, comercializamos progênies de genearcas expoentes importados dos Estados Unidos e Ilha de Saint Croix, berço do Senepol no mundo.  Há poucos anos, inauguramos uma filial norte-americana e firmamos uma parceria com a Universidade das Ilhas Virgens no último rebanho remanescente da linhagem Cn (Castle  Nugent), uma das quatro primeiras famílias da raça. Também estamos facilitando o acesso a outras linhagens, como a caribenha WC (Annaly Farms), e as norte-americanas PRR (Prime Rate Ranch) e SCR (Sacramento Farms). neste ano, estamos com uma agenda recheada de leilões”, citam os irmãos João Arantes neto e Ricardo Arantes, diretores-executivos da Senepol Nova Vida.

O saudoso pecuarista João Arantes Júnior, fundador da empresa e pai de João e Ricardo, foi o responsável por trazer os primeiros animais vivos da raça Senepol ao Brasil, segundo eles. “Isso foi no ano 2000, época em que o cruzamento industrial havia caído em descrédito por erros cometidos pelos pecuaristas. Acreditava-se que o simples cruzamento com raças europeias seria a solução ideal para produzir carne de melhor qualidade em um ciclo mais curto de tempo, porém, os touros da espécie não resistiam ao clima tropical e aos parasitas que existem aqui, como o carrapato. No final da década de 90, quando uma franquia de criadores almejava a criação de uma raça composta, nosso pai, o pecuarista João Arantes Júnior, teve acesso às primeiras doses de sêmen de Senepol. Ao inseminar algumas vacas com este material genético, ele ficou impressionado com a conformação, qualidade e adaptabilidade

dos bezerros ao clima brasileiro. Fomos então convocados por ele para ir aos Estados Unidos, onde falamos com muitos criadores, visitamos fazendas e também o Clay Center, principal instituto de pesquisas em melhoramento genético animal no mundo. Em uma conversa com o pesquisador Keith Gregory, as suspeitas de nosso pai de que o Senepol seria a solução ao cruzamento industrial no Brasil se confirmaram.

Quando retornamos e passamos um briefing da viagem, ele pediu para que comprássemos os primeiros animais”, lembram os irmãos.
Segundo eles, foram adquiridas cabeças de rebanho de vários estados americanos. “No dia 11 de novembro de 2000, esses animais desembarcaram em Porto Velho (RO) e foram transportados até Ariquemes, onde fica a sede da Nova Vida. Assim ocorreu a primeira importação de animais vivos da raça Senepol. Já a multiplicação dessa genética foi um caso à parte. Um laboratório de FIV (Fertilização In Vitro) e  TE (transferência de Embriões) foi construído na propriedade – o quarto do gênero no País e o primeiro em uma propriedade rural. Sincronizadores de cio e os equipamentos também tiveram de ser importados. Apesar dos contratempos, João Arantes Júnior viveu para ver seu sonho concretizado.

Em apenas um ano e meio, o projeto acumulou dois mil bezerros puros da raça Senepol.  Hoje, não existe sequer um plantel de Senepol que não tenha recebido em sua formação ou manutenção a genética JAJ (acrônimo de João Arantes Júnior), pertencente à Senepol Nova Vida”, afirmam.

Apesar do Senepol ser uma raça relativamente nova no País – quase 16 anos –, João Arantes  neto e Ricardo Arantes observam que este é o taurino adaptado que mais cresce no Brasil. “Já são mais de 330 criadores e 50 mil animais, distribuídos em mais de 18 estados. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol), o mercado dessa raça movimentou R$ 60 milhões no ano passado com a venda de animais em leilões e também nas fazendas. Em relação às vendas de sêmen, é o segundo melhor desempenho dentre as ra-ças taurinas, ficando atrás apenas do Angus, segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA). Além disso, o Senepol cresce 35% ao ano, tanto em volume de criadores quanto de animais.”

Os irmãos informam que o Brasil enfrenta o desafio de elevar a produção de carne bovina para atender às crescentes demandas globais. “A atividade já esbarra em suas fronteiras e a maneira de alcançar essa meta é investir na eficiência do rebanho. O Senepol permite reduzir o ciclo de produção e elevar o lucro por animal, gerando economia em todas as etapas do processo produtivo. Quanto mais pecuaristas descobrem a raça, mais ela cresce”, garantem. Desde o início, a Senepol Nova Vida é a maior provedora de genética da raça. 

O consumidor é, normalmente, o pecuarista que investe na pecuária moderna, ou seja, no cruzamento industrial a campo. “Outras raças taurinas crescem palpadas na técnica de inseminação artificial. Já o Senepol aumenta sua participação por meio da eficiência dos touros no serviço a campo. O reprodutor cobre a vacada a pasto, resiste perfeitamente ao calor, à radiação solar e aos ataques de parasitas. Sua rusticidade é semelhante à do Zebu, mas com a vantagem de transferir qualidade de carne aos bezerros meio-sangue.

Em nossa pecuária temos aproximadamente 90 milhões de vacas em idade reprodutiva. Mesmo somando os leilões de touros de todas as raças, sequer chegamos perto da demanda necessária e superior a 350 mil touros por ano. Como o Senepol oferece inúmeras vantagens comerciais, ele é mais valorizado”.

Para eles, o Senepol veio para complementar a genética das raças zebuínas predominantes na pecuária de corte nacional, transferindo precocidade, ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade de carne, caracterizada pela maciez.

“E o melhor: tudo isso em regime de pasto, como preferem 90% dos pecuaristas. Na pecuária convencional, o ciclo de produção chega a mais de três anos, mas, quando utilizamos o Senepol, o gado chega ao ponto de abate aos 20 meses, pesando 20 arrobas, em média. Estimativas apontam um incremento em lucratividade na ordem de 35% em comparação ao zebuíno puro.

Os ganhos são estendidos também no tricross. O touro Senepol sobre vacas F1 Zebu x Europeu resulta em produtos formidáveis, de excelente adaptação”.

O custo de produção desse gado dependerá dos objetivos do criador, da disponibilidade de recursos sazonais e da oferta de mão de obra especializada. “É importante que o investidor contrate uma consultoria técnica para fazer um levantamento preciso antes de iniciar a criação de gado porque o que serve em uma fazenda pode não servir em outra. Pelo propósito de democratizar a melhor genética da raça e até mesmo pelo tamanho do nosso projeto, os custos são mais elevados do que o de um criador comum. Já no cruzamento industrial, o custo de produção do Senepol, certamente, é menor do que na pecuária tradicional. Pela excelente conversão alimentar e rusticidade que possuem, os bezerros F1 Senepol x Zebu ganham mais peso e são abatidos mais cedo, poupando custos com manejo, recursos naturais e insumos, além do impacto social, cuja docilidade dos animais colabora com o bem-estar dos tratadores.

Uma fazenda que investe em melhoramento genético transmite benefícios a toda a cadeia produtiva”.

Cantor sertanejo aposta no Senepol
A Fazenda Senepol Paraíso, com unidade em Uberlândia, é a nova empreitada do cantor sertanejo Leo Chaves, da dupla Victor & Leo, no ramo empresarial. Especializada na reprodução e comercialização de gado Senepol, a fazenda tem como diretor operacional Rodrigo Debossan, especialista e estudioso da raça que desenvolveu uma técnica exclusiva que garante à Senepol Paraíso 95% de assertividade na reprodução. “Por meio de uma seleção criteriosa e uma excelente genética, conseguimos apresentar as melhores matrizes e os melhores touros, além das melhores doadoras do mercado. no momento, estamos investindo em matrizes de base avaliadas para produção e animais extremamente adaptados, que garantam maior padronização do rebanho, fêmeas mais férteis e machos com características de touros. Animais que consigam passar para as progênies, no puro, animais mais homogêneos e, no cruzamento industrial, uma carcaça frigorífica moderna”, diz Debossan.

 A essência da fazenda, explica, é vender a genética, expandindo o gado Senepol no Brasil. “Comercializamos embriões, prenhez (vacas grávidas),  matrizes e reprodutores (os touros). Depois da venda, prestamos a assessoria ao fazendeiro no período de gestação, nos primeiros passos do nascimento, nos cuidados com o bezerro, entre outros detalhes, durante dois anos.”

Debossan cita que existem dois tipos de mercado consumidor desse gado: o criador do animal PO (puro de origem) e o comprador de touro para o cruzamento industrial, objetivando a comercialização para frigoríficos.

 “O prazo de retorno para quem investe na produção desse gado  no  brasil  é de 18 a 24 meses. Nesse período, o criador já teria doadoras e touros para venda. O valor médio de venda do touro subiu dos R$ 11.526 registrados em 2012 para R$ 14.457,04 em 2015; já o valor médio da fêmea passou de R$ 27.831 em 2012 para R$ 33.858,20 em 2015. E o valor do investimento dependerá da escolha do criador no que diz respeito ao tamanho do rebanho e à forma que realizará a reprodução do mesmo no seu criatório.

Já o custo de produção seria um de rebanho comercial, pois o animal da raça Senepol não é exigente na sua alimentação, podendo ser criado a pasto”. Segundo o executivo, o Senepol tem provado, por meio de programas de pesquisa, que é um animal de alta performance tanto em confinamento como em programas de terminação a pasto. “Por ser de porte médio, moderado e muito adaptado aos trópicos e condições desfavoráveis de pastejo, tem excelente conversão alimentar, com menor exigência de energia dos alimentos para manutenção corporal. Logo, sobram nutrientes para rápido crescimento e rápido acabamento de carcaça, em especial, em condições adequadas de pastejo.”





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