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15/04/2019

O futuro da Agricultura de Precisão no Brasil

Há pelo menos uma década, a agricultura de precisão é assunto comentado em todas as empresas do agronegócio, e há pelo menos duas décadas a questão é debatida e desenvolvida na academia.

Historicamente, em todos os setores da economia, sempre que novas tecnologias abrem espaço para técnicas mais precisas e refinadas, os sistemas produtivos precisam fazer alterações para se manterem competitivos.  E não é diferente na agricultura.

Quem entrou na agricultura de precisão lá atrás, nem que seja apenas com uma barra de luz ou sinal de GPS, se deu conta de que existia um caminho (sem volta) para a produção agrícola: cada vez mais precisão e controle sobre as operações.  
 
É fácil perceber o que está acontecendo: os maquinários, que eram a grande sensação de algumas décadas atrás, agora recebem cada vez mais tecnologia embarcada. As cadernetas de anotação, agora se transformam em planilhas e sistemas complexos. E a agricultura de precisão, que antes denotava o conjunto de um punhado de técnicas, agora é designação comum pra um mundo de tecnologias, desde a clássica amostragem em grade, até a sofisticada semeadura em taxa variável.
 
Mas para onde esse negócio todo vai? Esta é realmente uma pergunta interessante. Porque se antecipar às mudanças é uma forma de ganhar competitividade e, portanto, de lucrar mais. Mas também é uma pergunta difícil de responder.
 
No Brasil, em décadas passadas, sempre que alguém queria saber pra onde ia determinado mercado, era só procurar pelos mercados estrangeiros, em especial EUA e Europa. E essa ideia continua válida em alguns casos, mas não totalmente. É possível olhar pra fora pra encontrar uma tendência, mas sem olhar pra dentro, para as nossas particularidades, pra nossa diversa complexidade, é impossível entender as tendências bem o suficiente para aproveitar a oportunidade de sair na frente.
 
E olhando para dentro do nosso país temos a primeira diversidade em relação ao mundo: de uma maneira geral não amadurecemos, nem em % de adoção, nem em entendimento concreto dos resultados das técnicas de agricultura de precisão. Os equipamentos, em muitos casos, são caros, e a grande dificuldade de encontrar mão de obra qualificada atrapalha a adoção por parte do produtor. Por outro lado, o fabricante de equipamentos para agricultura de precisão fica limitado nas suas vendas porque o entendimento das técnicas por parte do produtor não é claro, e os prestadores de serviço de qualidade não são muitos.
 
E tem mais: em algumas fazendas, as técnicas disponíveis atualmente no cinturão de utilidades da agricultura de precisão não são suficientes. Para os usuários avançados, é necessário conectar sistemas, automatizar a coleta e processamento de dados, e obter relatórios tanto das ocorrências naturais no campo, quanto do resultado das operações. E para muitos, a linha da necessidade já é a da visualização em tempo real.
 
E como se não bastasse a quantidade de diferentes perfis de produtores, existe uma rede diversa de marcas de fabricantes de equipamentos, maquinários e softwares, o que complica bastante a compatibilidade do que se tem na fazenda com as opções do mercado. 
 
O ambiente é complexo, mas não se pode deixar levar pelo que está nebuloso e desistir da viagem. Porque muitas coisas nesse mercado estão claras:
 
1. Está claro que existem perfis distintos de adotantes, mas só uma linha orientadora: quem quiser sobreviver na produção agrícola, precisa adotar técnicas e tecnologias que diminuam o custo e aumentem a produtividade.
 
2. Para os fabricantes e prestadores de serviço, também é muito clara a orientação: quem quiser prover um serviço que realmente alcance os objetivos acima vai ter que entregar soluções de fácil usabilidade e grande utilidade. A agricultura de precisão, mais do que nunca, precisa dos dados. É dependente deles. E seus resultados de saída serão tão melhores quanto melhores forem os dados de entrada.
 
Duas lições ficam, portanto, aos fabricantes de equipamentos:
 
1. Entender quem são os perfis, onde estão, e como se pode acessá-los.
 
2. Entregar produtos usáveis, compatíveis e o mais automáticos possíveis. 
 
Aos prestadores de serviço, softwares e plataformas:
 
1. Soluções massificadas, sem individualização, não são suficientes. É preciso aprender com os dados individuais daquele ambiente de produção.
 
2. Dar um monte de dados, sem insights reais e sem recomendações reais, inviabilizam a solução para muitas fazendas que não têm condições técnicas para interpretar e trabalhar os dados. É preciso ofertar mais.
 
Já aos produtores rurais, a lição é uma só:
 
1. As técnicas são muitas, e não usá-las deixou de ser uma opção. Cabe agora estudar e conhecer a fundo para adotar aquelas que mais se adequem à sua realidade.

Quer saber mais sobre agricultura de precisão? Consulte a Kleffmann


Por: David Ramin - Analista de Desenvolvimento de Negócios - Kleffmann





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