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29/01/2016

Novo sistema reduz custo de produção

O uso de mudas pré-brotadas no lugar do método tradicional promove mudanças de conceito e abre a possibilidade de renovação e expansão da área

Um novo sistema desenvolvido pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas) poderá contribuir para a produção rápida de mudas associado a um adequado padrão de fitossanidade, além de garantir maior uniformidade de plantio, reduzindo fallhas. O objetivo da nova tecnologia é proporcionar redução de custos e possível renovação e expansão da área plantada de cana-de-açúcar.

“Outro importante ganho é que o produtor utiliza de 18 a 20 toneladas de cana por hectare no método tradicional de matéria-prima, enquanto que o plantio por muda pré-brotada, ou MPB, demanda dez vezes menos matéria-prima por hectare”, explica Mauro Alexandre Xavier, pesquisador do IAC. Com isso, o produtor reduz o custo, uma vez que pode vender a sobra da cana. Xavier destaca ainda que, por esse sistema, as mudas são produzidas em viveiros – o que permite maior qualidade fitossanitária da planta.
 
A rápida produção da multiplicação das mudas e a simplicidade em aplicar o sistema são algumas das vantagens tanto para o produtor quanto para as usinas. A muda leva em torno de 60 dias em sua fase de produção. O processo consiste em uma fase de brotação de 12 dias, uma de aclimatação de 21 e uma final de rustificação (processo de aclimatação) de 21. “A agilidade e, principalmente, simplicidade incentivam a multiplicação para cultivares novos e mais modernos e assim diversificar essa base para o produtor”, afirma Xavier.

Segundo o pesquisador do IAC, a utilização do sistema MPB pelos produtores é bastante interessante pois permite trabalhar com uma ótima população de colmos por hectare. Ao utilizar a muda pré-brotada, é possível uma população acima de 80 mil. Com as MPBs, é possível estabelecer um arranjo espacial mais adequado, o que deve favorecer a população de colmos. “Isso influencia diretamente a produtividade, já que o plantio não é feito de forma aleatória como no sistema tradicional”, explica.

Setor sucroalcooleiro

Até o final de 2015 mais de 3 mil hectares estarão plantados com as mudas de cana pré-germinada Plene PB produzidas pela Syngenta em sua biofábrica de Itápolis (SP). Lançada no final de 2013, a tecnologia foi desenvolvida com o objetivo ampliar a produtividade e o rendimento dos produtores que já possuem ou não viveiros. O primeiro ciclo das mudas no campo já foi colhido com ganhos de 20% a 30% em produtividade, segundo o diretor de Marketing de Cana da empresa, Leandro Irigon Amaral.

Mais de 60% do mercado de usinas planta as mudas de cana pré-brotada. “Mesmo em dificuldades, as usinas estão investindo em mudas com o objetivo de reduzir o custo de produção. Há um senso comum: todos querem testar a tecnologia, pois têm consciência da necessidade de resgatar boas práticas agronômicas, melhorar a produtividade por meio do investimento e obter melhor rentabilidade”, diz Amaral. 

A tecnologia deverá melhorar a rentabilidade da usina entre 30% e 50% ao longo de cinco anos, conforme avaliação do diretor de Marketing. “Nesse período uma usina renova 100% da área plantada. Atualmente, a maioria dos agricultores utiliza grandes volumes de cana para plantio de baixa qualidade. Usando mudas de origem o aumento é de 30% a 50% na rentabilidade. A origem das mudas pré-brotadas – biofábrica - garante genética e sanidade, maior enraizamento, vigor e ganho de produtividade”, afirma.

A prática de produção de mudas em viveiros se perdeu ao longo dos anos. Amaral diz que Plene PB traz de novo essa possibilidade às usinas. No modelo convencional, um hectare de mudas resulta em 4 hectares de plantio. O Plene PB aumenta em 30% a taxa de multiplicação, gerando ganhos para todo o ciclo comercial da cana. “O produto ainda gera uma solução para falhas de plantio, que representam um problema em crescimento nos canaviais: falhas de 20% em um canavial significam 6% de perda em produtividade”. O trabalho de pós-venda inclui capacitação de produtores e usinas, utilizando parâmetros agronômicos, e acompanhamento do plantio de mudas pelos agrônomos da Syngenta com 30, 60 e 200 dias após o plantio e na colheita. “Adequamos o manejo junto ao cliente para proteger o potencial produtivo da cana”.

Junto com a indústria, a Syngenta vem desenvolvendo máquinas para replantio das mudas pré-brotadas em falhas do canavial. Da área total plantada de 10 milhões de hectares, o índice é de 10% a 20% de falhas. As máquinas deverão entrar no mercado no próximo ano. 

Evolução

O Plene PB carrega a genética e a sanidade do Plene Evolve, uma muda produzida na biofábrica Syngenta que pode ser mecanicamente transplantada e que acelera a renovação da variedade por meio de genética de alta qualidade. Ela pode ser diretamente multiplicada pelo produtor com aumento de pureza genética e produtividade. 

Em 2017 chegará ao mercado o Plene Emerald, que servirá para o plantio comercial de cana unindo na mesma tecnologia duas reivindicações antigas do setor: o plantio de cana por “semente” e a cana transgênica. Na produção desta semente, a Syngenta incorpora um material geneticamente modificado com resistência a herbicidas e pragas. A empresa estuda a possibilidade de implantar fábricas de “sementes” para que não haja gargalos logísticos e as sementes sejam produzidas o ano todo, conforme a demanda.

Ethanol Summit

Um dos principais eventos do mundo voltado às energias renováveis, particularmente o etanol e os produtos derivados da cana-de-açúcar, reuniu em São Paulo empresários, autoridades de diversos níveis governamentais, pesquisadores, investidores, fornecedores e acadêmicos do Brasil e do exterior.

Mais de 1.200 participantes e 85 palestrantes participaram do evento, dividido em 10 painéis de debate, quatro grandes plenárias e duas cerimônias. A quinta edição do Ethanol Summit abordou os desafios para o setor de biocombustíveis em um cenário sensível para o crescimento econômico. A primeira plenária teve como tema o impacto da nova realidade do petróleo no pré-sal e nos biocombustíveis, abordando a importância de um plano de longo prazo. Integraram o debate a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Magda Chambriard, Elizabeth Farina, da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA), e Robert Wright, da ePure.

O professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), enfatizou que para garantir a previsibilidade e a competitividade ao etanol nacional, é necessário analisar alguns fatores importantes, como a definição de pontos de entrega com preços estabilizados; a formação de preço via leilões para etanol hidratado e, possivelmente, para o etanol anidro e a realização de um cálculo semanal de preços, entre outras medidas.

O segundo dia contou com a participação de nomes do setor empresarial e também do economista Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, em plenária sobre o cenário macroeconômico do país e a busca pela competitividade para as energias renováveis.

Diferentes painéis trouxeram discussões técnicas e conjunturais sobre o setor sucroenergético com a exposição de diferentes iniciativas inovadoras, fruto de intercâmbio entre a tecnologia dominada pelas companhias brasileiras e as mais modernas ciências internacionais. Em formato 360º, os painéis ofereceram aos participantes a possibilidade de acompanhamento simultâneo de diferentes temas, de acordo com seu interesse e disponibilidade.

O Ethanol Summit foi lançado em 2007 e é realizado a cada dois anos pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). O encontro reúne uma centena de palestras, apresentações, discussões e debates que acontecem em grandes plenárias, painéis temáticos e cerimônias de abertura e encerramento, além de eventos paralelos. Tem como patrocinadores master Syngenta, BNDES e Governo Federal.


Fonte: Revista KLFF - 11ª Ed.




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