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06/09/2017

Milho - Preço da semente pesa nos custos de produção

Novas tecnologias e demanda maior que a oferta da semente do milho segunda safra encareceram o insumo, que passou a corresponderem média a 17% do gasto total da produção, conforme o Cepea

Milho - Preço da semente pesa nos custos de produção

Estica daqui, puxa dali e as contas precisam fechar no final da colheita. Um insumo importante tem dado certa dor de cabeça para o produtor de milho. A semente registrou um aumento médio de 20% nas últimas quatro safras nos principais estados produtores de milho verão e segunda safra. Novas tecnologias embarcadas e a demanda maior que a oferta pressionaram os preços e elevaram a participação da semente no custo total. “Nos últimos quatro anos, o aumento do preço da semente do milho foi, em média, de 20%, o que tem representado cerca de 40% do custo total da produção”, afirma o produtor Luiz Fernando Medeiros da Silva, que planta 105 hectares de milho verão e segunda safra em Sertão, no Rio Grande do Sul.

“No milho Bt segunda safra, a semente tratada representa, em média, 17% do custo total. Para esse cálculo, foi considerado o valor médio das safras de 2009/10a 2015/16, nas regiões de Sorriso, Sinop, Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso;Mineiros e Rio Verde, em Goiás;Londrina e Cascavel, no Paraná; e Naviraí, no Mato Grosso do Sul”, diz Mauro Osaki, pesquisador da área de custos de produção do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Segundo Osaki, a elevação do preço do insumo deve-se basicamente à tecnologia embarcada na semente e à demanda acima da oferta. “Os preços ficaram acima da inflação em razão da alta demanda, pressionando as sementeiras que não estavam preparadas para ofertarem na mesma proporção”, explica. Desta forma, o custo de produção tem aumentado uma vez que, mesmo com novas tecnologias, é necessária a aplicação de inseticidas para o controle de percevejos e lagartas.

No Paraná, o produtor também sentiu no bolso o peso da semente de milho no gasto total com a lavoura. De acordo com Sebastião Polato, que planta 137 hectares na segunda safra em Rancho Alegre do Oeste, o mesmo híbrido utilizado na safra passada sofreu um aumento de 26%. “Tenho observado ao longo do tempo que a inserção de novas tecnologias aumenta bastante o custo das sementes, porém a desproporção em relação ao preço pago pelo milho é grande. Enquanto o aumento no valor pago ao produtor foi de 21% nos últimos quatro anos, o preço da semente só neste último ano cresceu 26%”, afirma.

Dependendo da tecnologia adotada e do material utilizado, o custo da semente representa entre 30e 40% do custo total na lavoura de Polato. Segundo ele, essa relação também mudou ao longo dos últimos anos. “A adoção de diferentes materiais faz essa proporção oscilar, mas a média está em 35% e a tendência, pelo que vejo, é de continuar aumentando”, observa.

A relação custo-benefício às vezes deixa um pouco a desejar. De acordo com Polato, se plantas se hoje nas mesmas condições de adubação e cenário com a semente usada quase 20 anos atrás, quando começou a plantar milho, teria produtividade muito próxima da atual. “Acho difícil atribuir somente à semente o mérito pela maior produção. Acredito que outros fatores trouxeram benefícios, como a antecipação da colheita de soja para entrar com o milho e fugir de possíveis geadas, a maior luminosidade com a antecipação do plantio do milho, melhor adubação e correção do solo. A maior produtividade está mais relacionada a um conjunto de fatores do que exclusivamente ao melhoramento genético da semente”, acrescenta.

Para fechar as contas no azul, Polato diz que a melhor solução até agora é a busca do equilíbrio. “Não adianta gastar 80% dos recursos com sementes de alto custo e depois não ter dinheiro para fazer uma boa adubação ou usar um fungicida de qualidade, entre outros insumos. Em resumo, o que tenho observado safra após safra é que apalavra-chave é o equilíbrio: material genético, tratos culturais e controle de doenças. Esta é a melhor forma para produzir mais e com melhor relação custo-benefício”, afirma o produtor.

Segundo Edmar Gervásio, administrador do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretariada Agricultura do Paraná, o aumento do preço da semente de milho verão pago pelo produtor no Estado foi de 23% em 2017 em relação ao ano passado. As sementes custaram ao produtor em fevereiro deste ano R$ 789,53 a saca, com uma participação de 15,8% no custo total de produção. Em 2016, o valor foi de R$ 640,12, mas o insumo representou 19,5% no gasto total.

Já no milho segunda safra, a participação da semente na composição dos custos foi de 21,81% em 2017, com o preço pago de R$657,94 a saca. Em 2016, o valor foi de R$ 533,43, representando 18,69% do custo de produção. “Com os bons preços pagos pelo cereal, houve uma demanda maior que a oferta do insumo, além de novas tecnologias embarcadas nas sementes”, explica Gervásio. Essa procura maior pelo milho ocorreu por conta do preço pago em 2016, que ficou acima de R$ 30 a saca de60 quilos. O valor ficou cerca de30% maior que em anos anteriores: em média, R$ 20.

No Mato Grosso, um dos principais Estados produtores de milho, o custo com semente para as lavouras que usam alta tecnologia também registrou aumento médio de 25%nos últimos cinco anos. O produtor mato-grossense deverá gastar em torno de R$ 420 por hectare para semear a lavoura do cereal. Na safra 2013/14, o gasto com semente era de R$ 339. “Na última safra 2016/17o aumento foi de 6%”, afirma Ângelo Ozelame, gestor técnico do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

Conforme Ozelame, o aumento do preço da semente deve-se às novas tecnologias empregadas neste insumo, como para o controle de pragas. “No entanto, é difícil relacionar o desempenho dessas sementes com o aumento de produtividade, uma vez que para uma boa produção há outros fatores que influenciam diretamente o resultado, como o clima”, observa.

Em relação ao custo total, as sementes devem representar 16,03%,percentual menor que na safra2013/14, quando a proporção era de 18,28%. De acordo com Ozelame, apesar do preço da semente ter aumentado, na composição do custo geral, os defensivos tiveram participação ainda maior. Na safra2013/14, o valor gasto saiu de R$185,00 para R$ 304,90, um crescimento de 64%. Nos últimos cinco anos, os produtos químicos também registraram aumento. Os fungicidas aumentaram 25%, herbicidas 99%e inseticidas 56%. “As razões foram diversas, como a variação do dólar e demanda maior que a oferta desses agroquímicos”, explica.





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