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31/03/2017

Marize Porto Costa responde sobre ILPF aos produtores

Proprietária da Fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO), dá dicas e troca experiências sobre resultados com Integração Lavoura, Pecuária e Floresta

Marize Porto Costa responde sobre ILPF aos produtores

Ortodontista por formação e profissão, em 2002 Marize Porto Costa se viu viúva e com três filhos menores de idade. A propriedade localizada na cidade Goiana de Ipameri, administrada até então pelo marido, estava a caminho do abandono. Em 2006, ela iniciou um projeto de revitalização do negócio e decidiu apostar no sistema de integração de três atividades na mesma área. Dez anos depois, a propriedade conta com até quatro safras por ano: soja, milho, pasto e gado – e a cada ciclo de seis a sete anos, uma safra de madeira.  Em 2006/2007, a produtividade da soja era de 2,7 mil quilos por hectare. Agora na safra 2015/2016 foi para 3,9 mil quilos. O milho teve um salto de 5,4 mil quilos por hectare para 11,4 mil quilos por hectare no mesmo período. Já na pecuária, o resultado nesses 10 anos impressiona: de 69 quilos por hectare ano para nada menos que 730 quilos por hectare ano. Confira essa rica experiência nas respostas de Marize aos produtores rurais:

Jaime Schio, de Gaúcha do Norte/MT
Como é possível chegar aos resultados alcançados nesses 10 anos?

O alto desempenho das produtividades foi uma das consequências da integração lavoura, pecuária e floresta, uma vez que se promoveu uma melhoria nas propriedades físicas, químicas e biológicas dos nossos solos. Também vale mencionar que o mais importante não é a produtividade em si, mas a relação custo/benefício para ser obter uma produção rentável.

Luiz Fernando Feltre, de Jaú/SP
Dentro de todo o contexto para se chegar a esta produtividade, excluindo análise de solo, compactação, variedade, janela de plantio, quais são os cinco principais itens para esse sucesso?

Os fatores dignos de menção seriam:
1) A tecnologia desenvolvida pela Embrapa (alternância e diversidade de cultivos, introdução de forrageiras, manutenção de cobertura e palha, correção e condicionamento profundo do perfil do solo, e pastagens de excelente qualidade todos os anos, dando suporte a um número cada vez maior de animais).
2) A profissionalização da gestão, das pessoas e dos sistemas de produção.
3) O contínuo aprendizado com as devidas adequações ano após ano e evidentemente o clima que neste período foi favorável à produção.
4) A busca por diversas linhas de crédito para dar suporte aos investimentos necessários.
5) Além disso, não havia paradigmas a serem quebrados em relação aos manejos da lavoura, pecuária e floresta, o que foi muito importante para chegarmos aos resultados desses últimos dez anos.

Robson Lazzaretti, de Ponte Preta/RS
Gostaria de saber se a Fazenda Santa Brígida tra-balha, de alguma forma em suas áreas, a rotatividade de culturas. E quais manejos são empregados para as correções de solo, de maneira geral, na fazenda?

O manejo das culturas entre gramíneas e leguminosas é fundamental para a renovação das condições físicas e sanidade dos solos. Uma das características fundamentais da integração é a rotação de culturas (hoje utilizamos a rotação com soja, milho, sorgo, girassol, milheto, sorgo de alepo e braquiárias). As correções dos nossos solos são realizadas após criteriosas análises, de 0 a 20 centímetros e de 20 a 40 centímetros. Utilizamos calcário dolomítico, gesso agrícola, MAP, cama de aviário, além de adubação foliar com micronutrientes. O objetivo, além da produtividade imediata, é promover a correção química do perfil em profundidade.

Cassio Meirelles de Siqueira, de Santa Rita de Caldas-MG
Quais foram as práticas (manejo de solo, adubação, tratos culturais, variedade) para atingir esta produtividade de soja: de 2,7 para 3,9 ton/ha?

As técnicas de manejo adotadas na Fazenda Santa Brígida variaram de área para área em função das características físicas e químicas dos nossos solos. Entretanto, nenhuma nova tecnologia foi aplicada que já não fosse do conhecimento dos produtores. A correção inicial intensiva foi feita com calagem, gessagem e fosfatagem.
Inicialmente cultivamos soja e depois introduzimos o milho de verão com braquiária, quebrando o monocultivo de soja. Alternamos os cultivos na safrinha (milho, sorgo, girassol, milheto). Fizemos a correção sequencial do solo com calcário e gesso, visando construção gradual do perfil. Usamos diferentes cultivares de soja (três ciclos de maturação) para ajustar tratos culturais e diversificação de cultivos na safrinha.

Fábio Fernando Gusatto, Campo Verde/MT
Quais foram os maiores desafios encontrados para instalação do sistema ILPF? Existe alguma fórmula para o sucesso do sistema? Quais os principais pontos que merecem atenção especial? Quais as vantagens e limitações do sistema IlPF?

Os maiores desafios foram os de natureza cultural/local, pois o plantio concomitante no caso do milho com braquiária - ou mesmo sequencial de culturas - é um paradigma difícil de ser quebrado em muitos casos. Mas também considero desafios a necessidade de investimentos, de conhecimento técnico, da adequada equipe de colaboradores e da gestão de um “sistema de produção”. As principais vantagens dos sistemas integrados são a mitigação dos riscos de clima e mercado e o uso mais intensivo dos recursos disponíveis na minha propriedade, com o consequente aumento de renda por hectare. Houve melhoria da produtividade das lavouras e pastagens de alta qualidade logo após a colheita, que ocorre na época mais crítica do ano, onde os animais se beneficiam de nutrição de qualidade e alta capacidade de lotação. não existe uma fórmula que defina o sucesso, apenas o trabalho e a vontade de sair de uma situação inviável economicamente para algo que pudesse dar um retorno à minha família é que foram res-ponsáveis pelos resultados que obtivemos.

Celso Ricardo Gomes, de Coronel Macedo/SP
Quais os benefícios do uso do gesso agrícola e qual a sua necessidade?

O gesso possibilita condicionamento do solo em profundidade, com disponibilização de cálcio e neutralização do alumínio tóxico. Além disso, funciona como fonte de enxofre, permitindo o uso de fertilizantes concentrados (MAP e ureia) de menor custo e melhor logística de aplicação, por requererem doses menores.

Rafael Redivo, de Nova Maringá/MT
Quantos quilos de enxofre são necessários para obter uma produtividade de soja de 3.600 quilos e milho de 9.000 quilos em áreas com argila em torno de 20%?

As culturas demandarão absorção em torno de 50 quilos por hectare. Destes, cerca de 30% serão exportados - constituintes dos grãos - e o restante permanecerá no solo, sendo gradualmente devolvido pela palhada. O ideal é fazer análise de solo de 0-20 centímetros - deve ter 5-10 partes por milhão (ppm) de enxofre - e de 20-40 centímetros - deve estar acima de 20ppm. Para manter esses patamares e melhorar condicionamento, utilizamos cerca de 500 quilos de gesso a cada dois anos. 





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