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16/04/2018

Manutenção de frotas previne acidentes e reduz gastos

Além dos cuidados rotineiros, produtor deve estar atento à parte elétrica dos equipamentos agrícolas

Manutenção de frotas previne acidentes e reduz gastos

Quem trabalha no campo está acostumado a ouvir histórias sobre incêndios com máquinas agrícolas, problema comum que causa muito estresse, prejuízo e, às vezes, até ferimentos físicos nos envolvidos. O agricultor Geraldo Morsink, que produz soja, milho, feijão, trigo, aveia e cevada em Piraí do Sul (PR), conta que dois incidentes com colhedoras de sua frota o fizeram rever a atenção dada à manutenção desses equipamentos.

Felizmente o caso de Morsink não foi tão grave, já que o incêndio foi contido a tempo. “Percebemos fumaça saindo próxima ao motor da colhedora automotriz. Seria um desastre não fosse a agilidade e a atenção do operador, que conseguiu usar o extintor de incêndio e apagar o fogo. O alternador derreteu, mas a colhedora não sofreu maiores danos. Poucos dias depois ocorreu o mesmo com outra colhedora”, lembra.

Segundo o agricultor, esses acontecimentos o fizeram perceber que a manutenção preventiva não deve focar somente na parte industrial da máquina, mas que revisar a parte elétrica também é indispensável. “Desde então, retiro o alternador e mando trocar seus rolamentos pelo menos três vezes ao ano. Adquirimos um compressor de ar muito potente e fazemos a limpeza diária das colhedoras com ar comprimido”.

Após os incidentes, Morsink  está mais consciente e atento com a manutenção de sua frota. “Minhas máquinas são mais limpas e bem cuidadas do que a minha caminhonete. Afinal, dependo delas para garantir uma boa safra”, comenta o agricultor. Quanto aos tratos com a caminhonete, ele completa: “fico bem atento à caminhonete também!”.

Sandro Morete, sócio-diretor da área automotiva da GAtec – empresa de consultoria especializada no desenvolvimento e implantação de soluções em gestão agroindustrial – enfatiza que toda manutenção da máquina deve estar em dia, principalmente a elétrica, pois a máquina pode parar inesperadamente. “Um simples zinabre (ferrugem do cobre) formado nos cabos da bateria pode retirar um equipamento de operação. A nossa recomendação é fazer manutenções programadas para evitar surpresas no dia a dia”, diz.

Morete alerta que casos como o do agricultor não são raros e é fundamental que os produtores e profissionais do agronegócio tomem consciência da importância da manutenção preventiva. Os maquinários são essenciais na rotina do campo, mas para que essa relação máquina-homem só dê bons frutos, alguns cuidados devem ser tomados.

Para começar, afirma Morete, é importante conhecer o consumo médio da frota por modelo de equipamento e atividade. “Um bom sistema de gestão deve registrar todos os abastecimentos, gerar crítica e alerta a consumos excessivos, além de gráficos comparativos com indicadores de consumo com a produção no mesmo período”, diz.

Uma boa forma de evitar prejuízos é realizar a manutenção preventiva periódica nos equipamentos e inspecionar frequentemente os veículos que têm consumo abaixo da média – por isso é fundamental conhecer seus números. "É melhor fazer biópsia do que autópsia", brinca Morete. “Não adianta correr atrás do prejuízo ao final da operação. Por meio de software especializado, o produtor consegue ter informações em tempo real. Com isso, pode fazer mudanças para que a meta nunca seja desviada e ele retome o plano de ação”.

O combustível representa a maior parcela de todos os custos de uma frota de transporte no campo, conforme levantamento realizado pela GAtec. Uma forma de reduzir esse custo é treinar motoristas com programas de condução econômica. “Pequenas atitudes como desligar o motor durante longas paradas podem fazer uma diferença significativa no volume consumido”, afirma Morete. Outro cuidado nesse sentido é com combustíveis de má qualidade, que podem conter solventes ou contaminantes que deterioram as peças do sistema de injeção e o primeiro reflexo disto é alteração do consumo.


Cuidados com os pneus

Um aspecto importante é a manutenção correta dos pneus, que são o segundo maior gasto com as frotas, precedido apenas pelo combustível. A manutenção alonga a vida do pneu, por meio da calibragem correta e reformas no momento certo, acompanhando o desgaste. O pneu tem uma marcação que informa quando a reforma deve ser feita: seguindo isso não se perde a carcaça.

É recomendável conhecer marcas de pneus e modelos de carcaças e bandas de rodagens utilizados na frota. O desempenho dos pneus reformados, quilometragem média por vida, custo por quilômetro rodado, índice de recapagens e estatísticas de motivos de perda das carcaças sãos informações que devem ser monitoradas e analisadas.

Outra orientação importante é o uso do pneu correto em cada aplicação, com carcaça e banda indicadas de acordo com a carga transportada, tipo de terreno e de eixo (direcional, tração ou livre). Também é necessário retirar o pneu no momento ideal para enviar a recapagem, protegendo a carcaça e garantindo maior índice de recapabilidade.

É importante realizar a manutenção constante da pressão, fazer rodízio e inspecionar os pneus periodicamente, procurando por avarias na banda e carcaça que possam ser reparadas a tempo de evitar a perda do pneu. “Evite rodar com desalinhamentos ou problemas na suspensão que possam causar desgaste irregular e prematuro na banda de rodagem. O maior motivo de perda de pneus é a pressão irregular”, diz Morete.


Por onde começar para reduzir custos 

Primeira etapa: Identificar quais são seus números para poder melhorá-los (qual é o consumo e o desgaste, quanto se gasta com cada aspecto etc.).

Segunda etapa: Criar um planejamento da manutenção - quem vai executar e o que será executado - e definir metas.

Terceira etapa: Analisar os dados. Acompanhar se as metas definidas estão sendo atingidas. Caso não estejam, verificar onde está o desvio e tomar providências.

Quarta etapa: Manutenção preventiva. Uma boa manutenção preventiva evita que ocorram manutenções corretivas, que são mais caras e, muitas vezes, com prejuízos irreversíveis. É fundamental seguir as orientações do fornecedor da máquina.

IMPORTANTE: Os gastos com manutenção básica - trocas de óleos, filtros e graxas - representam a menor parcela dos custos (aproximadamente 1,2%, segundo dados da GAtec), indicando que trocar o óleo na hora certa não custa caro e evita uma série de desgastes prematuros das peças.







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