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10/02/2017

Grãos: O segredo do manejo bem-feito

Agricultores revelam como obter rendimentos acima de 70 sacas por hectare de soja

Grãos: O segredo do manejo bem-feito

A produtividade média brasileira de soja na safra 2015/16 ficou pouco acima do ano passado (1%) em razão do controle preventivo e da menor incidência de pragas e doenças na maioria dos Estados, conforme levantamento no Rally da Safra – expedição técnica que avalia a safra de grãos no Brasil. Segundo André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, organizadora do projeto, os técnicos encontraram maior variação no nível tecnológico das lavouras. “Há quatro ou cinco anos, a soja era uma cultura homogênea no Brasil. Agora, o quadro tecnológico mudou muito e encontramos produtores que podem chegar a 70/80 sacas por hectare, enquanto outros colhem 40 sacas”, afirma.

É o caso do produtor André Gheller, que há três safras colhe uma média geral acima de 70 sc/ha. Com área plantada de 350 hectares em Fraiburgo, meio-oeste de Santa Catarina, Gheller acredita que a rotação de culturas, aliada ao manejo adequado de safra de inverno, com cultura de cobertura (aveia preta), dessecação antecipada com controle de pragas e plantio de qualidade são os fatores iniciais para ter um bom resultado.
“Tratar cada talhão/variedade de forma isolada, conforme suas particularidades, também nos traz retornos  significativos”,  observa.

Segundo ele,  o clima é determinante na produtividade das  lavouras  e, para tentar diminuir esses riscos, a principal solução é o escalonamento de plantio, uso de cultivares de diferentes grupos de maturação  e até mesmo o plantio de  lavouras um pouco distantes  entre si. O objetivo é assegurar que nenhum  sinistro causado pelo clima atinja toda a área. 
“Além disso, acredito que um diferencial é a aplicação do produto/manejo adequado e no momento certo. Algumas alternativas de manejo, quando feitas de forma atrasada, não garantem o  resultado  esperado”,  afirma.

Há três safras o produtor de grãos Edson Agnes, que junto com o pai e outros quatro irmãos plantam 820 hectares de soja, milho e feijão em sete diferentes áreas de Planaltina (DF), consegue a média acima de 70 sacas por hectare de soja. Nas áreas de irrigação (210 ha), a média chega a 92 sc/ha. “Acredito que um diferencial é a construção do perfil do solo, com bons teores de matéria orgânica para maior proteção/oxigenação e subsequente mais vida e equilíbrio do solo”, afirma Agnes.

Já nas áreas de sequeiro, na década de 1990 o produtor e a família só plantavam soja. No entanto, por ser uma pequena área, não estava proporcionando resultados possíveis. Em meados de 2000, começaram a plantar duas safras (feijão e milho segunda safra).

Com essa mudança, perceberam que a associação de adubos químicos juntamente com a adubação orgânica agregaram mais valor e cresciam com esse manejo. De acordo com ele, a média de produção chega a 78 sc/ha.  nesta última safra, devido ao clima, a média foi de 76 sc/ha. “Esse ano foi bem heterogêneo, pois algumas áreas foram 55 sacas e outras, 92”, acrescenta.

Para o produtor, são vários os fatores que levam a uma boa produtividade. Entre elas está a diversificação de culturas, que traz benefícios como o convívio de diferentes patógenos do solo. Outro ponto importante é o manejo e correção ao

longo dos anos para preservação do solo, o que contribui para a fertilidade e assegura um perfil adequado para a soja. “Desta forma, garantimos um bom acesso à água. Além, claro, de sementes de excelente qualidade de boa procedência, genética e um eficiente tratamento favorecem o bom desempenho da lavoura”, diz.  No entanto, o ponto crucial mesmo, segundo Agnes, é o clima. “O ideal é que a planta não sofra estresse tanto de falta quanto de excesso de água”, avalia. 

Para ele, cada fase, cada processo de construção da lavoura é muito importante. “Mas, se começar com uma semente de ótima qualidade, a chance de ter sucesso num solo bem construído chega a 90%”, avalia. Com uma boa genética, vigor e germinação, acrescenta Agnes, a semente pode ser responsável por mais de 60% do sucesso da lavoura.

MAIS DE 1MIL HECTARES
Conseguir altas produtividades em grandes  áreas é um desafio  constante.  Segundo  Jefferson André Aroni, gerente comercial da Agropastoril Jotabasso de Rondo-nópolis (Mt), a fazenda Verde, com 9 mil hectares plantados, obtém desde a safra 2014/2015 uma produção acima de 70 sacas por hectare de soja. na última safra, os números impressionam: em um talhão de 11 hectares, a produtividade foi de 98,3 sacas por hectare. “É uma área de confinamento e altamente fértil com muita matéria orgânica. Por isso esse alto desempenho”, explica.

A mesma cultivar (Brasmax Desa-fio RR) foi plantada em três mil hectares e obteve um resultado médio de 80,21 sc/ha em 1.398 hectares.

Então é possível conseguir altas produtividades em grandes áreas? Sim. De acordo com Aroni, começa pela escolha da cultivar - que deve ter alto potencial produtivo - depois o trabalho de correção e adubação do solo. “Nessas áreas, há também um trabalho de cerca de 10 anos de agricultura de precisão, o que deixa o solo bem equilibrado em fertilidade e correção, além do plantio na época adequada e um clima favorável”, afirma.

Ele acrescenta que os tratos culturais bem-feitos de inseticidas e fungicidas, na época e quantidade recomendadas, também são fundamentais para bons resultados finais.

Com todas as ferramentas possíveis, o clima é o único fator que não é possível controlar. No entanto, é possível amenizar os impactos climáticos. Em tempos do fenômeno El Niño, por exemplo, o segredo está em uma boa estruturação do solo. Conforme o gerente da Jotabasso, em época de estresse hídrico faz a diferença ter uma boa cobertura de palhada (ajuda a manter a umidade do solo), fertilidade, correção e equilíbrio de nutrientes no solo. “Da mesma forma, o excesso de chuva pode trazer prejuízos. Uma boa cobertura também ajuda a evitar a erosão e lixiviação de nutrientes”, explica.

Para minimizar os riscos climáticos, a dica do engenheiro agrônomo Salvatore de Angelis é trabalhar com ciclos de cultivares diferentes em épocas escalonadas. Já a receita para garantir uma boa produtividade (86 sc/ha) é a rotação de culturas. Além disso, somam-se uma boa qualidade de palha na superfície, nutrição equilibrada, boa genética, solo descompactado e livre de nematoides e patógenos.

“Para grandes áreas, a variabilidade é ainda maior. Por isso, é necessário mapear tanto a área quanto a fertilidade, presença de nematoides e compactação do solo. Se dividir em talhões de 250 ha fica mais fácil o manejo”, diz. na Fazenda Santo Antonio, em Florínea (SP), onde é consultor, a rotação feita no verão é entre soja, milho e crotalária. No inverno, as culturas são de trigo com aveia.

Mesmo com todos os cuidados e com produtividades acima de 70 sacas por hectare, às vezes, o clima realmente pode ser um fator determinante no resultado final. O produtor Odair Gonçalo, que planta 2,2 mil hectares de soja e 1,1 mil hectares de milho na região de Barreiras (BA), viu sua produção cair em relação às safras anteriores. “Em 2013/2014, conseguimos altas produtividades em determinados talhões, mas esse ano o clima foi determinante para não obtermos um bom resultado”, afirma. No entanto, acrescenta, o manejo - com uma boa adubação - e o uso de insumos de boa qualidade garantiram que os prejuízos ficas-sem menores que as propriedades vizinhas.





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