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01/11/2017

Feijão: Resistência de plantas daninhas preocupa produtores

Segundo estudo da Kleffmann, estão mais presentes na primeira safra das lavouras as ervas encontradas pós dessecação: o picão-preto e o capim-colchão

Feijão: Resistência de plantas daninhas preocupa produtores

As ervas daninhas estão mais resistentes e preocupam os produtores de feijão. “As plantas vem aumentando a cada safra, o que torna cada vez mais difícil o controle”, afirma Márcio Menon, que produz 250 hectares de feijão, soja e milho em Ipiranga/PR. Segundo ele, os custos de produção já aumentaram entre 10 e 15% em função do melhor manejo da praga. A solução encontrada pelo produtor foi fazer a mistura de dois ou mais princípios ativos de herbicidas, dependendo do tipo de erva daninha. “Apesar de a incidência não chegar a causar quebra significativa na produção, o impacto maior na rentabilidade ocorre porque há descontos no pagamento devido às impurezas e umidade do grão”, acrescenta.

Estudo recente da Kleffmann aponta a incidência de ervas daninhas em três safras de feijão nos principais Estados produtores: Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul. Na primeira e segunda safras avaliadas, as três principais plantas presentes nas lavouras foram as encontradas na dessecação, o picão-preto, o capim-colchão e o amendoim-bravo/leiteiro. Já na terceira safra, o estudo apontou a presença da trapoeraba (20%), braquiária (16%) e picão-preto (13%).

De acordo com Mabio Chrisley Lacerda, pesquisador em Sistemas Agrícolas Sustentáveis da Embrapa Arroz e Feijão, a ocorrência de plantas daninhas na lavoura de feijão tem acontecido de maneira generalizada em muitas regiões produtoras de grãos. “Há relatos de plantas daninhas resistentes a alguns herbicidas de ação total e esse fato é de amplo conhecimento da comunidade científica.”

Apenas o controle químico das daninhas pode ser ineficiente por três razões: o produto utilizado não é recomendado para aquela planta; houve falha na aplicação do herbicida; e a planta daninha pode ser resistente ao herbicida aplicado. “Dessa maneira torna-se imprescindível o acompanhamento da aplicação por um técnico experiente, atualizado e, além disso, a verificação constante dos equipamentos de pulverização e a forma de aplicação do produto”, orienta Lacerda.

O pesquisador chama a atenção sobre o aspecto de resistência das plantas daninhas. “Há uma preocupação pungente para evitá-las e manejá-las de maneira que possamos conviver com elas. A premissa principal para evitar a resistência a herbicidas seria realizar a rotação de produtos- ingrediente ativo e modos de ação- sempre que possível. Utilizar a mesma molécula por várias vezes consecutivas eleva a pressão de seleção e, consequentemente, ao surgimento de plantas daninhas resistentes”, orienta.

Segundo ele, para obter mais informações os produtores podem acessar a página da International Survey of Herbicide Resistant Weeds (weedscience.com). “Nesse site o agricultor poderá ter acesso a conceitos, quais plantas daninhas tem se tornado problema no país e no mundo, além de aprender a evitar o surgimento dessas plantas daninhas resistentes no campo”.

Lacerda indica outros métodos para o manejo de plantas daninhas, sendo que o manejo integrado é a melhor estratégia de controle. Os métodos baseiam-se na prevenção, nas práticas culturais aplicadas, na eliminação (física, biológica, mecânica ou química) e no ambiente que estão inseridas. “Para controle efetivo das plantas daninhas predominantes em áreas de cultivo é preciso conhecimento da biologia das espécies e da dinâmica populacional do banco de sementes do solo”, afirma.

O controle cultural, explica o pesquisador, consiste na utilização de técnicas de manejo da cultura (sistema de plantio, cultivar, espaçamento, densidade, adubação, época de semeadura, etc.), que propiciem o pleno desenvolvimento da cultura principal, em detrimento ao da planta daninha. O manejo com herbicidas é um dos métodos mais utilizados para o controle, devido à maior praticidade e à melhor eficiência. “As estratégias devem ser elaboradas para cada caso particular, buscando sempre a integração dos métodos. A rotação de culturas, associada ao controle químico, tem sido relatada como a melhor estratégia para o efetivo controle e manejo das plantas daninhas em áreas de cultivo.”

O pesquisador da Embrapa alerta ainda para outros tipos de plantas daninhas como o Amaranthus palmeri (Família: Amaranthaceae), relatada no Brasil em 2014, no Mato Grosso. Embora não seja uma planta daninha que prejudica especificamente lavouras de feijão, pode causar prejuízos no sistema produtivo como um todo. A preocupação a respeito dessa praga, ele explica, se dá em função de suas características biológicas e da resistência a herbicidas de diferentes modos de ação. “De acordo com alguns pesquisadores, essa planta é um tipo de caruru originário de regiões áridas do Centro Sul dos Estados Unidos e Norte do México e que está presente em vários países do mundo. É uma planta que possui rápido crescimento vegetativo que, em nossas condições tropicais, pode crescer de 2 a 3 centímetros por dia, sendo que as plantas podem alcançar mais de 2 metros de altura”, diz.

Para Lacerda, essa recente introdução da espécie A. palmeri em áreas agrícolas brasileiras pode promover significativas alterações no manejo de plantas daninhas, sobretudo em áreas de plantio direto e de cultivo de culturas resistentes a herbicidas de ação total. Ele alerta que, se o agricultor desconfiar da presença dessa planta daninha em sua propriedade, deve se dirigir aos órgãos de defesa vegetal do Estado, que tomará as precauções cabíveis para a contenção e eliminação do foco.

Em relação aos prejuízos que a planta daninha pode causar, o especialista afirma que existem algumas bastante agressivas. “Em altas infestações, a grande quantidade de plantas daninhas por unidade de área pode levar a perdas de até 100% da produtividade de grãos, pois elas concorrerão diretamente pela água, luz e nutrientes com a cultura principal, levando à inviabilidade de colheita”, explica. Outras plantas daninhas podem ocorrer em menor quantidade e dificultar a colheita, por exemplo, a corda de viola (Ipomoea sp.). Dessa forma, existe um custo operacional maior no momento da colheita.

Outro prejuízo ocorre quando a lavoura de feijão é destinada ao cultivo de sementes. A produção dessa lavoura pode ser condenada se tivera presença de semente de daninhas que sejam consideradas nocivas e proibidas, de acordo com a legislação vigente. Assim, uma única planta pode causar um prejuízo total de acordo com a finalidade.





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