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14/04/2016

Exclusivo: Relatório de fechamento Milho Safrinha

Do campo para o campo: agradecemos sua participação em nossa pesquisa e aproveitamos para dividir o resultado do nosso estudo sobre milho de segunda safra 2015. Boa leitura!

Exclusivo: Relatório de fechamento Milho Safrinha

A segunda safra de milho no Brasil deixou de ser uma cultura secundária. Nos últimos seis anos, a área cultivada de milho safrinha praticamente dobrou, seguindo uma taxa de crescimento anual de 12%. Para o ciclo 2015/16, o consultor Carlos Cogo estima que a área plantada chegue a 10,3 milhões de hectares. Assim, a produção de milho do Brasil, tradicionalmente destinada ao mercado interno, passou a ser exportada em maior volume.

Os preços do milho na Bolsa de Chicago continuam em alta para fechamento de contratos futuros. Desde o ano passado, os estoques finais do produto vêm diminuindo pelo aumento da demanda e menor oferta do produto, fatores que exercem pressão sobre os preços. Contudo, esse cenário não deve ser mantido a longo prazo, visto que a área plantada de milho aumentou 6% em relação ao ano anterior de acordo com o relatório do USDA. Ainda, a indústria de carnes já deu indícios de que não consegue sustentar esse patamar de preços: nos últimos 12 meses, o custo de produção de suínos aumentou 26%, mas o preço pago ao produtor subiu apenas 7% segundo a Embrapa.

O painel AMIS Milho Safrinha 2015 retratou esse aumento de importância da segunda safra. Segundo o estudo, a área plantada aumentou 18% frente ao ano anterior (2014). Mato Grosso e Paraná representam quase 60% da área, e o acréscimo médio foi de 15%. Do total da área, cerca de 14% foi cultivado com híbridos sem qualquer evento de transgenia, quase 40% de aumento em relação à safra de 2013, o que indica a efetividade das campanhas de estímulo ao plantio de refúgio.

Com relação aos eventos de transgenia, é notável a evolução de híbridos com resistência a herbicidas. Na safra 2013, híbridos resistentes a herbicidas representavam 20% da área, enquanto no ano passado, esse indicador foi de 43%. Isso impactou diretamente na venda de herbicidas não-seletivos aplicados em pós-emergência da cultura, cuja área tratada quase duplicou. Contudo, os produtores ainda investem nos tradicionais herbicidas seletivos da cultura, visto que a adoção de uso destes produtos é de 90%, independentemente do tipo de híbrido cultivado.

Em linhas gerais, o gasto com herbicidas seletivos permaneceu constante em relação à safra 2014, haja vista que o custo por hectare continua na faixa de 57 reais. Já o custo de uma aplicação de glifosato em pós emergência aumento 17%, atingindo quase 35 reais por hectare. Apesar de uma queda generalizada dos preços dos produtos, da ordem de 10%, os produtores vêm aumentando sistematicamente a dose dos produtos aplicados, numa tentativa de controle de ervas resistentes. Em dessecação, o custo da aplicação aumentou 24%, mostrando que os produtores vêm investindo cada vez mais no manejo de ervas invasoras no pré-plantio como estratégia para eliminar o efeito nocivo da mato-competição.

Já a área plantada com híbridos de tecnologia Bt aumentou 19%, representando 84% da área total cultivada de milho safrinha. Isso afetou diretamente o uso de lagarticidas, cuja adoção em área caiu de 70% no ciclo anterior para 62% da área em 2015. Embora tanto o preço quanto a dose dos principais produtos utilizados para controle de lagarta tenham permanecido praticamente inalterados, o custo por hectare aumentou 30% (de 53 para 69 reais por hectare), sobretudo pelo aumento do número de aplicações. Isso evidencia a ineficiência de algumas proteínas no controle de lagartas, além da maior preocupação com lagartas de difícil controle, como Helicoverpa armigera e falsa-medideira.

Por outro lado, é importante ressaltar o aumento de importância de insetos sugadores, cuja área tratada aumentou 65% na safra de 2015. Como ainda não há disponível no mercado evento transgênico para controle de percevejos, e a migração destes da cultura de verão da área (predominantemente soja), o manejo químico é a opção mais viável. O custo de uma aplicação subiu de 22 para 26 reais por hectare, mesmo com ligeira diminuição do preço dos produtos utilizados (cerca de 13%) e aumento da dose utilizada (aproximadamente 9%). Isso porque os produtores estão fazendo mais aplicações contra insetos sugadores e com mais produtos misturados no tanque: 11% da superfície tratada mistura dois produtos e 96% da área faz duas aplicações para percevejo.

Com a redução do controle de lagarta via foliar, o apelo tem sido grande para uso de lagarticidas em tratamento de semente. Praticamente toda área plantada de milho safrinha recebe semente quimicamente tratada, que em 60% da área o produtor utilizou semente já comprada tratada, seja pela indústria ou pelo canal. Assim, para garantir o estabelecimento inicial da lavoura, os produtores vêm investindo mais no TS, uma vez que o custo por hectare aumentou 16%. Com a redução do preço do preço pago na semente, mesmo que de apenas 5%, o produtor teve uma brecha para melhor alocar seus custos de produção.

Por fim, vale ressaltar o aumento do uso de fungicidas em milho safrinha. Enquanto na safra de 2011 cerca de 50% da área plantada efetuava ao menos uma aplicação de fungicida, no ciclo de 2015 esse índice chegou a 86% da área. Tanto o preço quanto a dose dos principais produtos utilizados não sofreram grandes alterações, contudo o número de aplicações aumentou 11%, de forma que em 2015, praticamente metade da área cultivada de milho safrinha já fazia duas aplicações de fungicidas. O controle de ferrugem continua sendo o principal driver, mas a área tratada de Fosferia mais do que dobrou, de forma a ultrapassar a Cercospora em termos de importância de controle.

Sendo assim, fica evidente que, apesar de ainda ser uma cultura de risco em virtude do fator climático, os produtores de milho safrinha tem aumentado o investimento em defensivos. Entre 2006 e 2012, o custo por hectare levantado pelo AMIS em safrinha era, em média, 12% inferior ao praticado no milho verão. A partir de 2013, a diferença entre as duas safras em termos de uso de agroquímicos é praticamente nula, visto a importância que o Brasil começou a ter no mercado internacional de milho. Assim, o milho de segunda safra se tornou uma opção viável, e rentável, para otimização do uso da terra e melhoria da renda anual dos produtores.

 

Fonte: painel AMIS CPP milho safrinha 2015 – Kleffmann Group

 

 

 





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