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26/02/2016

Cresce mercado brasileiro de defensivos, indica pesquisa da Kleffmann

Dados do último painel global mostram que aumento da área de soja e pressão de lagartas impulsionaram vendas

Com mais de 15,6 mil entrevistas realizadas com produtores no Brasil abrangendo 24 culturas e 94% da área cultivada, a pesquisa painel amis®AgriGlobe®, da Kleffmann, apontou expansão do mercado de defensivos entre 5% e 10% na safra 2013/14 em relação à safra 2012/13, quando atingiu US$ 8,83 bilhões. O resultado reforça a tendência de crescimento das últimas cinco safras.

Embora o Brasil tenha a quarta maior área cultivada no mundo, depois da Índia, China e Estados Unidos, o país assumiu, em 2011, a posição de principal mercado de defensivos. Na América Latina,  Brasil e Argentina representam mais de 70% do mercado de agroquímicos, segundo William Marcel de Abreu, que integra a Divisão AgriGlobe® Kleffmann como analista de Suporte de Dados e é responsável pelas análises relativas ao setor latino-americano.

A expansão observada na pesquisa da Kleffmann, que acaba de ser divulgada, foi impulsionada principalmente pela soja, que contribuiu com mais de 40% do mercado brasileiro de defensivos. O aumento da área plantada, ao lado de outros fatores-chave, como a pressão da Helicoverpa e outras lagartas, elevou os custos de produção devido à alta demanda por lagarticidas premium (como as diamidas Prêmio, Belt e Ampligo – marcas comerciais).
 
As quatro principais culturas do país contribuíram com mais de 60% do mercado de defensivos. O algodão, por exemplo, registrou expansão de área de 30% entre 2013 e 2014 e, exponencialmente, do uso de agroquímicos, em razão do uso intensivo nessa cultura. Embora o setor sucroalcooleiro esteja passando por um momento difícil em relação à rentabilidade, a proibição das queimadas para colheita elevou os custos dos produtores com a defesa dos canaviais, com herbicidas, inseticidas, além de fungicidas que, pela primeira vez, começam a ganhar importância no setor.

Nos segmentos analisados pela pesquisa em 2014, os inseticidas mostraram crescimento superior a 10%, em relação a 2013, em razão do aumento da pressão de pragas como a Chrysodeixis (Pseudoplusia includens), conhecida como lagarta-falsa-medideira, e Helicoverpa spp. O mercado total de inseticidas é de aproximadamente US$ 4 bilhões. 

Com mais de 30% de participação, os herbicidas constituíram o segundo principal segmento no mercado brasileiro. A presença de Bidens pilosa (picão-preto), Digitaria horizontalis (capim-colchão) e Conyza spp. (Buva) foram responsáveis pelo crescimento do segmento em 2014. O principal ingrediente ativo em 2014 foi o herbicida glifosato, com mais de 10% do mercado.

As misturas prontas de estrobilurinas representaram a maior fatia do mercado de fungicidas, comandando o crescimento do setor.

Em 2014 as seis principais empresas multinacionais (Syngenta, Bayer, BASF, Monsanto, Dow AgroSciences e DuPont) somaram 70% do mercado total. Para 2015, a previsão é de que o mercado de herbicidas seletivos apresente declínio, beneficiando o de glifosato. A expectativa também é do crescimento de diamidas devido à perda de eficiência na primeira geração do milho Bt. Já a introdução de Intacta mostrará seus impactos sobre o mercado de agroquímicos para soja nos próximos anos. 

Mercado argentino

Já na Argentina, o mercado de defensivos soma cerca de US $ 2,5 bilhões, dos quais 65% são de herbicidas. Em 2014, dos 33 milhões de hectares que receberam culturas intensivas, a soja esteve em 60% da área.

Na última década, os agricultores argentinos quase triplicaram o investimento no manejo de plantas daninhas na soja, saindo de US$ 20 por hectare no ano-safra de 2005, para US$ 60 por hectare no ano-safra de 2014. O aumento de custos é explicado por quatro fatores: preços dos produtos, ajustes de dose, número de tratamentos por hectare e variações na qualidade geral da paleta de herbicidas. Dos quatro, apenas os preços são externos ao agricultor. Os três restantes são mudanças na forma de gerir problemas com ervas daninhas e eles representam 70% do incremento nos custos.

O uso precoce e generalizado de biotecnologia está custando aos agricultores uma média de US$ 28 por hectare por ano, totalizando mais de meio bilhão de dólares por ano.


Fonte: Revista KLFF - 11ª Ed.




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