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08/01/2016

Cooperativa adota boas práticas e retoma área plantada em Minas Gerais

Pequenos produtores se organizam e, com base nas diretrizes do programa de algodão sustentável, voltam a gerar emprego e renda

A agricultura familiar na região Norte de Minas quebrou paradigmas e adotou boas práticas agrícolas. Pequenos produtores se uniram por meio de cooperativa e transformaram uma cultura desacreditada em rentável e geradora de empregos. “Antes, vendíamos tudo e não sobrava quase nada. Agora, vendemos a pluma e os caroços podem ficar para alimentar o gado”, diz Adelino Lopes Martins, um dos primeiros produtores a fazer parte da Coopercat (Cooperativa dos Produtores de Algodão de Catuti). Hoje ele planta 28 hectares de algodão e possui 16 cabeças entre gado de corte e leite.

Os preços pagos pelo produto também foram uma conquista dos produtores mineiros de Catuti. Ao negociar por meio da cooperativa, conseguem maior valor do produto e também redução no custo de produção. “Além de conseguirmos negociar valores com fertilizantes, maquinários e tratores, ainda temos assistência técnica. Isso tudo ajuda muito. Antes trabalhávamos muito e praticamente ficávamos sem lucro”, conta Martins. 

O ganho salta aos olhos, sem dúvida. De acordo com Hermínio Ueklei Silva, produtor e responsável pela operação da miniusina da Coopercat, antes a venda era direta para os usineiros de Guanambi (BA). “Vendíamos algodão em caroço e o valor pago era de R$ 15,50 a arroba. Hoje, com o algodão beneficiado, vendemos o algodão sem caroço a R$ 25 por arroba e ainda ficamos com o caroço”, afirma.

O custo com fertilizante fica cerca de 20% mais barato quando negociado por meio da cooperativa, segundo Silva, devido ao maior volume. O aproveitamento do caroço reduz em até 40% o custo com alimento do gado. Silva planta 24 hectares de algodão e conta com 30 cabeças entre gado de corte e leiteiro. A cultura do algodão ganha mais eficiência com a doação de um maquinário de beneficiamento da SLC Agrícola. “É a nossa chance de crescer com sustentabilidade e competitividade”, acrescenta José Tibúrcio de Carvalho Filho, técnico agrícola da Coopercat.

Com o dobro de produtores associados, a cooperativa conta com uma produtividade média em torno de 100 arrobas por hectare e, quando o clima ajuda, chega a até 200 arrobas por hectare. “A produção total é de 50 mil arrobas. A usina atende a todos e ainda beneficia de outros produtores da região”, diz José Rodrigues de Souza, presidente da Coopercat. Hoje são 60 produtores diretos envolvidos na cooperativa.

Segundo Carvalho Filho, técnico agrícola da Coopercat, 2012 foi um marco na agricultura familiar na região, em especial no “Projeto Retomada do Algodão no Norte de Minas”. O licenciamento pelo programa Better Cotton Initiative (BCI) trouxe grandes desafios para enquadrar o sistema de produção já existente na região à realidade preconizada pelo programa BCI. “É possível até afirmar que houve realmente uma quebra de paradigma, sobretudo no que diz respeito à condução das práticas agrícolas pré-existentes”, diz. 

O objetivo com a adesão ao BCI foi adaptar-se às exigências do programa, que pretende melhorar a subsistência e desenvolvimento econômico nas áreas cotonicultoras e reduzir o impacto ambiental do algodão. O programa envolve agricultores que participam de um ciclo contínuo de aprendizagem e melhorias, sendo o mecanismo central para avaliar se os agricultores podem cultivar e vender Better Cotton.

Carvalho Filho explica que as práticas culturais prejudiciais como a utilização de água em excesso, diminuição da fertilidade do solo e práticas de manejo da lavoura pouco recomendadas à saúde do trabalhador representavam ameaças à sustentabilidade da cadeia do algodão. A implantação do programa BCI teve como finalidade demonstrar os benefícios inerentes de uma produção de Better Cotton, especialmente para a lucratividade dos produtores.

O programa permitiu também melhorar as práticas de uso de água e defensivos na saúde das pessoas e no meio ambiente, melhorar a saúde do solo e a biodiversidade do ambiente, promover as relações justas de trabalho para comunidades agrícolas e trabalhadores de culturas de algodão, além de facilitar a troca de conhecimento global em produções algodoeiras mais sustentáveis, aumentando a rastreabilidade ao longo da cadeia de fornecimento de algodão.

Conforme Carvalho Filho, um aspecto importante em relação à adesão ao programa foi a implementação de um novo método de plantio, caracterizado por plantio semiadensado. Nesse método, aumentamos a população de plantas por hectare. “Essa experiência permitiu vislumbrar os principais benefícios de sua implementação que justificam sua manutenção, como a redução dos custos relacionados à operação, manutenção e transporte de maquinário para lavoura. Para aplicação desse método é fundamental a realização de um bom preparo do solo”.

Outro ganho com as boas práticas para a certificação do BCI foi a mudança de postura de trabalho em relação aos aspectos de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SMS). Para isso, foram realizados treinamentos com os produtores e trabalhadores da lavoura, que tiveram início antes do começo do plantio, para que os trabalhadores aplicassem os conhecimentos na própria safra. Segundo Carvalho Filho, a disponibilização e utilização de EPIs (Equipamento de Proteção Individual) para o manejo das lavouras é obrigatório.

“Foram realizados treinamentos enfatizando a necessidade de utilização, no intuito de conscientizar os trabalhadores da importância deste item e destacando os malefícios ocasionados pela não utilização dos equipamentos”, afirma.

Já na safra 2012/13, quando foram implantadas as boas práticas, houve uma redução em torno de 40% do consumo de água devido à utilização de pontas de pulverização com indução de ar. A mudança das pontas de pulverização, além de provocar a redução do consumo de água, é mais eficiente e também minimiza os impactos sob fatores ambientais como solo, recursos hídricos e a microfauna, em função da diminuição do volume de defensivo agrícola em contato com os fatores ambientais.

Doação beneficia pequenos produtores

Pela primeira vez, a SLC Agrícola, empresa produtora de commodities agrícolas focada na produção de algodão, soja e milho - com previsão de área plantada para safra 2014/15 de 370,1 mil hectares - fez a doação de uma máquina algodoeira para uma comunidade produtora da commodity. Trata-se uma máquina composta por 5 descaroçadores de algodão com capacidade de beneficiar até 170 fardos de 200 kg de pluma por dia de trabalho.

De acordo com Aurélio Pavinato, diretor presidente da SLC Agrícola, para a doação foram seguidos os critérios e diretrizes da política integrada de gestão, também para atender a uma demanda pontual da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão). “Temos convicção que ações como essa irão agregar melhorias nas condições de trabalho para a cooperativa com muito mais segurança, qualidade de vida e fundamentalmente melhoria direta na qualidade do algodão da comunidade de Catuti.”

Pavinato explica que a região é composta por pequenos produtores de algodão do Norte de Minas que perderam a algodoeira própria em razão de um incêndio. Eles apresentaram um excelente projeto de produção organizado em sistema de cooperativa e necessitavam da reconstrução da algodoeira.

O executivo conta que em reunião da ABRAPA, a AMIPA (Associação Mineira de Produtores de Algodão) manifestou a necessidade da SLC apoiar os pequenos produtores do Norte de Minas para a reconstrução dessa algodoeira. “Como estávamos substituindo a algodoeira da Fazenda Parnaíba (MA) por uma máquina nova de maior capacidade, nos dispusemos a fazer essa doação”, diz. 

A SLC Agrícola possui uma política integrada de Gestão que atende a NBR 16001 (Responsabilidade Social), ISO 14001 (Gestão Ambiental) e a OHSAS 18001 (Segurança e Saúde Ocupacional).

“Para a responsabilidade Social Empresarial seguimos as diretrizes macro que são: promover a ética e o desenvolvimento sustentável através do envolvimento das partes interessadas, da tolerância em relação a posições divergentes, da atuação não discriminatória, do pagamento de uma remuneração justa e combate ao trabalho forçado e infantil onde atuamos”, explica Pavinato.

Por meio de funcionários voluntários GAS (Grupo de Ação Socioambiental), a SLC desenvolve diversos projetos e ações sociais em todas as unidades, atingindo milhares de pessoas junto a comunidades.


Fonte: Revista KLFF - 11ª Ed.




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