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20/01/2017

Clima desfavorável derruba produtividade da segunda safra

A chuva de outono foi interrompida mais cedo que o observado nas últimas cinco safras. E isso levou a uma das piores temporadas dos últimos dez anos.

Clima desfavorável derruba produtividade da segunda safra

Após sucessivos recordes na produção do milho segunda safra, a temporada 2015/16 foi fortemente prejudicada pelo clima e marcada por uma das piores produtividades dos últimos 10 anos. A análise é do relatório trimestral de custos de produção realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Durante a safra verão, o El Niño foi registrado do Sul ao norte do Brasil, provocando condições climáticas adversas, como excesso de chuva no Paraná e Mato Grosso do Sul, falta de chuvas nas principais regiões produtoras do Nordeste e Norte e precipitações irregulares em Goiás
e em Mato Grosso. A chuva de outono foi interrompida mais cedo que o observado nas últimas cinco safras – muitos produtores reportaram que não houve registro de chuva a partir do fim de março. 

Conforme o relatório do Cepea, em Mato Grosso e Goiás, o semeio da soja foi retardado por falta de chuvas regulares no final do quarto trimestre de 2015, o que, por sua vez, atrasou a introdução do milho dentro da janela ideal de produção na safra 2015/16. Assim, muitos produtores estenderam o plantio do milho até março, sofrendo perdas com o fim das chuvas a partir de abril, o que prejudicou o desenvolvimento das lavouras. 

Em Mato Grosso, as perdas produtivas foram maiores nas regiões de Querência e Primavera, sendo que, na primeira, a produtividade foi de apenas 25 sc/ha, com perdas de 70% sobre a expectativa  inicial, e na segunda região, o rendimento foi de 50 sc/ha, com diminuição de 57%. Em Sorriso, a produtividade final ficou em 80 sc/ha e, apesar de não ser tão baixa, ainda representou quebra de 20% sobre o investimento esperado. Em Goiás, as reduções ficaram próximas a 37%, com produtividades finais variando entre 60 e 75 sc/ha.

O relatório avalia ainda que nas regiões paranaenses de Cascavel e de londrina e nas sul-mato-grossenses de Dourados e Naviraí, o milho segunda safra sofreu com  excesso de chuva durante o período do semeio, com muitas  lavouras  sendo  semeadas fora da janela ideal de produção.  Em  seguida, as lavouras de milho foram prejudicadas pela forte seca em abril, o que prejudicou a florada e o enchimento do  grão. outro problema climático apontado foi a geada em junho, que danificou as lavouras semeadas fora da janela ideal.

Em julho, fortes ventos  e granizos ocorreram nas regiões paranaenses, resultando em lavouras acamadas. 

No Paraná, o clima castigou muito mais as lavouras de Londrina do que as de Cascavel. Na primeira, a produtividade fechou em 50 sc/ha, quebra de 50% sobre o esperado. Já em Cascavel, a produtividade fechou em 90 sc/ha, redução de 25% sobre a expectativa, sendo que as lavouras  mais afetadas foram as tardias. Em Mato Grosso do Sul, as produtividades fecharam entre 50 e 55 sc/ha, o que representou perda em torno de 55% sobre o planejamento inicial. 

 

 

Nas regiões de Balsas, o clima seco desestimulou o plantio do milho 2ª safra, reduzindo a área plantada. Além disso, houve corte em adubação devido à baixa expectativa. No Maranhão, o clima seco resultou em quebra de 60%, com produtividade final de apenas 30 sc/ha. 

Com relação aos custos para o milho 2ª safra, as perdas de produtividade afetaram de forma significativa o resultado financeiro do produtor. Para avaliar a situação, foram considerados os dados obtidos em Painel no Projeto Campo Futuro, feito pelo Cepea em parceria com a CNA, onde foram estabelecidas propriedades típicas regionais e seus respectivos resultados para a 2ª safra do milho GM. Apenas Cascavel (PR) e Balsas (MA) conseguiram cobrir o Custo Operacional Efetivo (COE) com a produtividade obtida na safra. 

Cascavel (PR) conseguiu uma produtividade próxima à esperada em um cenário de preço alto, o que ajudou a remunerar o COE de forma  satisfatória. Já Balsas (MA) conseguiu resultado pelo baixo investimento realizado na safra e também pelo preço de venda favorável. O pior resultado foi verificado para Querência (MT), onde a propriedade típica da região produziu 25 sc/ ha e a produtividade de nivelamento para  cobrir o COE foi de 88 sc/ha, ou seja, um prejuízo  de 63 sc/ha sobre o COE.

 





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