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26/03/2018

Citricultura: Adjuvantes têm alta demanda nas lavouras do País

Produto,porém, nem sempre é utilizado adequadamente pelo agricultor em seus pomares

Citricultura: Adjuvantes têm alta demanda nas lavouras do País

Os adjuvantes agrícolas são cada vez mais usados na citricultura brasileira com o objetivo de aumentar a eficácia dos defensivos aplicados ou modificar algumas propriedades da solução. Mas, diante da variedade de produtos de inúmeros fabricantes nacionais e internacionais, nem sempre o produtor sabe qual a melhor opção disponível no mercado. E, muitas vezes, não obtém todo o potencial dessas ferramentas agrícolas em sua produção porque não tem a orientação de um especialista para fazer a mistura corretamente.

O consultor em citros Humberto Vinicius Vescove e professor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Araraquara (UNIARA) presta serviços há mais de 15 anos para um grupo que produz laranjas no estado de São Paulo em uma área da ordem de 4 mil hectares. Em cooperação com o grupo produtor, Vescove é responsável pelos testes com adjuvantes para obter o melhor resultado no uso de defensivos aplicados nas plantações de laranjas dessas propriedades.

“Antes de adotar um novo adjuvante, recomendo testes de experimentação para conhecer os resultados do produto, desde que sejam de origem idônea". Os adjuvantes podem ter várias características em um mesmo produto, como um efeito espalhante, adesivo, umectante, antiespuma entre outros. De um modo geral uma função vai se sobressair entre as demais. Assim, já testamos vários tipos de adjuvantes, de fabricantes diversos, e adotamos aqueles que ajudam no controle de pragas, doenças e ervas daninhas. No momento, usamos o óleo em mistura com fungicidas para o controle da pinta preta, que não deixa de ser adjuvante e, em determinada época, outros produtos siliconados ou resinados para melhorar a qualidade da calda”, observa Vescove.

Segundo ele, um dos adjuvantes utilizados nas propriedades do grupo durante a pulverização padroniza o tamanho da gota e molha mais área da folha da planta, garantindo maior eficiência do inseticida. “Quando temos necessidade de usar adjuvantes, fazemos cotação de três ou quatro produtos que consideramos eficientes hoje no mercado em busca do melhor preço com qualidade. Se surge um novo com preço melhor que os anteriores, fazemos testes antes de aplicar, para ver se melhora o resultado no campo.”

Seleção correta

Hamilton Humberto Ramos, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, diz que um bom adjuvante pode ser uma importante ferramenta para a qualidade da aplicação de defensivos, ajudando a reduzir a deriva, aumentando o espalhamento de calda sobre a planta e reduzindo a velocidade de evaporação da água, entre outros benefícios. “No entanto, são produtos específicos, cuja eficácia depende de fatores como a natureza e a qualidade de seus componentes. Não existe um adjuvante bom para tudo. Por isso, é importante entender o problema e o que se espera do adjuvante, a fim de fazer uma seleção correta para elevar a eficácia da aplicação do produto ou reduzir os custos no tratamento fitossanitário”, explica.

De acordo com o pesquisador, diante da diversidade de produtos oferecidos hoje no mercado interno, fazer a melhor escolha de um adjuvante pode ser um problema para a maioria dos citricultores. “Por enquanto, não há como fazer a melhor escolha, uma vez que nenhum ensaio é exigido e, pior, não existem ensaios normatizados para avaliar a qualidade de adjuvantes. É por isso que o Centro de Engenharia e Automação (CEA) do IAC busca desenvolver métodos que permitam a classificação de adjuvantes por suas características funcionais, há mais de 15 anos. Analisamos cada uma das funcionalidades de forma independente, os pontos fortes e fracos de cada um, como forma de levar informação de qualidade ao produtor rural. Vários métodos de avaliação já foram desenvolvidos e validados, como métodos para análise de tensão superficial, espalhamento sobre superfícies vegetais, velocidade de evaporação, interferência na deriva e agora estamos finalizando o método para análise do efeito adesivo, ou seja, resistência à lavagem pela chuva ou irrigação. Esses resultados têm sido passados a fabricantes e aos produtores/trabalhadores para que entendam a importância de se conhecer e utilizar corretamente tais funcionalidades.”

Conceitos do uso correto de adjuvantes são transmitidos por meio de dois projetos coordenados pelo CEA/IAC: o Aplique Bem, uma parceria entre o IAC e a empresa Arysta LifeScience, que em 10 anos já treinou mais de 60 mil trabalhadores/agricultores no Brasil, e a Unidade de Referência em Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agrotóxicos, destinada a fornecer treinamento técnico a agentes multiplicadores, que depois treinam técnicos, agricultores, professores universitários, agentes de extensão rural, técnicos de agroindústrias e profissionais de revendas.

Além disso, lembra Ramos, muitos dos adjuvantes são comercializados no Brasil como fertilizantes foliares porque o Ministério da Agricultura (MAPA), responsável pelo registro de agrotóxicos no País, não os considera como agrotóxico ou afim. “Como não existe uma legislação para registro de adjuvantes, não precisam ser registrados, o que é outro problema.”

Ele afirma que o critério preço baixo ainda é o mais buscado atualmente pelo produtor brasileiro para a compra de adjuvantes, justamente pelo desconhecimento dos aspectos de qualidade. “Muito trabalho tem sido feito na citricultura, principalmente para reduzir o custo das aplicações ou elevar o período de controle, uma vez que a necessidade de pulverizações se elevou muito. E é muito alta a atual demanda por adjuvantes na citricultura, por serem importantes ferramentas da redução do número de pulverizações, aumento da eficácia ou redução no volume de calda aplicado.”

O pesquisador ressalta que, como auxiliar da ação do produto ou do processo de pulverização, o uso do adjuvante não é sempre necessário. “Assim, dependendo da situação, seu uso não é recomendado. Um exemplo disso é a utilização de espalhantes em pulverizações acima do ponto de escorrimento, como regularmente acontece em citros. Nesse caso, um espalhante irá aumentar o escorrimento, reduzindo a quantidade de produto na planta e reduzindo o controle. Por outro lado, na mesma cultura e condição de desenvolvimento, quando se trabalha abaixo do ponto de escorrimento, o efeito espalhante pode ser extremamente importante na elevação da cobertura e, portanto, na maior eficácia do produto aplicado.”

Para Ramos, em geral, os produtores seguem as orientações dos técnicos para fazer as misturas dos adjuvantes à calda de pulverização, mas fazem isso sozinhos. “E, muitas vezes, nem os técnicos possuem os conhecimentos necessários sobre as potencialidades, pois há formas diferentes de fazer a mistura, dependendo do resultado que se pretende alcançar. Se não for feito da forma correta, não se tem 100% de aproveitamento do produto.”

Mercado competitivo

Levantamento do Painel Amis® sobre o mercado interno de defensivos agrícolas para citricultura – que abrange as propriedades de fornecedores da fruta, mas não as áreas das agroindústrias – realizado pela empresa Kleffmann Group aponta que, nos últimos três anos, houve um crescimento de 32% no mercado de adjuvantes, que saltou de US$ 24,72 para US$ 32,61 milhões. O mercado de adjuvantes representa hoje uma fatia aproximada de 12% do mercado total de defensivos utilizados na citricultura, cujo faturamento foi de US$ 263,51 milhões em 2017, valor 24% superior a 2015.

Os dados Amis® ainda apontam o aumento do número de empresas competidoras nesse mercado, passando de 44 para 47, o que demonstra a pulverização e a competitividade nesse importante segmento para a cultura. O Estado de São Paulo, principal região citrícola do país, detém o maior mercado adjuvante, que se mostrou estável nos últimos anos em faturamento. Os Estados da Bahia, Sergipe, Minas Gerais e Paraná são regiões em crescimento para o mercado de adjuvantes. Isso se justifica pelo aumento da incidência de pragas, como o psilídeo (D. citri) no eixo sul e a mosca negra (A. woglumi) no eixo norte, aumentando assim a periodicidade de aplicações de inseticidas e, consequentemente, a necessidade de melhora da qualidade da calda de aplicação com os produtos adjuvantes.

Lonza Agro Ingredientes

Líder mundial em controle microbiológico, presente em mais de 32 países, a Lonza atua no Brasil com duas fábricas, sendo uma em Igarassú (PE) e uma localizada em Salto (SP), onde produz dois adjuvantes para o mercado de citros: o Celenco AG+, que melhora o desempenho de fungicidas e bactericidas, e o Celenco pH Agro, que estabiliza o pH da calda de pulverização e estabiliza moléculas no tanque de pulverização.

Glayce Lopes Borges, supervisora de Desenvolvimento de Mercado, e Leandro Scaranello, marketing técnico de Agro Ingredients da Lonza, explicam que a empresa reúne dados de pesquisas do mercado agrícola brasileiro que permitem apontar que, em média, quando o produtor utiliza o adjuvante da Lonza associado ao fungicida, consegue uma melhora da eficácia de controle de algumas doenças em mais de 10%, o que contribui para o aumento de 5% de produtividade no pomar. “Quando o assunto é controle de bactérias, esse número aumenta muito, um incremento final que pode chegar até 20% a mais em produtividade, se compararmos aos produtos disponíveis hoje no mercado, que apresentam baixa eficácia devido à falta de registros para esse fim”, dizem.

Eles ressaltam que o mercado de adjuvante é muito complexo, possui diversas opções e isso confunde o produtor. “O mercado de adjuvantes é um dos mais concorridos, se não o mais concorrido, dentre todos os segmentos do agro. Estimamos que existam cerca de 400 empresas atuando nesse segmento no Brasil. Na área de citros não é diferente. Para fazer a melhor escolha diante da diversidade de produtos, o produtor precisa, primeiramente, entender seu pomar ou sua fazenda como sendo uma empresa. Assim, verá que necessita de soluções eficazes para seu lucro ser maximizado. A partir daí, deve optar pelos produtos que possam lhe garantir isso. No entanto, o critério preço ainda é o mais buscado atualmente pelo produtor brasileiro e isso se aplica não apenas ao mercado de adjuvantes, mas a todo o setor. É onde o erro do custo-benefício acontece.”

Além disso, muitas vezes, o agricultor utiliza os produtos disponíveis de forma incorreta. “Por isso, investimos fortemente em capacitação de nosso time de campo, para que oriente da melhor maneira nossos clientes. Hoje, a venda dos produtos da Lonza é feita pelas revendas agrícolas e, no caso de grandes clientes, por meio de um atendimento direto, com uma nossa equipe técnica apta a atender desde o campo até o packing house. Calculamos que o estado de São Paulo, em razão de sua importância na produção citrícola do país, responda hoje por 80% das nossas vendas no segmento de citros.” 

Para o segmento de adjuvantes especiais, a Lonza percebe um aumento na demanda interna desses produtos destinados especificamente à citricultura. “A dinâmica do controle de doenças sofre mudanças constantes, seja pela resistência que o patógeno adquire ou pela legislação, e o produtor precisa ter ferramentas diversas para auxiliá-lo a se adequar a essas mudanças e obter lucro. Nos próximos anos, a tendência é lançar produtos mais eficazes e que agridam cada vez menos o ambiente,” ressaltam. 

Retranca:

Fatores climáticos beneficiam safra 2016/17

O Painel AMIS 2017 Citros da Kleffmann mostra que a citricultura nacional retomou, em 2017, a produtividade e os bons preços. A pesquisa traz os dados da safra levantados junto aos fornecedores de laranjas, tangerinas, limas e limões.

Apesar da tendência de queda na área total ter se confirmado, ficando 8,2% menor que a registrada no último painel AMIS (realizado na safra 14/15), o clima extremamente favorável na época de enchimento garantiu frutos maiores, mais pesados e em maior quantidade por pé, em relação à safra do ano passado.

Fatores climáticos internacionais também favoreceram os produtores brasileiros, visto que a quebra de produção na Flórida foi maior do que a esperada. Na média, o preço pago por caixa foi 40% maior do que no último levantamento, animando os produtores que há muito andavam sofrendo com os preços pagos pela caixa da fruta. Com relação às doenças, pode-se verificar o retorno do cancro cítrico como uma das principais aflições dos pomares, com um comportamento bastante agressivo e provocando graves consequências por conta de sua disseminação.

A ação da bactéria Xanthomonas citri subsp. citri foi impulsionada pelo clima úmido e quente, favorável ao enchimento do fruto, mas também à proliferação da doença. Com isso, o controle, que consiste na erradicação do pé e aplicação de cobre nas árvores do entorno, contribui para a elevação no número de entradas no pomar. Essa incidência, segundo produtores, assemelha-se aos patamares de 2012, quando a doença atingiu 1,39% das áreas de cultivo, conforme levantamento da Fundecitrus.

O rígido controle e as adequadas medidas de mitigação de risco ainda são o melhor caminho para o sucesso e a sanidade dos pomares.

Os custos com defensivos aumentaram 34,1% na comparação com o último painel e as entradas para aplicação e/ou instalação de produtos também foram maiores do que no levantamento da safra 14/15 – aumento de 84%. Isso se deve à instalação de armadilhas ser considerada como “aplicação” pelo estudo, e a troca constante no pomar fez com que o número de entradas se elevasse muito, em contraste com as demais culturas que só contam com aplicações de produtos em calda. Esse comportamento justifica-se pela queda de componentes da mistura nos tanques, da ordem de 11%, uma vez que, com a instalação de armadilhas, o controle de insetos vetores de doenças ou sugadores torna-se mais eficiente.

Apesar da alta pressão de pragas e doenças, o aumento da tecnificação e a melhora no preço pago por caixa fizeram com que os fornecedores de laranja, limas, limões e tangerinas tivessem um bom ano/safra.





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