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03/02/2017

Área plantada de soja avança sobre outras culturas

Gasto médio por hectare com agroquímico aumentou 26% na safra 2015/2016

Área plantada de soja avança sobre outras culturas

“Não está fácil para ninguém”. Frase muito comum em tempos de crise reflete a realidade no campo.  O custo de produção da soja, segundo relatório  AMIS  da  Kleffmann,  subiu 26% somente com agroquímicos na safra  2015/2016.  Isso  significa  que alguns produtores precisaram correr para produzir mais sem aumentar a área plantada. Por outro lado, outros optaram por avançar sobre outras culturas para priorizar a soja, que estava com preços mais atrativos. Além dos custos de produção, alguns ainda enfrentaram o clima adverso provocado pelo fenômeno El Niño - caso dos agricultores do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O estudo AMIS mostra que a área plantada aumentou 5%, o que representou, em valores absolutos, quase 1,5 milhão de hectares plantados com soja em comparação com a safra anterior. Dos estados abordados na pesquisa, apenas o Piauí apresentou redução na área de cultivo. Conforme a Kleffmann, a soja ganhou espaço sobre áreas de algodão, arroz, feijão e milho de primeira safra.

Embora a cotação internacional da saca de soja continue firme - mesmo com a divulgação dos bons resultados da safra americana - a rentabilidade dos sojicultores foi menor que a projetada inicialmente devido à queda de produtividade causada pelas condições climáticas. O fenômeno El Niño causou perdas consideráveis por excesso de chuva na região Sul e seca no Centro-oeste e Extremo Oeste Baiano.

Em relação aos impactos no mercado de defensivos, o estudo apontou que, enquanto na região  norte, que compreende o bioma Cerrado, a área potencialmente tratada com defensivos caiu 1%, no Sul a área cresceu 13%.

Conforme cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o gasto com inseticidas foi 37% maior na safra 2015/2016 se comparado com a anterior. O cálculo considera a compra dos insumos entre os meses de novembro/2015 e fevereiro/2016. Isso porque, além das preocupações com controle de lagartas e percevejos, produtores de soja de Mato Grosso e de Goiás enfrentaram também o aumento da incidência de mosca branca (Bemisia tabaci). O gasto com inseticidas para o controle específico da praga registrou aumento de 32% em Campo  novo do Parecis, 34% em Primavera do  leste  e 42% em Sorriso.

Os cálculos do Cepea/CNA apontam que, em Campo  novo do Parecis (MT), o produtor de soja que gastou em média R$ 385,02/ha com inseticidas na safra passada agora despende R$ 508,90/ha, aumento de 32%. Em Primavera do leste (MT), o gasto foi de R$ 391,78/ha na última safra para R$ 543,69/ha na atual, aumento de 39%.

Em Sorriso (MT), os gastos médios subiram de R$ 302,56/ha para R$377,73/ha, variando 25% de uma safra para a outra. Embora em Mato Grosso os insetos tenham sido um problema na safra anterior, as principais causas do aumento do gasto foram a valorização do dólar frente ao Real e a alta procura por inseticidas, que estavam escassos em algumas revendas.
Nesse cenário, os inseticidas se tornaram o segundo item de maior representatividade no custo operacional efetivo (COE), ficando atrás apenas dos gastos com fertilizantes e ultrapassando herbicidas e fungicidas.

No estudo da Kleffmann, a principal classe de produto impactada no custo de produção foi o fungicida, sobretudo para o controle de ferrugem asiática, que corresponde a 90% das vendas nesse segmento. Os sojicultores da região Sul aumentaram a superfície tratada e o número de aplicações contra Phakopsora pachyrhizi, o agente patógeno da ferrugem, considerando que houve aumento generalizado tanto da dosagem quanto do preço dos fungicidas. O clima quente e úmido ainda propiciou condições favoráveis para a disseminação na região Sul. Por isso, os produtores gastaram em média R$ 14,00 por hectare a mais em comparação com os sojicultores do Cerrado.

Em relação aos inseticidas, segundo segmento de produto mais importante no cultivo de soja, representando um quarto das vendas, a redução em faturamento já era esperada em virtude do avanço das variedades com biotecnologia Bt. A área cultivada com semente de soja Intacta mais que dobrou, alcançando quase 13 milhões de hectares. Dessa forma, a área tratada com lagarticidas reduziu 27% em comparação com a safra passada. Por outro lado, o controle de percevejos aumentou 28% em área, principalmente na  região sul: uma vez que a adoção de tratamento contra percevejos no Sul já está próxima à taxa do Cerrado, o registro foi de 88% versus 90%.

As vendas de herbicidas recuaram 20% devido à queda de preço do glifosato e da variação cambial do ano safra. Dentro deste segmento, somente os graminicidas apresentaram crescimento. Isto se deve ao fato do aumento da necessidade de controle do milho tiguera no norte do país, uma das principais regiões de expansão do milho safrinha. Paralelamente, o aumento de graminicidas também foi significativo no sul do país, região que vive um cenário de aumento de capim amargoso, resistente ao glifosato.

FUNDING
Conforme o estudo de Composição do funding do custeio da soja para safra 2015/16 em Mato Grosso, realizado pelo IMEA (Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária), o total de custeio no Mato Grosso para o ano agrícola de 2015 foi de R$16,16 bilhões, uma alta de 10% em relação à safra anterior. O custo da lavoura foi de R$1.756,13/hectare e uma área plantada de 9,2 milhões de hectares. 

De acordo com a análise do IMEA, “devido às dificuldades econômicas que se iniciaram no fim de 2014, os bancos restringiram a liberação do crédito, o que, além de diminuir sua participação no financiamento total de 4 pontos percentuais em 2015, implicou no atraso da comercialização de insumos, encarecendo os custos de produção da oleaginosa. As compras se iniciaram em março em 2015, período de grande liquidez do grão, o que explica o aumento da participação do capital próprio de 5 pontos percentuais no funding”.

“A grande diferença no funding total da safra 2015/16 veio por parte das multinacionais, que retornaram com mais força, diminuindo a participação das revendas, voltando a participar com dois dígitos, 17% do financiamento total através da venda direta. Isso devido ao mau momento financeiro de algumas revendas”, conclui o estudo do IMEA. O estudo AMIS, realizado pela Kleffman, aponta ainda que especialistas de mercado reportam a preocupação dos produtores sobre a disponibilidade de crédito para financiamento da produção. Embora a cultura esteja remunerando bem por conta dos preços praticados no mercado internacional, é sabido que a margem líquida vem diminuindo. O estudo AMIS revela que, na safra 2013/14, quase metade do volume dos defensivos aplicados na lavoura foi adquirida

via pagamento à vista. Desde então, o pagamento a prazo safra aumentou 17%, sendo hoje a principal forma de financiamento de defensivos. Isso condiz com dados divulgados pela Conab, que mostram maior aporte de recursos nos períodos de pré-plantio.





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