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15/02/2019 - Soja

Verão seco afeta safra de soja e deve causar impacto na balança comercial


A instabilidade do clima até o início de fevereiro já afeta a safra 2018/19, principalmente a produção de soja. Diante desse quadro, a balança comercial brasileira deve ser impactada.

“O Brasil vai colher e exportar menos soja, mas isso não vai implicar em alta do preço. O cenário deve impactar a balança comercial, já que também é esperado um crescimento das importações”, avalia o sócio-diretor da Macrosector Consultores, Fábio Silveira. 

Entre o final de dezembro e início de fevereiro, a ausência de chuvas afetou áreas produtoras importantes do País. “Nas lavouras de grãos, onde o ciclo é mais curto, essa estiagem teve impacto negativo. Há relatos de perdas maiores no Paraná e Mato Grosso do Sul e recuos pontuais em Minas Gerais, Tocantins e Bahia”, aponta o meteorologista da Somar Meteorologia, Celso Oliveira.

Nesta semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou safra de soja em 115,3 milhões de toneladas em 2018/19, recuo de 3,3% ante o ciclo anterior, que atingiu recorde histórico de 119,3 milhões de toneladas. Já a consultoria Agroconsult estimou safra de 116,5 milhões de toneladas.

A meteorologista do Climatempo, Graziella Gonçalves, explica que as chuvas tendem a voltar nas grandes áreas produtoras, principalmente no Centro-Oeste. “Serão chuvas mais bem distribuídas, que devem melhorar a umidade do solo, que baixou muito em janeiro”, esclarece.

Embora a seca não deva se repetir em fevereiro, a meteorologista afirma que o impacto da falta de chuvas em janeiro não pode ser recuperado. “Essa seca ocorreu em uma fase muito importante para o cultivo, do fim de dezembro até a primeira semana de fevereiro. A condição não foi tão boa quanto no ano passado.”

De acordo com os especialistas, em 2018, ocorreu o fenômeno atmosférico “La Niña”, em que as temperaturas do Oceano Pacífico ficam mais frias. “A safra recorde teve relação com a chuva. A La Niña favorece a entrada de umidade, mas também a continuidade da chuva, o que traz riscos para a lavoura. Mas no ano passado a condição foi favorável”, conta Graziella.

Ontem (14/02), a National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa), órgão para assuntos sobre meteorologia e clima do governo dos EUA, anunciou o início do “El Niño”. De acordo com a entidade, o fenômeno tende a ser mais fraco e com pouca influência sobre o clima. “A temperatura do Pacífico vinha subindo em ritmo lento, com a atmosfera não respondendo ao El Niño”, conta Oliveira.

Graziella explana que, embora o fenômeno não tenha grande intensidade, foi o suficiente para impactar as chuvas da América do Sul. “Só de aquecer o Pacífico já causa esse efeito, com a redução das chuvas desde o final de dezembro e bem abaixo da média ao longo de janeiro.”

Oliveira acredita que o padrão de verão com chuvas irregulares, observado nos últimos anos, pode ser um efeito também de um outro fenômeno, a Oscilação Decadal do Pacífico. “Por cerca de vinte anos, ocorrem períodos mais ou menos chuvosos entre janeiro e março. Não ocorre todos os anos, mas aumentou a frequência de meses mais secos no período.”

Superávit 
Silveira destaca que, apesar da expectativa de queda de exportações e aumento das importações, a balança comercial brasileira será positiva. “No ano passado, os embarques cresceram 10%, chegando a US$ 240 bilhões. Neste ano o avanço será menor, de cerca de 4%, fechando por volta de US$ 250 bilhões. Com a perspectiva de expansão da economia, as importações devem aumentar de US$ 181 bilhões para US$ 205 bilhões. Ainda resulta em um bom saldo, mas há uma perda de dinamismo”, assinala.

Por Ricardo Casarin
Fonte: DCI - http://tempuri.org/tempuri.html




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