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26/09/2018 - Pecuária

Vem aí a temporada de raios. Saiba como evitar o pior


A perda de animais em decorrência de descargas elétricas é um fato comum no meio rural. Praticamente todos nós conhecemos ao menos um caso de animais mortos embaixo de árvores, na beira de cercas ou mesmo dentro de currais atingidos por raios.

Para agravar o prejuízo, muitas vezes os produtores separam os lotes a serem enviados para o frigorífico e deixam em um piquete de fácil acesso. Por obra do destino, naquela noite cai uma chuva, os animais se reúnem e se abrigam embaixo de uma árvore ou em um canto de cerca, um raio cai, e todo o lucro de mais de dois anos de trabalho e investimento é perdido “em um lampejo”.

As descargas atmosféricas, popularmente conhecidas como raios, são fenômenos naturais com grande capacidade destrutiva. Um único raio pode ter uma carga elétrica que supere facilmente os 100.000 Ampères (A) e alguns milhões de Volts (V). Tudo isso com duração de menos de um segundo.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), caem anualmente no Brasil cerca de 57,8 milhões de raios. Para efeito de comparação, a cada cinquenta mortes por raio no mundo, uma ocorre no país. Em uma brincadeira com a estatística, podemos afirmar que, no Brasil, é duas vezes mais provável um indivíduo ser atingido por um raio do que acertar na Mega Sena.

Ao atingir a superfície do solo, a corrente elétrica se difunde radialmente, ampliando assim o seu alcance. Isso explica como uma pessoa ou animal não precisam ser diretamente atingidos por um raio para que ocorra um acidente. As correntes superficiais são elevadas e provocam tensão entre os pés do indivíduo, podendo levar à morte. Os animais, por possuírem uma distância maior entre os membros, estão sujeitos a uma tensão de passo maior e, por isso, há maior índice de fatalidades nessa espécie quando atingidos por raios. Há ainda o agravante de o coração bovino estar no trajeto da corrente de choque entre os membros.

Outro ponto de alerta é que os raios caem durante tempestades, o que deixa o solo molhado. E o bovino, em solo encharcado, frequentemente fica com parte dos cascos enterrada no solo, criando um excelente ponto de contato com a terra, ou seja, um bom aterramento! Por isso, nessas espécies, com a mesma tensão de passo, a corrente de choque é muito maior.

Sim, raios caem duas vezes no mesmo lugar!
Os raios tendem a cair nos pontos mais altos do relevo: árvores, morros e torres de igrejas são alguns dos alvos “preferidos” dos raios, e, por isso, se repetem em um mesmo lugar. Só a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, é atingida anualmente, em média, por seis raios. Em campos abertos ou descampados, uma pequena árvore ou mesmo um pequeno animal pode se tornar o ponto de atração dos raios. Então, jamais tente se abrigar à sombra de grandes árvores em tempestades.

Sabendo como os raios ocorrem e associando isso ao comportamento dos animais, temos um rico material a ser usado na minimização dos prejuízos causados por este fenômeno.

Para-raios
São excelentes alternativas para as sedes, vilas dos funcionários, currais de manejo e confinamentos. É importante que sejam corretamente instalados em toda a sua extensão, então um profissional competente e habilitado é sempre recomendado. Contrariamente ao que muitos pensam, é melhor não ter um para-raios a ter um para-raios ineficiente.

Existem manuais e regras para a instalação de diferentes tipos de para-raios e a obediência a eles é fundamental para evitar acidentes graves.

Isoladores de cercas
Os isoladores do modelo castanha vêm sendo utilizados para dividir as cercas convencionais em currais de manejo e diminuir a propagação e alcance dos raios. São eficazes, mas é preciso verificar a tração do arame, pois, em geral, esses isoladores são confeccionados para resistirem à tração de cercas elétricas e as cercas convencionais têm uma tração muito maior para manterem-se perfeitamente esticadas. Mas, respeitando-se essa característica, o produto é uma alternativa que merece ser considerada. Para cercas elétricas, os isoladores do modelo castanha são praticamente obrigatórios.

Isolamento entre mourões
Separar a cerca em pequenos segmentos de, no máximo, 200 metros é a melhor alternativa. O aumento de custo é mínimo perto da segurança que isso dará ao produtor, entretanto o processo exige planejamento e boa execução. Não pode existir contato entre os mourões para, deste modo, interromper o fluxo da corrente elétrica. A intenção desta prática é limitar o alcance da corrente elétrica, que, mesmo caindo sobre uma parte da cerca, terá descarga limitada nesse caso, diminuindo o risco de mais animais serem atingidos. Para confinamentos e currais de manejo, o isolamento recomendado é de 30 metros.

Confinamentos
Projetar um confinamento sem contemplar um bom conjunto de para-raios e um sistema bem planejado de isolamento de cercas e cochos é o que chamo de granada sem pino! A pergunta não é se vai acontecer um acidente, mas quando vai acontecer o acidente e qual será o tamanho do prejuízo!

Um único para-raios dificilmente vai contemplar todo um confinamento, então é importante o planejamento de um conjunto de para-raios, uma vez que cada dispositivo tem um alcance limitado.

Cada cerca, linha de cocho e demais itens com capacidade de condução elétrica devem ser isolados e seccionados para minimizar a propagação da corrente elétrica, reduzindo, assim, os prejuízos caso um acidente por descarga elétrica atmosférica venha a ocorrer.

Por Marcus Rezende, Veterinário e consultor técnico
Fonte: DBO
*As opiniões expressas nos artigos não necessariamente refletem a posição do Portal DBO.




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