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09/11/2018 - Outros

Trimble eleva aposta no Brasil


Fazer tratores e colheitadeiras andarem exatamente sobre as linhas do plantio sem a necessidade de um piloto segurando a direção já é uma realidade em toda fazenda de grande porte que produza commodities no mundo. O desafio para as empresas de tecnologia, agora, está em convencer o agricultor, dos EUA à Austrália, a comprar soluções mais sofisticadas que permitam automatizar por completo as lavouras, elevando produtividade e reduzindo custos.

"A agricultura de precisão teria o potencial de movimentar US$ 11 bilhões ao ano se todos os produtores a utilizassem", diz Abe Hughes, o responsável global para agricultura da Trimble, empresa americana de tecnologia que completa 40 anos de atuação este mês.

Nos EUA, a penetração dessas tecnologias atinge 60% do maquinário das propriedades agrícolas – ou seja, 40% ainda dependem exclusivamente da habilidade humana para fazer o trabalho de campo. Em geral, são locais de produção de culturas menores do ponto de vista de comércio exterior, como forrageiras e leguminosas, e a vinicultura. "Mas mesmos dentro desses 60%, só 25% usam um pacote completo de ferramentas avançadas", afirma o executivo.

O percentual chama a atenção porque ele fala sobre mercados maduros, como o americano e o europeu. Mas Hughes, que já morou em São Paulo e Porto Alegre, vê nessa baixa adesão tecnológica a oportunidade de a empresa crescer. "No Brasil, só 25% têm tecnologia. Se formos pensar no pacote completo, são poucos, muito poucos ainda. Fala-se nos Maggi, no Bom Futuro, mas a grande massa de agricultores brasileiros não está nisso", diz. "Precisamos ir além do piloto-automático e fazer com que o produtor use a tecnologia para taxas variáveis de aplicação de adubo, fertilizantes, sementes".

Hughes fala em meio ao vai-e-vem de centenas pessoas (no total são 5 mil previstos) que vieram esta semana a Las Vegas para o Trimble Dimensions 2018. O eventual bianual serve para apresentar as novidades da empresa, fidelizar clientes e reunir seu times globais.

Com faturamento global em 2017 de US$ 2,7 bilhões e 11 mil colaboradores, a Trimble é uma empresa clássica do Vale do Silício. Entrou no mundo dos negócios no fim de 1970, com a criação do GPS – um projeto que Charlie Trimble havia desenvolvido como funcionário da HP e levou para a sua futura companhia após ser rejeitado por seu então empregador. De lá para cá, transformou-se numa empresa que desenvolve software e hardware para setores como construção, transportes e agricultura.

Listada na Nasdaq, a Trimble fez nos últimos cinco anos 150 aquisições globalmente. Seu crescimento de patentes (são 500 até agora), capital humano e receita é exponencial graças à estratégia de comprar quem lhe pode agregar valor. Ela não revela valores, só quando são significativos – como os cerca de US$ 1,2 bilhão dispendidos para a compra da View Point, da área de construção. Há duas semanas, anunciou também a compra de Veltec, seu primeiro investimento em uma empresa brasileira da área de logística voltada à segurança.

"Veja que, mesmo com turbulências,nós apostamos no país. Não precisamos esperar para saber quem seria o futuro presidente para continuar investindo", alfineta Carlos Nogueira, diretor-executivo para o Brasil, sentado ao lado de Dalton Conselvan e Giovani Benedetti Penha, da Veltec, antes da abertura oficial do evento.

Mundialmente, a agricultura caminha para gerar um terço do faturamento da companhia. A meta é atingir US$ 1 bilhão em vendas agrícolas em cinco anos, ou pouco mais que a metade da receita atual, afirma Hughes. Hoje, a divisão de construção civil e pesada responde por US$ 834,9 milhões do resultados operacional global da Trimble.

São metas ambiciosas para uma empresa que diz não ter um concorrente – mas dezenas, conforme a solução tecnológica. Nas lavouras, a tecnologia embarcada da John Deere é seu maior rival. "Mas é fechada, só serve nas máquinas Deere. E qual agricultor tem todo o maquinário da mesma marca?", diz José Carlos Bueno, gerente de distribuição e vendas agrícolas da Trimble no Cone Sul. "A nossa vantagem é que criamos a comunicação entre máquinas de todas as marcas, e nisso somos únicos".

As sinergias entre as unidades de negócio também são um trunfo. A solução de gerenciamento de água, originalmente destinado à terraplanagem na construção, é hoje amplamente utilizada por clientes para evitar acúmulo de água na agricultura. No Brasil, a Trimble pretende expandir esse negócio do arroz do Rio Grande do Sul para a soja do Mato Grosso, onde a antecipação da colheita coincide com o período de chuvas.

"A porta de entrada do agricultor para a tecnologia é sempre o piloto-automático, mas há outras coisas que a tecnologia pode fazer para elevar produtividade e reduzir o custo da lavoura. Agricultura de precisão nada mais é que transformar a fazenda em uma fábrica. É criar processos", afirma Bueno.

Por Bettina Barros | De Las Vegas (EUA)
Fonte: Blog Alfosin/Valor




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