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21/03/2019 - Trigo

Trigo deve ter baixa rentabilidade em 2019


Encolhendo no Rio Grande do Sul nos últimos anos, a triticultura deve ter, em 2019, mais um ano de baixa rentabilidade. Pelos cálculos da Federação das Cooperativas Agrícolas do Estado (Fecoagro), apenas o desembolso dos produtores para a safra, levando em conta uma tecnologia média e uma produtividade base de 3.000 kg por hectare, deve chegar a R$ 2.029,83 por hectare. Com o preço de mercado de fevereiro, de R$ 41,73 por saca, a rentabilidade deve ficar em 2,01%.

"A rentabilidade baixa ou negativa é um fator presente na cultura nos últimos anos", afirma o presidente da Fecoagro, Paulo Pires, lembrando que a rentabilidade positiva, ainda que pequena, só acontece quando a comparação é feita com o desembolso (aquilo que o produtor efetivamente gasta com o cultivo).

Levando em conta os custos fixos, que o agricultor terá com ou sem produção de inverno, e ainda a remuneração da terra, a relação se inverte, com rentabilidade negativa de 26%.
"Tradicionalmente tem defasagem", argumenta o economista da entidade, Tarcisio Minetto, lembrando que a situação ainda era pior na última estimativa feita pela Fecoagro, em 2014 (a série foi suspensa com a ida Minetto para o governo estadual). Em 2019, por exemplo, serão necessários em torno de 60 sacos por hectare para cobrir os custos fixos e variáveis, enquanto em 2014 a relação era de 73 sacos/ha, indicando uma melhora nos preços praticados no período. A trajetória de prejuízos fez a área plantada de trigo no Estado cair de 1,2 milhão de hectares em 2014, auge do século, para uma previsão da Fecoagro de cerca de 700 mil hectares em 2019.

Minetto salienta ainda que o cálculo da renda é feito com o preço praticado no início de fevereiro pelo mercado, que a entidade ser o balizador da safra. "Estamos praticamente desconsiderando as compras do governo, e, com isso, também o preço mínimo", conta Pires.

Para 2019, o preço mínimo do trigo foi estabelecido em R$ 40,57 para o tipo pão. O presidente citou ainda o crédito rural como uma grande preocupação dos agricultores pela indefinição quanto ao modelo que será adotado a partir do próximo ciclo.

Preocupada com o futuro da cultura no Estado, a Fecoagro promove, há três anos, um projeto experimental com a Embrapa Trigo, de Passo Fundo, e quatro cooperativas gaúchas. O objetivo é testar um novo tipo de manejo, com menos investimentos, mas que sirva adequadamente para a produção de trigo voltado para o mercado externo (seja ração ou intermediário). Nas lavouras experimentais, em duas safras, os resultados indicam uma média de 8% de queda na produtividade em relação ao manejo tradicional, mas uma queda de 21% no custo, resultando, no fim das contas, em um ganho de rentabilidade.

"Precisamos, agora, de cultivares que sejam mais produtivas para esse fim de exportação", conta Pires sobre os próximos passos do projeto. No futuro, a ideia da entidade é que ambos os trigos, o tipo para pão e o tipo para exportação coexistam, o que beneficiaria a cultura.

"Enxugaria a oferta no mercado gaúcho e poderia aumentar o preço do trigo pão também", projeta Pires, salientando não acreditar que o trigo pão sumiria do solo gaúcho, por ter valor maior de venda. "O objetivo é ter mais uma opção para o produtor", continua o presidente.
 
Cota de importação de cereal dos EUA é "desestímulo"
Não bastasse a falta de atrativos econômicos para a produção de trigo, a cultura sofreu outro baque nessa semana com a decisão do governo brasileiro de liberar a importação de 750 mil toneladas do cereal produzido nos Estados Unidos sem tarifas. O anúncio foi feito na terça-feira pelo presidente, Jair Bolsonaro, em visita à Casa Branca. Para o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro), Paulo Pires, a medida é "uma mensagem de desestímulo" à triticultura brasileira, especialmente pelo fato de ter sido concedida sem qualquer contrapartida.

"Somos totalmente abertos a um mercado que seja mais livre, mas tem setores que precisam de política pública, e a tarifa é uma política pública de incentivo à produção interna", continua Pires, lembrando a redução de área plantada com o trigo nos últimos anos. O dirigente acredita que a importação traz "prejuízo simbólico", mas, também, pode influenciar diretamente nos preços praticados em maio e junho, período crucial para a tomada de decisão do plantio no Estado.

Por Guilherme Daroit
Fonte: Jornal do Comércio - 




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