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18/06/2020 - Outros

Tereza Cristina: Pandemia nos obrigou a repensar plano e aumentar volume para setor


A pandemia do novo coronavírus e seus reflexos na economia brasileira fizeram o governo dar um passo atrás nos planos de enxugar o Plano Safra 2020/21, sinalizados desde o lançamento do Plano Safra 2019/20, e repensar volume de recursos a ser ofertado, conta a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. “Se estivéssemos vivendo um momento de normalidade, com essa taxa Selic a 3%, sem pandemia ou aversão a risco, sem dúvidas teríamos um Plano Safra menor, focado no pequeno e médio produtor e nos investimentos de longo prazo. A pandemia nos obrigou a repensar o plano e elevar o volume para setor”, afirmou a ministra em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro na véspera do anúncio do plano.

O Ministério da Agricultura lançou na tarde de ontem o Plano Safra 2020/21 que terá vigência de 1º de julho deste ano a 30 de junho de 2021. Como o Broadcast Agro havia antecipado horas antes do anúncio, o recurso total é de R$ 236,30 bilhões, 6,1% maior que em 2019/2020, ou 13,56 bilhões a mais.

Segundo a ministra, a expectativa do governo com a aprovação da Lei 13.986/2020, conhecida como Lei do Agronegócio, era de migração dos produtores de grande porte para outros mecanismos de financiamento e de aumento da procura por crédito privado. “Os bancos estavam oferecendo recursos mais baratos para grandes produtores e davam sinais de que emprestariam a taxas melhores. Além disso, havia previsão de chegada de mais recursos externos para apoiar o agronegócio”, explicou a ministra. A Lei do Agronegócio regularizou a captação de recursos, pelo setor, por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) referenciados em dólar.

Contudo, a pandemia da covid-19 desencadeou um movimento de retração de crédito privado e aversão a risco - especialmente de fundos estrangeiros e bancos -, que limitou e postergou a injeção de investimentos externos no setor. Este cenário, por sua vez, acabou mexendo com os planos do governo para sua política de crédito rural. “Por isso, tivemos de ir para (o Ministério da) Economia e repensar o nosso Plano Safra. A ideia inicial era que o grande produtor recorresse mais ao mercado privado”, detalhou a ministra.

Na análise de Tereza Cristina, apesar da conjuntura de aperto fiscal, não houve dificuldade nas negociações com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o Tesouro Nacional para a liberação de maior quantidade de recursos. “O governo entende que o momento exige maior apoio ao agronegócio. Tivemos a sensibilidade do ministro Paulo Guedes e da equipe econômica de entender esse momento e fazer a adequação do Plano Safra, mostrando a necessidade de um volume um pouco maior”, disse.

Apesar do passo atrás, a ministra garante que a meta de promover uma transição parcial do financiamento do agronegócio do setor público para o privado, especialmente no que tange os grandes produtores, continua. “A Lei do Agro veio para isso: ampliar as ferramentas de crédito para estimular o grande produtor a buscar capital no mercado. A covid-19 retardou esse movimento”, avaliou, destacando que será preciso reavaliar a conjuntura após a pandemia.

Tereza Cristina afirmou estar “convicta” de que agronegócio terá forte retomada após a crise atual. “A agricultura segura e vai continuar segurando o País. O ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sabem da importância do setor e destinaram recursos dentro do possível”, observou a ministra.

A ministra também considera que a relevância da agricultura para a economia brasileira pode levar instituições financeiras privadas a apostarem mais no setor, ajudando a diminuir a dependência do financiamento público. “Temos conversado com participantes do mercado de capitais, tivemos avanços na Lei do Agro, que traz uma série de benefícios para agentes privados colocarem recursos no setor e não somente nos grandes produtores”, ilustrou ela, citando o Fundo de Aval Solidário, criado na Lei 13.986. “Não tenho dúvidas de que estamos preparando o ambiente de negócios propício para investir ainda mais na agricultura brasileira.”

Por Isadora Duarte e Clarice Couto
Fonte: Broadcast Agro




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