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02/05/2019 - Tecnologia

Tecnologias desempenham papel importante para aumentar produtividade rural


O agronegócio, pauta de destaque das exportações brasileiras, dá trabalho. Dependendo do volume de chuva, pode afetar a quantidade de açúcares na cana-de-açúcar ou alterar o ciclo de germinação de uma semente.

Se a temperatura cai ou sobe muito para uma determinada cultura, os reflexos serão vistos na hora da colheita. A inseminação de vacas também precisa das condições certas para ter maior chance de fertilização. Sem contar, é claro, o fator humano. Um trabalhador mal treinado ou desatento pode resultar em perdas imperceptíveis para os leigos, mas que terá o seu peso na última linha do balanço de uma propriedade rural.

Mas a rotina de quem vive no campo é cada vez menos surpreendida por incertezas. Os sobressaltos têm sido cada vez menores graças à era da inovação. Empresas vêm se dedicando a buscar soluções para aumentar a previsibilidade e aumentar riscos. Na Agrishow, maior feira do agronegócio, realizada nesta semana em Ribeirão Preto (SP), os principais destaques são as soluções tecnológicas.

As inovações apresentadas durante o evento por multinacionais e agritechs brasileiras disputaram a atenção dos visitantes tanto ou mais do que os tradicionais anúncios de crédito para o agronegócio. Afinal, para quem é do setor, conhecer novas possibilidades de aumentar a produtividade é uma aposta na dependência menor dos bancos.

AI sobre rodas 
Uma das novidades apresentadas em Ribeirão Preto é um sistema que faz o reconhecimento facial de motoristas de frota durante o trabalho. Com o apoio da inteligência artificial (AI), as imagens registradas em tempo real por câmeras — uma direcionada para o rosto do condutor e outra para a pista — são interpretadas e é possível saber o grau de atenção ao volante.

Qualquer sinal de cansaço (aquela conhecida “pescada” quando o sono aperta) ou distração, como fumar ou falar ao celular, é registrado pelas câmeras, que geram uma espécie de alerta tanto para o motorista quanto para a central de monitoramento dos veículos da propriedade.

Diretor-geral da Veltec, Dalton Conselvan conta que a empresa tem como origem o trabalho desenvolvido a partir da telemetria para veículos de frota, como ônibus e caminhões. Só que até agora as análises tinham de ser feitas a partir do monitoramento humano das imagens gravadas e da análise de indicadores como movimentos bruscos do motorista – equipes assistiam aos vídeos para saber o que houve de errado e assim pensar em estratégias para aumentar a segurança e reduzir os custos com combustível e de manutenção dos veículos.

Um primeiro teste com o novo sistema, o Vsafe, que utiliza inteligência artificial, foi feito com uma empresa de ônibus, com 800 veículos e uma equipe de monitoramento de 15 pessoas, que só conseguia assistir a 5% das viagens.

“Pensamos em uma forma de usar a AI para trazer apenas imagens que interessassem em vez de todo o trajeto. Em vez de oito horas de viagens, só seriam vistas as situações diferentes”, lembra. Com a instalação das câmeras, a AI interpretaria sinais de fadiga ou distração do motorista e comportamentos como aproximação exagerada do veículo da frente ou a condução por cima da faixa contínua da estrada.

Economia de tempo 
Com o novo sistema, o cliente só vê o que precisa. Se motorista está fadigado, são emitidos alertas visuais e sonoros e um aviso é enviado ao centro de comando de frota. “Ao receber vídeos de no máximo um minuto, essa mesma empresa com 800 ônibus aumentou a eficiência e está migrando aos poucos para o novo sistema. Ela conseguirá monitorar 100% dos eventos com menos da metade da equipe”, explica o diretor-executivo.

A Veltec, que no final do ano passado foi adquirida pela multinacional Trimble, também já comercializou o Vsafe para empresas que utilizam frotas de caminhões e de carros. No agronegócio, a novidade está sendo usada em veículos de transporte de cana-de-açúcar e de grãos.

Conselvan se diz otimista quanto ao futuro do novo produto. Com a telemetria tradicional, a redução de acidentes em uma das empresas de caminhões chegou a 86%. O executivo acredita que será possível diminuir ainda mais esse índice com a ajuda da inteligência artificial.

A Agrosystem foi fundada quando a tecnologia tinha presenças pontuais nas empresas, em 1989. Com o passar do tempo, conta Carlos Henrique Jacintho Andrade, CEO e fundador da empresa, foi preciso fazer uma série de transições.

Uma das pioneiras em agrometeorologia e agricultura de precisão no país, a empresa fez uma parceria com a americana DTN, maior prestadora de serviços meteorológicos comerciais do mundo, e lançou na Agrishow a AgrosystemCloud. A plataforma oferece aos agricultores previsões meteorológicas mais precisas, baseadas no produto WeatherSentry Agriculture Global Edition da DTN, muito conhecido nos EUA por fornecer dados climáticos de alta precisão.

Para tornar o sistema mais eficiente, é utilizada uma plataforma com estações meteorológicas nas fazendas, que coletam dados muito localizados e precisos. Essas informações são processadas por uma tecnologia chamada Adaptative Learning, que compara os dados previstos com os que foram de fato observados para determinar o melhor modelo meteorológico a ser utilizado.

Alta precisão 
Com a nova plataforma, os agricultores terão acesso a previsões meteorológicas de alta precisão para as próximas 72 horas e 15 dias, e poderão contar com observações contínuas especificamente para a propriedade rural, como informações de umidade do solo. Com o novo produto, a previsão da Agrosystem é que seu faturamento cresça 50% em 2019.

“O Brasil é top de linha, um produtor altamente profissionalizado. Mas o produtor terá cada vez mais que pensar nos investimentos para aumentar a produtividade da porteira para dentro e ter um custo menor por tonelada”, afirma Carlos Andrade.

As evoluções no campo, lembra o executivo, são cada vez mais rápidas e de maior impacto. O tema climático, apesar de ser tradicionalmente decisivo nesse negócio, passou a ser dominado graças aos avanços tecnológicos. Hoje, a partir de softwares de última geração, é possível “conversar” com o maquinário, semear ou aplicar agrotóxicos levando em consideração temperatura, velocidade do vendo e umidade relativa do ar de forma ainda mais precisa. “Perder uma área aplicada é muito caro para o produtor. Esse tipo de tecnologia ajuda a decidir a hora certa de aplicar.”

Por Paula Pacheco
Fonte: Correio Braziliense - http://tempuri.org/tempuri.html




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