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03/07/2019 - Soja

Sojicultor consegue reduzir em até 60% custo para controle do percevejo


Uma das piores pragas para a soja já não assusta tanto assim. Pelo menos para alguns produtores que já usam cultivares de soja com tolerância a percevejos. A Embrapa que já possui, desde 2016, uma variedade com esta característica, decidiu agora criar uma linha focada no inseto, o Block. Mas o que os produtores que já testaram a soja tolerante aos percevejos acharam? 

O produtor Leandro Becker, de Quatro Pontes, no oeste do Paraná, resolveu testar na última safra a soja tolerante aos percevejos da Embrapa, após tê-la visto em um dia de campo em uma cooperativa local. Dos 120 hectares que possui, 7 foram separados para receber a variedade BRS1003.

“Vi essa tecnologia em um dia de campo e me chamou a atenção a arquitetura da planta e a produtividade. Por aqui, sempre precisamos ficar de olho pois os percevejos são um problema. Eles vão desde o milho até a soja”, comenta.

Os resultados impressionam. Mesmo em um ano que o clima atrapalhou muito a produção de grãos, Becker registrou uma colheita de 66 sacas por hectare com a BRS, contra médias bem inferiores nas demais áreas, que variam do mínimo de 49 sacas até a máxima de 57,8 sacas por hectare.

“Não podemos esquecer que essa tecnologia é uma opção a mais no controle dessa praga. Ela não elimina a necessidade de fazer aplicação de inseticidas. Eu precisei fazer uma só na última safra na BRS 1003, enquanto nas demais cheguei a fazer até 3”, afirma Becker. “Isso representa uma grande economia.”

Para esta nova safra 20192020, os 7 hectares com a BRS se transformarão em pelo menos 48 hectares. O produtor já comprou as sementes necessárias (que não custaram mais do que as que ele já usava normalmente) e muito menos inseticidas. “Minha economia pode chegar a 60% menos inseticidas, o que é ótimo. Sem falar que sem aplicar tanto agroquímico ainda preservamos os inimigos naturais dessas pragas”, comenta Becker.

Produtor de sementes
E não é só o produtor de grão que aprovou a tecnologia, os agricultores especializados na produção de sementes também apontam uma demanda crescente pela BRS 1003.

“Temos notado um aumento na demanda sim, tanto que só no Mato Grosso do Sul a área com esta variedade tem sido ampliada. Por lá, o clima mais quente tem favorecido o surgimento e proliferação dos percevejos e elevado o gasto para controlá-los”, diz o sementeiro Josef Pfann Filho.

O produtor possui uma área de 1.850 hectares em Dourados (MS) e outra de 1.960 hectares em Guarapuava (PR). A BRS 1003 ocupa respectivamente 100 e 160 hectares. Mas os produtores de ambos os estados têm percebidos a economia que a tecnologia proporciona.
“Em Mato Grosso do Sul é comum ver produtores fazendo até 7 aplicações para controlar os percevejos de maneira satisfatória. Com a semente da Embrapa é preciso no máximo duas. Sem falar que ela permite que tenhamos mais flexibilidade na aplicação do agroquímico, podendo aguardar por condições climáticas melhores para iniciar a pulverização”, diz Pfann.

Mesmo com as sete aplicações na soja sem a tolerância, os grãos destas plantas ainda apresentaram marcas e danos do inseto. Sem contar que o preço da semente não é maior que os materiais de outras empresas. “Os benefícios são notáveis e o preço da semente é parecido com a Intacta, por exemplo”, afirma.

Por Daniel Popov
Fonte: Canal Rural 




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