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19/12/2018 - Clima

Soja: Safra brasileira perde potencial diariamente com seca e calor


Com cerca de um mês de antecedência, a colheita da nova safra de soja do Brasil foi iniciada. Ainda são trabalhos prematuros - o relato vem de Nova Ubiratã, em Mato Grosso -, de lavouras de ciclo curto - 90 dias - e com produtividades estimadas, inicialmente, na casa de 52 a 53 sacas por hectare. 

A colheita é iniciada, porém, sob estimativas que estariam superestimadas, segundo o que acreditam analistas, consultores e produtores brasileiros. Há, afinal, em mais de um estado entre os principais de produção, severos problemas climáticos que têm tirado, diariamente, o potencial produtivo das lavouras. 

O Paraná e o Mato Grosso do Sul já registram perdas consideráveis em função da seca; no Rio Grande do Sul há produtores que tiveram de partir para o quarto replantio e há ainda também 97 casos de ferrugem asiática em lavouras comerciais de soja, de acordo com dados do Consórcio Antiferrugem. O calor extremo também é uma preocupação. 

Ainda assim, a Conab estima uma produção de 120,1 milhões de toneladas e o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) espera que o Brasil vá colher 122 milhões. Algumas consultorias privadas já estimavam até 130 milhões de toneladas, o que não bate com os relatos de sojicultores nacionais. 

"Há lavouras com condições muito ruins. Oeste do Paraná, parte do Norte e Centro-Sul do estado, partes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul já tem muitas lavouras com grandes problemas. Consideramos que no Paraná já tem 3 milhões de toneladas perdidas. Dos 18/18,5 milhões previstos, estamos com 15/15,5 milhões. Se hoje voltar a chover, esa é a previsão da safra", disse o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

Como explicou o executivo, a nova safra foi iniciada com muita chuva, muito tempo nublado - o que prejudicou o arranque inicial das lavouras e fez com que não fizessem uma raíz pivotante profunda - e agora os campos sofrem com o tempo excessivamente quente, sem chuvas ou com precipitações chegando em forma de pancadas.

"Se tivéssesmos condições ideais, como tivemos no ano passado, colheríamos 130 milhões de toneladas. Hoje, estamos vendo uma safra de 122 milhões, ela é um pouco maior do que no ano passado porque estamos com mais de 2 milhões de hectares a mais, mas a produtividade já é bem menor do que foi colhido no ano passado e isso é irreversível", diz Brandalizze.

Com a manutenção dessas condições, ainda como explica o consultor, as perdas no Sul do Brasil e parte de Mato Grosso do Sul, podem ser, diariamente, de 200 mil a 300 mil toneladas diante da falta de chuvas. "E isso vai se acumulando. Tem muita planta que já morreu, é o que chamamos de seca verde. A planta está verde, mas dessecada". 

Hoje, até este momento, Mato Grosso é o estado onde a safra mosta maior estabilidade, com clima dentro do normal, chuvas chegando com boa regularidade e até agora as expectativas são positivas. 

Enquanto no Sul houve desde geadas à temperaturas acima dos 40ºC. Assim, as lavouras estão com pouco vigor, poucas vagens e flores, mostrando sua debilidade. 

Paraná
O produtor rural Valdir Fries, que está em Itambé/PR, afirmou, em entrevista ao Notícias Agrícolas, que a maior preocupação dos produtores este ano é, de fato, o clima. No entanto, pontua algumas outras condições que também influencia nessas perdas que já começam a ocorrer no estado. 

"Então a questão de perda de produtividade vai depender muito da fertilidade do solo, estrutura de solo, condições de manejo, inoculação de semente, a escolha da própria cultivare planada e o período de plantio. Então existem perdas de 10 a 15% em algumas regiões e em outras próximas de 30 a 40%", diz. 

Ainda segundo Fries, a colheita deverá ser antecipada na região, também função do clima, e está prevista para ser iniciada entre 7 e 10 de janeiro. "E muitos produtores que tiveram perdas mais significativas, a depender da cultivar, talvez estarão colheita ainda antes do que eu". 

Rio Grande do Sul
Diretor da Farsul (Federação de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e produtor em Santo Ângelo, Cláudio Duarte, chamou a atenção no Notícias Agrícolas à necessidade de diversos replantios no estado, em vários pontos por conta das chuvas excessivas. 

"Tivemos uma concentração de chuvas de 140 a 200 mm, o que fez com que houvesse um replantio em algumas partes, e alguns produtores até deixaram parte das áreas. Outros tiveram que replantar toda a área", diz. No entanto, explica que são casos mais localizados. 

E a irregularidade das chuvas preocupa bastante. Há propriedades onde choveu 50 mm, outras em que choveu 12 mm, em pouco espaço. Ainda assim, a região conta com boas perspectivas e potencial de recuperação das lavouras. 

Em Tupanciretã, não chove há dias e as lavouras vão se perdendo com a falta de chuvas e o excesso de calor castigando as plantações de soja. 

São Paulo
Há localidades na região de São Paulo onde as perdas também já começam a aparecer, como Birigui. Por lá, as lavouras já estão perdendo força com a falta de chuvas e o calor forte. 

PREVISÃO DO TEMPO
O verão brasileiro, que será iniciado oficialmente em 21 de dezembro, deverá começar com chuvas abaixo da média em áreas do Paraná, Santa Catarina e Sul do Mato Grosso do Sul, segundo previsões do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). 

Entre janeiro e março, a região Sul deve registrar chuvas abaixo do normal em quase toda Santa Catarina e em áreas centrais do Paraná e Rio Grande do Sul. As outras localidades dos estados do Sul devem registrar volumes precipitações dentre do normal a acima da normalidade.
Ao mesmo tempo, institutos internacionais seguem elevando as chances de ocorrência do El Niño durante o verão brasileiro, momento de pico de desenvolvimento da safra de grãos do país. 

"Na área central do Brasil, pegando o Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Matopiba, a chuva deve ficar acima da média. Em alguns lugares mais ao Sul, a média registrada desses três meses deve ser mais baixa", disse em entrevista ao Notícias Agrícolas Mamedes Luiz Melo, meteorologista do Inmet. 

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas




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