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10/02/2020 - Soja

Soja pode ter prejuízo de R$ 500 mi ao ano sem o paraquat, diz Aprosoja


A proibição do herbicida paraquat e suas consequências para a agricultura brasileira foram tema do programa Direto ao Ponto do Canal Rural. Entidades do agro e representantes da indústria nacional atestam que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de banir o produto no país a partir de setembro deste ano é equivocada e sem base científica. Por isso, uma força-tarefa de empresas está preparando estudos para contrapor as alegações da agência de que o ingrediente ativo é mutagênico e está relacionado à doença de Parkinson. Enquanto os dados estão sendo levantados, indústria e entidades de produtores pedem prorrogação por mais um ano no prazo da Anvisa.

No programa, o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, e o assessor técnico da União dos Produtores/fabricantes Nacionais de Fitossanitários (Unifito), Daniel Leastro, debateram o tema e alertaram para a importância do produto para a agricultura brasileira. “O paraquat é um produto genérico de baixo custo e altamente eficiente, tanto para o manejo das ervas daninhas como para o plantio direto”, disse Fabrício Rosa.

O dirigente da Aprosoja acrescentou que o produto contribui para a qualidade do solo, já que é altamente eficiente na técnica de plantio direto. De imediato, afirma, a proibição do paraquat vai resultar na queda de competitividade do setor.

“Podemos destacar aqui umas 11 culturas fundamentais tanto para o agro brasileiro como para a mesa do consumidor”, completou Fabrício Rosa sobre o ingrediente ativo. Ele enfatizou que hoje no mercado não existe um produto que traga a mesma vantagem econômica que o paraquat. “Você vai ter substitutos mais caros. Na soja, por exemplo, você teria que substituir por dois, três produtos, o que pode elevar em até meio bilhão de reais o custo para os produtores. O prejuízo é incalculável”, disse.

O representante da Unifito concorda com a argumentação do dirigente da Aprosoja. “É um produto barato para o produtor. A retirada dele vai aumentar o número de aplicações de outros produtos e outros gastos, o que pode causar impacto ambiental maior. Não existe um produto igual ao paraquat no mercado”, pontuou Daniel Leastro.

Segurança
Leastro contestou as alegações da Anvisa para a retirada do produto do mercado nacional. “São mais de 40 países que utilizam (o produto). Os Estados Unidos concluíram que não encontraram o que a agência brasileira identificou. Há divergências no que foi apresentado pela Anvisa no seu relatório final”, disse, referindo-se à Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA), que não chegou às mesmas conclusões que entidade brasileira. Ele lembrou que o paraquat ainda é usado em países como Canadá, Japão, Austrália e Israel.

“As doses em que o produto é utilizado no campo não causam dano algum ao aplicador e nem ao consumidor. A agência deu prazo para apresentar outros estudos para tentar manter o produto no mercado”, afirmou Daniel Leastro sobre a atuação da força-tarefa, responsável por esses estudos. O prazo limite para suspender de vez o uso do produto, no caso, é setembro, delimitado em resolução da Anvisa .

O executivo da Aprosoja Brasil afirma que não será uma tarefa fácil, já que a agência solicitou um estudo muito complexo. “As empresas tiveram que buscar um laboratório no exterior e a agência exigiu também um estudo de biomonitoramento”. Rosa adiantou que, para esse último caso, a Aprosoja está fazendo um levantamento no qual é realizada uma coleta de sangue e urina dos aplicadores que utilizam o produto durante a safra. “Assim que entra em contato com o solo, o paraquat se biodegrada. Não tem efeito nem para quem consome, nem para o meio ambiente”, reiterou Fabrício Rosa. Ele acrescentou que o estudo de mutagênese é o mais complexo e, por isso, houve o pedido de prorrogação do prazo fixado pela agência.

Fonte: Canal Rural




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