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27/07/2018 - Soja

Soja: o que você precisa saber para ter sucesso na safra 2018/2019


Antes de começar a nova safra e tomar decisões sobre compra de insumos, arrendamento de terras ou mesmo aquisição de maquinários, entender a situação atual da economia e política pode fazer a diferença para garantir um bom lucro. Pensando nisso, o 1º Fórum Soja Brasil – Safra 2018/2019, que aconteceu em Uberlândia (MG), nesta quinta, dia 26, trouxe um grande time de especialistas para dar dicas essenciais sobre clima, economia, comércio exterior, manejo e os rumos que as eleições podem dar ao país

O Projeto Soja Brasil chega a sua sétima edição nesta safra 2018/2019 e, mantendo a tradição de dar apoio aos produtores do Brasil, o 1° Fórum do ciclo reuniu grandes especialistas, mediados pela apresentadora Kellen Severo, para trazer uma análise bastante completa sobre as possibilidades da temporada. Confira abaixo os tópicos e as opiniões:

Eleições

Uma das primeiras preocupações que o produtor deve ter no ano é com as eleições, que acontecem em outubro. Isso pode mudar drasticamente os rumos da economia e atrapalhar o planejamento inicial de safra, afirmou o analista de mercado e sócio da Tendências Consultoria Integrada Rafael Cortez, durante sua palestra.

“Desde 2013, os eventos políticos têm influenciado fortemente as atividades econômicas do país. Então entender quem são os candidatos e os impactos que eles trarão ao país é fundamental para se antecipar às tendências que o mercado trará, como a política monetária, a taxa de câmbio, entre outros indicadores da economia”, diz.

O analista explica que existem dois cenários a serem previstos e antecipados pelos produtores a respeito daqueles que vencerem as eleições:

1 – se vencer o candidato que o mercado confia, ou que tenha atuado no governo atual, ou pelo menos, tenha uma proposta que dê andamento ao modo que a economia caminha atualmente.

“Se isso acontecer, o câmbio deve recuar, afetando os preços recebidos pelos produtores. No entanto, na hora de comprar os insumos, os valores dos produtores devem recuar junto com o dólar, por exemplo”, conta Cortez.

2 – se vencer um político com menos expressão, nome e tradição política, ou contrário aos conceitos que o mercado considera ideais.

“Se isso acontecer, lá em março o câmbio estará em um patamar parecido com o atual. E, mais adiante, em junho ou julho, os gastos para fazer a nova safra podem ser mais elevados. De maneira geral, o pior cenário deve se igualar com estes dias que antecedem as eleições. Claro que mais para a frente, dependendo das decisões, o cenário pode piorar”, diz.

Mercado

Para o analista da Safras & Mercado, Gil Barabach não só a eleição no Brasil trará impactos a comercialização da soja, mas também o embate entre China e Estados Unidos. Segundo ele o produtor precisará se atentar para não perder oportunidades de negócios, ainda mais com preços tão rentáveis.

“Considerando o pior cenário político no Brasil, com a entrada de algum candidato que o mercado não apoie, o dólar tende a subir mais do que agora. Pois vivemos uma incerteza de quem será candidato e quais as possibilidades, isso mantém o câmbio valorizado”, diz Barabach. “O dólar pode até ultrapassar os R$ 4.”

Para o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, se o cenário continuar assim, e a tabela dos fretes não cair o produtor terá dificuldades para travar preços futuros. “Mesmo com preços elevados, os negócios de soja futura estão travados, pois ninguém sabe como enfrentar essa tabela. Ela encarece muito e atrapalha as negociações”, diz.

Para o executivo há chances inclusive de os produtores não aumentarem suas áreas de soja, pois não conseguem travar negócios futuros e com isso não obtém o dinheiro para financiar a safra. “Essa tabela está atrasando tudo, o financiamento, a compra de insumos e isso trará um impacto lá na frente, quando a safra começar”, conta Braz. “Vamos lutar junto com outras entidades para tentar derrubar essa tabela, pois ela faz mal não só aos produtores, mas aos consumidores que já estão sentindo no bolso o preço mais caros dos seus produtos.”

Clima

Um dos assuntos mais aguardados pelos participantes do Fórum tratava justamente sobre os rumos que o clima teria neste ano, já que existe uma chance de influência do El Niño, que traria muitas chuvas para a região Sul e seca para o Nordeste, e que foi responsável pelo incremento de produção da temporada anterior.

Segundo a editora de meteorologia do Canal Rural, Pryscilla Paiva, muitos mapas estão apontando chances de até 80% de El Niño. “Isso não está confirmado ainda, há grande chances. Por isso é preciso monitorar diariamente as previsões para não dar chance de erros”, conta.

Para Pryscilla as chuvas devem mesmo chegar em setembro, mas não com grandes volumes no Sudeste e Centro-Oeste. “Essas duas regiões não terão muita água no solo, e as chuvas previstas não irão repor a umidade necessária para o solo. Para piorar em outubro faltará chuvas. Então o produtor terá que pensar se vale a pena plantar com pouca água, pois essa situação demorará a normalizar e a safra pode ficar comprometida”, ressalta ela.

No Sul as chuvas devem ser mais volumosas e a preocupação ficará por conta da ferrugem asiática, que se prolifera melhor com excesso de umidade. “A condição é diferente no Sul, por lá há chances de chuvas demais e é preciso tomar todos os cuidados necessários para que aquelas cenas de alagamentos não se repitam”, diz.

Manejo e pragas

Ainda sobre um possível El Niño, a principal entidade de pesquisa de soja do Brasil, a Embrapa, está preocupada. Isso porque o fenômeno acaba trazendo ainda mais chuvas, gerando condições ideais para a proliferação da ferrugem asiática.

O chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Soja, Ricardo Vilela Abdelnoor, falou sobre essa preocupação durante seu debate. “O El Niño preocupa sim, pois a frequência de chuvas aumenta muito na região Sul, que normalmente já sofre com a doença. A umidade é a condição ideal para que aumente a pressão da doença”, diz Abdelnoor.

Com isso o pesquisador alertou para que os produtores redobrem as atenções com o vazio sanitário, que começou em muitos estados em junho e julho. Abdelnoor ressalta que os produtores devem abrir os olhos e não deixar nenhuma planta guaxa viva nos campos ou próxima a eles.

“Existe fiscalização, mas ela não tem o contingente suficiente para fazer isso, então é importante que o produtor entenda a importância de se fazer o vazio corretamente para controlar a incidência da doença e iniciar a nova safra com uma pressão menor. E, consequentemente, menos gastos também”, conta.

Para o José Magid Waquil, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), esta é uma boa oportunidade de os produtores apostarem todas as fichas no manejo de resistência contra a ferrugem. “O manejo da resistência precisa ser realizado para preservar as tecnologias que existem hoje. É preciso fazer o refúgio para que as tecnologias Bt não percam suas eficiências”, conta ele.

Por Daniel Popov
Fonte: Projeto Soja Brasil - Canal Rural




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