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10/04/2020 - Soja

Soja barata e fundamentos positivos para o grão criam cenário favorável aos preços em Chicago


O mercado da soja recebeu os esperados números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ontem (9/4) e mesmo com um aumento nos estoques finais norte-americano considerável fechou o pregão em alta. Os principais contratos terminaram o dia com ganhos de pouco mais de 9 pontos nos principais vencimentos. O maio fechou com US$ 8,63, o julho US$ 8,71 e o agosto, US$ 8,73 por bushel. 

Os traders olharam, porém, para a redução da safra e dos estoques finais globais - com safras menores para Brasil e Argentina, principalmente - e, ao mesmo tempo, ainda revisou para cima as importações de soja da China de 88 para 89 milhões de toneladas. 

"Isso é positivo, o mercado gostou disso, e ao contrário do que se esperava, o USDA acabou aumentando as projeções para as importações da China. E pode aumentar ainda mais diante dessa agressividade que vem sendo observada, podendo chegar aos 90 milhões já no relatório de maio", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

A produção mundial, portanto, foi revisada para baixo e ficou em 338,08 milhões de toneladas, contra 341,76 milhões estimadas há um mês. Assim, os estoques finais globais passaram de 102,44 para 100,45 milhões de toneladas.  

Brandalizze explica ainda que a China continua concentrando suas compras aqui no Brasil e é o principal destino das exportações nos próximos meses. Segundo o consultor, esse movimento é, inclusive, um dos principais fatores de suporte para as cotações da oleaginosa no mercado brasileiro. 

A quinta-feira foi de poucos negócios, às vésperas do feriado da Sexta-Feira Santa, com os produtores já bem vendidos e a baixa do dólar de mais de 1%, mais uma vez, com a moeda americana encerrando o dia abaixo dos R$ 5,10. Os preços nos portos, que nesta quarta (8) chegaram aos R$ 105,00, já marcavam R$ 103,00 e acabaram mantendo os vendedores um pouco mais retraídos. 

DEMANDA INTERNA
A demanda interna começa a dar sinais de desaquecimento, mesmo que pontual, por conta dos efeitos do coronavírus, especialmente no setor do biodiesel. Com as quarentenas em andamento, o consumo de combustíveis caiu de forma significativa e pesa sobre o consumo de óleo de soja para compor o B12. 

Assim, a disputa que era esperada para o segundo semestre entre as exportações e o consumo pelas indústrias nacionais deve acontecer de forma menos intensa do que era inicialmente projetado. 

"Se houver uma redução de 20, 25% a demanda (por biodiesel), isso pode refletir no grão também", explica Brandalizze. 

A ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) estima que essa mudança no setor dos combustíveis já começa a trazer efeitos para o complexo soja como um todo, principalmente com o adiamento do leilão 72, de biodiesel, que deveria ter acontecido em 6 de abril. Ainda não há uma nova data definida e os efeitos já começam a ser sentidos. 

"O maior problema é que nossas empresas vão aumentar sua capacidade ociosa, isso aumenta os custos e reduz a margem. E as margens já são muito apertadas. E a margem do esmagamento é de 2 a 3%, apenas, que é uma margem já muito apertada. Se o mercado de biodiesel estivesse funcionando corretamente, certamente estes problemas não estariam ocorrendo", explica ao Notícias Agrícolas o presidente da Abiove, André Nassar. 

Por: Aleksander Horta e Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas




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