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18/04/2019 - Pecuária

Sistemas integrados de produção podem alavancar em 10 vezes lucro bruto da fazenda, saiba como


Uma das grandes metas de quem produz é conseguir aumentar a renda de forma sustentável e com maior eficiência. Apostar na integração de culturas pode ser um excelente caminho para alcançar este objetivo. Atualmente, estima-se que em Mato Grosso existam cerca de 1,8 milhão de hectares com algum tipo de sistema integrado, que podem reunir na mesma área atividades agrícolas, pecuárias e florestais em rotação, consórcio ou sucessão.

Os sistemas integrados de produção podem ser adotados em quatro modalidades: Integração Lavoura Pecuária (ILP – Sistema agropastoril), Integração Lavoura-Floresta (ILF – Sistema Silviagrícola), Integração Floresta-Pecuária (ILP- Sistema Silvipastoril) e Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF- Sistema Agrossilvipastoril). Esses sistemas podem ser aplicados por todos os perfis de produtores, seja ele pequeno, médio ou grande produtor, conforme explica o zootecnista Miquéias Michetti.

Responsável pela área de custos de produção do Imea, Michetti tem conduzido e participado de pesquisas sobre a viabilidade econômica dos sistemas integrados, e falou sobre o assunto no Bom Dia Senar-MT desta quarta-feira (17). Para exemplificar a viabilidade do ILPF, Michetti mostra que mesmo diante de uma eventual queda (hipotética) de 20% nos preços da soja e do milho, a propriedade que investe em ILPF consegue se manter economicamente. Já uma fazenda que não possui o sistema, pode ter a atividade inviabilizada com uma queda de 10% no preço das commodities. Os resultados são de uma pesquisa realizada pelo Imea em parceria com a Embrapa.

No estudo foram comparados 9 sistemas de produção em propriedades que eram ou não adeptas ao ILPF. Segundo o zootecnista, os retornos econômicos para a fazenda que possui o ILPF são semelhantes e, em muitos aspectos, superiores aos da agricultura tradicional da outra propriedade. Na avaliação do Miquéias, isso ocorre por que o sistema consegue capitalizar esse recursos quando faz uso da rotação de culturas.

Miquéias mostra os resultados econômicos de uma fazenda que implementou o ILPF por 10 anos. Olhando para a pecuária tradicional por exemplo, o produtor possuía um lucro de R$ 235,86 por hectare. Após a implementação do sistema, a área passou a render R$ 1.026,50 por hectare, crescimento de 366%. Já na comparação com a agricultura tradicional, apesar de identificar uma redução ao redor de 19% na receita bruta (já que a propriedade passou a plantar apenas uma ao invés de duas safras de grãos), o estudo confirmou o aumento de 35% no resultado operacional líquido (lucro bruto) da fazenda, que saltou de R$ 1.604,17/ha para R$ 2.456,23/ha. No saldo final, o zootecnista explica que o lucro bruto da fazenda após a implantação do ILPF ficou 10 vezes maior durante o período.

O especialista lembra ainda que a adoção do sistema ILPF pode trazer diversos benefícios econômicos para a propriedade, como a manutenção das pastagens como menor custo de fertilizantes, maior eficiência na utilização de água, luz, nutrientes e capital, melhora do bem estar animal em decorrência do maior conforto térmico, além da menor pressão de pragas e doenças.

O sistema vem ganhando popularidade entre os produtores rurais, por outro lado, a falta de mão-de-obra, ainda é apontada como um dos fatores que impedem o avanço mais acelerado da ILPF em Mato Grosso, segundo Miquéias.

Por Luiz Patroni 
Fonte: Canal Rural




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