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25/03/2020 - Outros

Setor de máquinas agrícolas sente impacto de vírus na demanda


As vendas de tratores e colheitadeiras deveriam estar a todo vapor nas concessionárias dos Estados Unidos, já que agricultores precisam substituir com urgência a frota envelhecida. No entanto, esse não é o quadro e a produção na Europa é afetada pela falta de componentes na cadeia de suprimentos.

Esse é o dilema provocado pelo coronavírus. Atingidas no último ano pelas incertezas da guerra comercial e baixos preços agrícolas que levaram agricultores a segurarem os gastos, as maiores fabricantes de máquinas do mundo agora tentam lidar com a ambiguidade em torno da pandemia, sem saber dizer quanto tempo a situação vai durar ou a dimensão do impacto econômico.

O resultado: tanto Deere quanto AGCO deixaram de oferecer guidance na segunda-feira e ambas disseram que planejam reduzir as operações. Para a Deere, a decisão ocorre apenas um mês após o anúncio de aumento inesperado do lucro e a manutenção da projeção anual diante dos primeiros sinais de estabilização no setor agrícola dos EUA. Agora, como o coronavírus tira a capacidade de prever o futuro com confiança, a empresa muda de direção.

"O mercado está precificando uma baixa significativa" para as empresas de máquinas, "mas uma pandemia global não ocorre há mais de 100 anos, portanto, não há muito precedente para se apoiar", disse Mircea Dobre, analista sênior de pesquisa do Robert W. Baird & Co., em relatório recente.

As vendas de tratores de grande porte nos EUA já estão 50% abaixo do pico, de acordo com a Bloomberg Intelligence. Normalmente, isso seria um sinal de que as necessárias compras devem ocorrer. No entanto, como os EUA começam a paralisar a economia para conter a propagação do vírus, a Deere disse que vai reduzir algumas operações e fechar outras temporariamente, mesmo que o setor tenha sido designado como negócio essencial de infraestrutura pelo governo dos EUA. Dados atualizados serão fornecidos na divulgação do balanço e teleconferência programada para 22 de maio, segundo a empresa.

Em fevereiro, a Deere previu lucro entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,1 bilhões em comunicado que não mencionava o coronavírus, já em propagação pela China. A estimativa média de analistas era de lucro de US$ 2,9 bilhões. A empresa teve lucro ajustado de US$ 1,63 por ação no primeiro trimestre, acima de US$ 1,54 do ano anterior.

Na Europa, a produção da AGCO já foi significativamente reduzida ou suspensa em várias fábricas diante do avanço do vírus no continente, informou a empresa em comunicado. A AGCO disse que a situação é consequência da falta de componentes e restrições na cadeia de suprimentos europeia. A empresa espera paralisações em outras regiões, segundo o comunicado.

No Brasil, um mercado-chave para fabricantes globais de máquinas, a propagação do coronavírus causa o cancelamento de feiras agrícolas, o que piora as perspectivas de vendas. As feiras agrícolas, onde fabricantes de máquinas exibem seus equipamentos, desempenham papel importante nas vendas para empresas. No ano passado, a Agrishow, a maior feira agrícola do país, gerou R$ 3 bilhões em vendas.

Os fracos fundamentos agrícolas e a falta de detalhes sobre o acordo comercial EUA-China da fase um são fatores negativos para 2020. No longo prazo, porém, o envelhecimento da frota e o crescimento da população mundial devem favorecer o setor, de acordo com relatório da Bloomberg Intelligence. Com isso, a adoção de métodos de agricultura de precisão de alta tecnologia e mais caros e serviços de pós-venda terão mais peso para os lucros.

Por Lydia Mulvany e Tatiana Freitas
Fonte: Bloomberg/UOL




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