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12/03/2019 - Soja

Será que vale comprar e arrendar terras para produzir soja no Piauí?


As terras do Piauí têm um dos menores preços do país, incluindo os arrendamentos, na comparação com outras localidades produtoras de soja. O levantamento foi realizado pela consultoria Informa Economics IEG|FNP Mas será que vale a pena investir na região? Entenda os prós e contras e a opinião dos produtores do estado.

Quando a família Kudiess saiu do Rio Grande do Sul para plantar soja no Piauí, as coisas estavam bem diferentes de hoje: os dois filhos ainda eram crianças, a vida nova tinha menos conforto e os desafios se mostravam grandes.

“Meu marido Thomas tinha esse sonho. A gente tinha conversado muito a respeito e quando viemos pra Uruçuí, era pra ficar, pra aguentar no osso. Então não tive vontade de voltar, não”, diz a produtora Damaris Kudiess.

Assim como outras famílias, eles saíram do Sul a convite do governo do Piauí. O que atraiu os produtores foi a possibilidade de comprar áreas maiores e expandir a produção. Vinte anos depois da mudança, a propriedade do casal tem quase cinco mil hectares de área plantada de soja, que rendem na média umas 67 sacas por hectare.

Vale ficar de olho
O valor da terra aqui em Uruçuí é um dos menores do país: em torno de R$ 10 mil por hectare, com potencial para média fertilidade. Mas antes de comprar, o produtor precisa prestar atenção em outros pontos, como a infraestrutura e a localização da área.

A região em que a propriedade da família Kudiess está faz toda a diferença, ainda mais se avaliar o regime de chuvas. Outro ponto positivo para a localização é a influência no escoamento da safra.

“Nós temos estradas que ligam Teresina a Uruçuí, ou então Porto de São Luís a Uruçuí. Mas em boa parte do Cerrado, onde está também há região produtiva, a situação ainda é muito precária, sem estradas, energia e isso tem se tornado um grande gargalo”, afirma o secretário municipal de Agricultura, Samuel Werner.

Fora o problema com algumas estradas, também estão entre os pontos negativos as questões fundiárias e a falta de infraestrutura de manutenção de maquinários e caminhões. Mas o valor da terra compensa alguns infortúnios.

Valor do arrendamento
Além de analisar o valor das terras, um levantamento da consultoria em agronegócio FNP Economics também calculou o preço dos arrendamentos. Em Cascavel, no Paraná, o produtor paga entre 21 e 27 sacas de soja por hectare por ano. Em Sinop, Mato Grosso, o valor fica entre 6 e 12 sacas. Já em Uruçuí, o valor máximo não ultrapassa nem 10 sacas.

O presidente da Aprosoja do Piauí explica que o arrendamento na região é mais voltado para o produtor que já está no estado e quer expandir.

“Normalmente são áreas vizinhas, o que agrega ao negócio. Se você pegar um arrendamento de 6 a 10 sacos, em uma área média que vá produzir de 40 a 50 sacos, com um custo mínimo de 35 sacos, consideramos uma margem perigosa. Ainda mais com as intempéries climáticas, reduzindo essa média. O arrendamento vejo como um complemento para o produtor já estruturado, não apenas um negócio por si só.”, diz o presidente da Aprosoja Piauí, Alzir Pimentel.

Vale ou não vale?
Mas se a dúvida é se vale a pena comprar terras no Piauí, ou não, a resposta de todos os entrevistados foi sim! A família Kudiess só volta para o Sul agora, para visitar o resto da família. Para eles, o esforço foi compensado.

“Porque tem coisas que o dinheiro não compra, né? Ensinamentos que a gente não tem quando tem o conforto. Então tem muita carga de conhecimento, de família, de companheirismo, prioridades que se tornaram diferentes pelo fato de ter vindo pra cá, além do ganho financeiro”, finaliza Damaris.

Por Carolina Lorencetti
Fonte: Canal Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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