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08/08/2019 - Tecnologia

Saiba como a tecnologia vai do campo até a mesa


Do campo para o campus e de volta para o campo. Esse caminho vem sendo percorrido por jovens, filhos de agricultores ou produtores de aves, suínos e leite, que saem em busca de conhecimento na universidade e voltam para a propriedade com tecnologia e soluções para os velhos e conhecidos gargalos.

Uma oportunidade para jovens curiosos por tecnologia, que agora encontram no agro um cenário lucrativo. Embora o caminho nem sempre seja esse, com raízes no campo, a verdade é que o Agro 4.0 tem aberto oportunidade para novas profissões e novos mercados para quem investe em conhecimento de TI, programação, criação de softwares e aplicativos voltados para o agronegócio.

Recentemente o programa de capacitação Startup SC, iniciativa do Sebrae de Santa Catarina, anunciou as 50 empresas selecionadas para participarem do programa. Entre elas, ao menos dez das startups escolhidas oferecem soluções relacionadas à cadeia de produção agro e distribuição de alimentos.

Tecnologias para a qualidade do leite se destacaram no programa, entre elas a Alcance Tecnologia, criadora do Metaprism Mercury, um sistema que permite o controle e a otimização da coleta de leite por coletores, cooperativas ou laticínios. Os dados relativos a cada coleta são integrados em uma plataforma web para acompanhamento periódico.

Outra tecnologia selecionada foi a Bionexus, que oferece uma análise de amostras de leite cru em 60 segundos. Os indicadores de qualidade são armazenados na nuvem em uma plataforma integrada que conecta o produtor, a indústria e consultores rurais.

A Sempre Mais Sistemas também aparece entre os softwares do agronegócio com o premiado Mais Leite, que monitora indicadores da qualidade do leite e oferece informações estratégicas aos produtores. Uma das sócias da empresa, Taubita Sordi, que também é filha de produtores de leite, destaca que o projeto já foi premiado nacionalmente, pelo edital Sebrae de inovação em 2016, e é mencionado como destaque de inovação no agronegócio em SC.

Táubita trabalha há mais de 11 anos com Tecnologia da Informação (TI), é especialista em Qualidade de Software, mas foi em 2014 decidiu unir formação com o meio rural. Hoje a Sempre Mais Sistemas é uma empresa que desenvolve soluções para o agronegócio, com forte atuação na cadeia leiteira, afim de fomentar a produção e a gestão da informação.

Everton Lenger é filho de produtores de leite de Cordilheira Alta, Oeste de Santa Catarina e hoje desenvolve soluções para o aplicativo Mais Leite conhecendo de perto o dia a dia do campo. O colega, Iuri Pilatti, que veio de Quilombo, conta que tinha curiosidade por computadores, estudou Sistemas de Informação e hoje também é programador do app.

Segurança Alimentar
Duas tecnologias para a cadeia de alimentos prometem levar qualidade até a mesa. A Neokohm desenvolveu um sistema remoto de controle e telemetria das variáveis de processo que compõem a cadeia aplicada no transporte refrigerado. E a PackID apresentou um sistema de monitoramento em tempo real de temperatura e umidade que pode ser aplicado em toda a cadeia de distribuição de alimentos, evitando perdas. Tudo isso significa segurança alimentar.

Cocoricó e Coopig
Interface amigável e bom humor na escolha dos nomes chamaram a atenção para a Gravitwave, que desenvolveu duas plataformas online: coopig e cocoriko. Nelas os produtores de suínos e aves podem controlar indicadores de produtividade. A plataforma conta ainda com um equipamento que coleta as informações diretamente dos sensores da propriedade.

Um dos sócios da empresa, Iskailer Rodrigues explica que a plataforma permite monitorar em tempo real a temperatura, umidade e concentração de gases dentro da granja remotamente, e que tudo isso implica em bem estar animal e melhores condições de trabalho

— A ideia na escolha dos nomes das plataformas, Coopig e Cocoricó, tem haver com o fazer em conjunto, cooperar. Pensamos em uma ferramenta simples de operar, amigável. É uma forma de ajudar o produtor. A gente costuma falar que é como entregar um trator para o produtor que estava carpindo um lote com enxada — comenta Rodrigues.

O jovem empreendedor ganhou o prêmio do programa Sinapses da Inovação, iniciativa do governo de Santa Catarina em 2016. O valor da premiação bancou parte do investimento para iniciar a agrotech, ou agtech, como são chamadas as startups do agronegócio.

Rodrigues frisa que a tecnologia precisa ser eficiente, trazer lucro e trazer qualidade de vida ao produtor.

— A tecnologia transforma dados em informação e junta com o conhecimento que ele já tem na granja. É a internet das coisas conectando tudo — finaliza o empresário.

De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), as agtechs crescem, em média, 70% ao ano, em um mercado que movimenta aproximadamente R$ 15 bilhões.

E o que é essa tal internet das coisas?
IOT, ou Internet das coisas, são tecnologias que conectam informações coletadas através de equipamentos instalados no ambiente, como os sensores do Coopig e do Cocoricó.

Cada dia mais, e de uma forma imprevisível, a tecnologia entrou nas vidas das pessoas no meio urbano e também do meio rural, e o que pode parecer conectividade apenas para diversão e entretenimento, pode surpreender.

É preciso olhar melhor para o agrotech, prestar atenção no Agro 4.0, porque ele sai do campo e chega até a sua mesa. Assim, você pode notar que hoje a diferença nas tomadas de decisões certeiras é a informação.

Seja ela no campo ou no supermercado, a Internet das coisas liga campo, meteorologia, produção de proteína animal, transporte de alimentos, segurança alimentar e conecta de uma ponta até a outra.

Por Agro 4.0
Fonte: G1




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