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19/03/2019 - Milho

Safrinha vira 'safrona' após frustração


A safra de verão no Paraná sofreu com os impactos climáticos e deve ficar até 20% abaixo do previsto inicialmente. De setembro de 2018 para cá, conforme os meses foram passando, o potencial de 19,6 milhões de toneladas foi caindo gradativamente para 16,4 milhões de toneladas. A produtividade média que em 2017/18 foi de 58,8 sacas por hectare, em 2018/19 deve fechar em torno de 50,2 sacas por hectare. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).

Com essa frustração na oleaginosa, a segunda safra de milho, também conhecida como safrinha, virou uma “safrona” em importância. Com menos dinheiro em caixa, um bom rendimento no milho se tornou mais fundamental do que nunca para tentar reequilibrar as contas. Até o momento, o clima é de otimismo quanto ao potencial produtivo, com um aumento de 4% na área plantada e quase 40% a mais no volume produzido em relação ao ciclo passado.

Nelson Paludo, presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Faep, ratifica que a safrinha se tornou a grande aposta dos produtores do Estado. Mas há um risco a ser considerado. Com a falta de chuva e o calor excessivo, o ciclo da soja encurtou e os produtores então não tiveram outra escolha a não ser antecipar o plantio do milho segunda safra. “O milho que já está pendoando agora. Com plantio mais precoce, ele vai praticamente completar o seu ciclo antes de uma possível falta de chuva em abril. Tem outra parte, que foi plantada mais tarde, que aguardamos para ver as condições climáticas e ter uma noção melhor”, pondera.

Paludo confirma que um bom desempenho na safrinha será um alento após uma grande frustração entre os produtores da região. “Uma produção boa dá uma segurança de que vamos ter produtos para vender. Mas para isso temos também que ter preço. Tomara que isso ajude. Até agora estamos acompanhando a cotação e ela está mantendo uma média esperada. Esses primeiros milhos não devem ter uma pressão grande do mercado, por entrarem antes da média histórica, temos que ficar atentos e ver como se comporta o mercado”, previne.

CENÁRIO
Para Camilo Motter, analista de mercado da Granoeste, ainda é cedo para cravar se os preços serão ou não convidativos quando a colheita começar. “O que costumo dizer é que o preço de milho disponível nessa fase do ano não está muito ligado à colheita da safra de verão, do milho disponível, mas sim com o andamento na safrinha. Fevereiro, março e abril são meses nos quais precisamos dar atenção às condições no campo. O mercado está bem ofertado hoje e estamos vivendo um momento bastante travado nas negociações do cereal”, explica.

Sobre o potencial de repor as perdas com soja, Motter acredita que safrinha vai ter uma boa produção, mas com o escalonamento de plantio em tempos diferentes do milho é preciso ficar ainda mais atento ao clima. “Dos últimos quatro anos, em três tivemos problemas com seca entre abril e maio. Isso tudo está pela frente e o milho adiantado não anula as perdas por seca, porque tem muito em fase ainda inicial, que foi plantado entre fevereiro e março”, diagnostica.

IMPORTANTE
Luiz Fernando Gutierrez, consultor de mercado da Safras e Mercado, concorda que com a quebra na safra de soja, a safrinha se tornou ainda mais importante. “No ano passado, a soja teve uma produção melhor e a safrinha registrou perdas, e esse ano a situação parece que vai se inverter. A segunda safra volta a ter maior protagonismo, o milho volta a ser um produto importante para produtores que nos últimos anos tiveram ótimos resultados com a soja, mas que nesse momento precisam compensar as contas da quebra na primeira safra”, avalia.

Sobre o cenário de preços, Gutierrez demonstra cautela sobre um possível cenário positivo. “Se a gente colher uma safra cheia o cenário não é muito positivo. Deve ter aumento de área de milho nos EUA, com a guerra comercial com a China, e diminuição na área de soja. Naturalmente, isso traz um indicativo negativo, com maior oferta do maior produtor do mundo de milho. Isso é ruim para o preço de Chicago e pode pressionar negativamente as cotações internas. O panorama para o preço, de fato, não é muito positivo. Claro que temos a questão de que muita coisa pode mudar, os americanos ainda não plantaram, só temos intenção de plantio. É preciso acompanhar as próximas semanas para vermos o rumo que o mercado vai tomar”, diz.

Fonte: Correio do Cidadão - http://tempuri.org/tempuri.html




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