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15/03/2019 - Soja

Safra gaúcha vai na contramão do País


Quando o produtor Eny Fiorentin plantou as primeiras sementes de soja desta safra, no final de outubro, a chuva começou a castigar a região de Ronda Alta, no norte do Rio Grande do Sul. Muita soja se perdeu nas áreas que ficaram embaixo d´água, obrigando o agricultor a replantar alguns talhões. Passado o susto, já na fase de enchimento do grão, foi a vez do veranico dar as caras com mais 17 dias de sol forte e sem um pingo de chuva.

Mas quem ouve essa história contada pelo próprio produtor, que tem 40 anos de experiência produzindo na região, não faz ideia de que a expectativa dele para os próximos meses é colher mais soja do que na safra anterior. O milho, então, deve ter produtividade recorde. “Agora, se o tempo não atrapalhar, vamos colher um pouco mais do que no ano passado”, afirma Fiorentin. O que ocorre na propriedade dele é um retrato do resto do estado.

Apesar de estar apenas no início, a colheita da safra 2018/2019 no Rio Grande do Sul deve render maior produtividade e volume total produzido do que a safra anterior. De acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o estado deve produzir neste ano 34 milhões de toneladas de soja – 1,5% a mais que a safra anterior, que foi de 33,5 milhões de t. Em 2017/2018, o estado sofreu com a estiagem. Já a produtividade média das lavouras gaúchas nesta safra deve chegar a 53,4 sacas por hectare, ante 51,7 sc/ha do ano anterior.

Isso não quer dizer que o Rio Grande terá uma safra cheia, como a de 2017, quando as médias chegaram a 56,4 sc/ha. As projeções iniciais eram de uma produção de 34,7 milhões de t, mas o excesso de chuvas nas regiões sul e oeste do estado comprometeram muitas lavouras, segundo o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. “A expectativa, de um modo geral, é boa, mas algumas regiões não foram muito bem, principalmente nas áreas de arroz que também produzem soja. Elas foram atingidas por muita chuva, com perdas de mais de 1 milhão de toneladas de soja e arroz”, explica.

Ao contrário do que ocorreu no restante do país, as perdas no RS não foram generalizadas. “Tivemos mais perdas por enchente. A estiagem tem uma área de abrangência infinitamente maior do que a enchente, que afeta mais as regiões no entorno dos rios, e tem uma capacidade de estrago menor”, prossegue Antônio da Luz.

Supersafra de milho
Em Ronda Alta o fator climático, apesar de presente, não chegou a afetar tanto. Na fazenda de Fiorentin, dos 210 hectares, 165 são de soja e 45 de milho verão. A expectativa este ano é colher 72 sc/ha, mais do que as 68 sc/ha do ano passado, mas ainda assim longe da produtividade do ano retrasado: 79 sc/ha. E se para a soja a projeção é boa, para o milho é melhor ainda. “Esperamos colher a melhor safra dos últimos anos, em torno de 210 sc/ha na média”, afirma Fiorentin. Para se ter uma ideia, na safra 2017/2018 o produtor colheu 160 sc/ha.

O segredo, segundo Fiorentin, é a rotação de cultura, que tem elevado os níveis de fertilidade do solo. Além da soja ele planta aveia, trigo, nabo e canola. Na área onde havia canola, por exemplo, a produtividade média foi de 5 a 7 sacas por hectare maior do que nas demais áreas. A fazenda também tem servido como um laboratório para testar novos cultivares. Só no caso do milho este ano foram experimentados 10 novos produtos, sendo que 4 ainda nem estão no mercado. Alguns cultivares, do tipo superprecoce, chegaram a ter produtividades médias de 249 sc/ha.

De acordo com Antônio da Luz, da Farsul, a área plantada no RS aumentou 3,4% este ano (somando-se todas as culturas). Só a soja teve crescimento de 2,5%. Mas são as culturas de inverno que devem ter maior aumento de área, em torno de 30%, especialmente no trigo. As boas safras dos últimos anos, acompanhadas pela valorização dos preços, têm motivando os produtores a plantar.

No caso da soja, o economista diz que os produtores gaúchos têm investido bastante em maquinário, sementes e insumos. “Até mais do que deveria”, observa. O excesso de investimento em relação ao volume produzido acarreta em perdas de rentabilidade para o produtor. “Você produz mais, só não ganha dinheiro”, conclui.

Por João Rodrigo Maroni
Fonte: Gazeta do Povo




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