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09/06/2020 - Pecuária

"Reta de preços futuros" do boi gordo não condiz com a realidade


Em conversa com a DBO, o sócio diretor da Radar Investimentos, Leandro Bovo, diz que o comportamento estável dos preços futuros do boi gordo não reflete a atual realidade desenhada no mercado físico, que, mês a mês, tem dado claros sinais de que seguirá uma rota de alta ao longo dos próximos meses.

“O mercado futuro atual não tem uma curva de preços, mas sim uma “reta de preços”, brinca Bovo. Segundo ele, “todos os meses, o mercado futuro tem estado sempre no mesmo patamar de preço, que, não por coincidência, é o mesmo valor do mercado à vista. “Hoje, o mercado está sem nenhuma criatividade, simplesmente extrapolando para o futuro os preços atuais, sem considerar nenhuma mudança na relação oferta versus demanda para os demais meses”, observa.

DBO – Afinal, não vai ter desova de boiadas neste fim de safra?
Bovo – Me parece que este ano não teremos esse evento. Os preços tiveram todos os motivos para cair e não caíram em nenhum momento, já estamos há mais de 40 dias sem chuvas significativas em várias regiões produtoras.  Os preços da reposição não cederam nem com a entrada da safra de bezerros, então tudo leva a crer que este ano não teremos a chamada “desova de fim de safra”.

Os preços futuros atuais do boi gordo refletem, na sua opinião, o real comportamento do mercado para o futuro próximo (segundo semestre)?
O mercado futuro atual não tem uma curva de preços, mas sim uma “reta de preços”. Faço essa brincadeira porque hoje todos os meses do mercado futuro tem estado sempre no mesmo preço, que, não por coincidência, é o mesmo preço do mercado à vista. Ou seja, hoje o mercado está sem nenhuma “criatividade”, simplesmente extrapolando para o futuro os preços atuais, sem considerar nenhuma mudança na relação oferta X demanda para os demais meses.

Eu penso que essa precificação não faz sentido. É muito seguro afirmar que os preços não ficarão estáveis de agora até o final do ano, como precifica o mercado futuro. Considerando todos os testes que a arroba do boi gordo sofreu no primeiro semestre do ano e o desincentivo ao confinamento provocado pela conjunção de comida cara, boi magro caro/mercado futuro barato, a tendência seria de falta de oferta e alta de preços.

Na sua opinião, então, há espaço para aumentos nos preços da arroba?
O mercado interno está fragilizado pela crise do coronavírus e pelo aumento do desemprego, então esse não será um vetor de alta. Para termos altas mais consistentes dependeremos da força das exportações de carne bovina. Sazonalmente, no segundo semestre o volume exportado é maior. Então, se isso se confirmar, principalmente tendo a China mais ativa nas compras, esse pode ser o vetor para o rumo dos preços no segundo semestre.

Você também acredita em uma queda em torno de 10% no confinamento este ano (no geral, considerando primeiro e segundo giro), de acordo com projeções de outros analistas de mercado?
É muito difícil precisar o percentual de queda, porém, como o confinamento não foi incentivado em nenhum momento, penso que teremos um menor volume de animais confinados no segundo semestre. Além disso, podemos ter revés negativo na atividade de semiconfinamento, cujos números não são acompanhados de perto pelo mercado, mas podem ter um impacto maior até do que a queda do confinamento.

Por Denis Cardoso
Fonte: Portal DBO




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