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30/01/2019 - Pecuária

Rastreador de gado via satélite agrega valor aos pecuaristas


Pecuaristas que precisam agregar valor para os produtos, acessar mercados consumidores mais sofisticados – e de quebra se proteger de eventuais multas ambientais ou embargos sanitários impostos por nações estrangeiras – contam agora com um poderoso aliado: um rastreador de gado em formato de colar que utiliza dados transmitidos via satélite e registra os locais que o animal passou durante todo o período de engorda.

A tecnologia foi criada por meio de uma parceria entre as empresas EcoBoi e Tracking System e a Globalstar, líder mundial em serviços de voz e dados via satélite, e foi testada pelo Grupo Gaia de Pesquisa em Ruminantes da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP).

Apesar de não ter sido criado com esse fim, o produto também pode ajudar a minimizar os prejuízos dos produtores com os roubos cada vez mais frequentes nas fazendas, uma vez que os animais “perdidos” podem ser facilmente localizados e colocados em local mais seguro. Também podem ser criadas cercas virtuais e, assim que um animal ultrapassa a área demarcada, o produtor é avisado.

O EcoBoi, nome dado ao rastreador satelital, atende todos os requisitos da Instrução Normativa 17, de 13 de julho de 2006, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, que estabeleceu as regras para o SISBOV (Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos). Até então, nenhuma das tecnologias disponíveis para o rastreamento de bovinos usava a comunicação via satélite.

Uma das principais vantagens do sistema via satélite é que o produtor pode comprovar, por meio de relatórios precisos, as áreas exatas que determinado animal passou – ou não – durante toda a sua vida. “Isso é extremamente útil no caso de ocorrência de problemas sanitários. Hoje, mesmo os produtores de áreas distantes de um foco de febre aftosa, por exemplo, acabam sendo prejudicados. Com o EcoBoi, ele poderá demonstrar que o seu rebanho não teve nenhum tipo de contato com as regiões afetadas”, explica Marcos Morais, Diretor Comercial da Tracking System.

Com os dados de localização, o criador conseguirá também comprovar que cumpriu as leis ambientais, não permitindo a pastagem em áreas sensíveis como a Amazônia e o Cerrado, por exemplo. Isso é uma exigência de muitos países importadores de carne brasileira.

Funcionamento do sistema
O funcionamento do rastreador EcoBoi é bastante simples e as informações podem ser acessadas pelo próprio pecuarista. O EcoBoi conta com um transmissor de sinais que são captados pelos satélites da Globalstar e encaminhados para o centro de monitoramento. Depois, passam por uma análise da Tracking System, que disponibiliza as imagens para serem visualizadas pela internet, por qualquer pessoa e de qualquer lugar do mundo, com a base de dados do Google Maps.

O sistema consegue armazenar todos os dados do animal, como informações sobre o seu histórico de vida e todos os locais por onde ele pastou. Além disso, é possível acrescentar informações sobre vacinação, características e idade do boi. Deste modo, o pecuarista consegue fornecer aos abatedouros um relatório com a localização por onde aquele animal passou, entre outros dados.

O colar no dia a dia dos bovinos
De acordo com estudos realizados pelo Grupo de Pesquisa Gaia/Ufra e pela FZEA-USP, os colares não afetam o comportamento de bovinos e não causam nenhuma reação alérgica ou demartopatia nos animais.

Para o professor da Ufra, Rinaldo B. Viana, a tecnologia é muito importante para os grandes criadores de gado do País. “Quando pensamos no bem-estar dos animais, a marcação de ferro não é mais aceitável. Além disso, considerando a quantidade de bovinos e as grandes área de pastagem, essa técnica também não é eficiente para o controle dos animais. Já com os colares satelitais é possível fazer a identificação dos animais sem dor e ainda ter informações e fazer um rastreamento preciso durante todo o período de engorda”, explica.

Segundo a professora da FZEA-USP, Luciane Silva Martello, o aumento do número de tecnologias voltadas para a criação de bovinos de corte a pasto possibilita transformar os dados de comportamento dos animais em informações importantes, sendo possível interferir de maneira positiva no manejo dos animais para alcançar melhores desempenhos. Informações sobre hábitos de descanso, alimentação e pastejo podem servir como indicativos do estado de saúde dos animais, e possibilitar ao criador a tomada de decisão sobre a melhor estratégia para determinado animal ou lote.

“Quando avaliamos o comportamento dos bois em relação às atividades de comer, beber e descansar conseguimos reconhecer se existe algo trazendo desconforto para o animal. Por outro lado, ao introduzir um dispositivo/tecnologia inserido em um colar, por exemplo, é importante saber se essa nova tecnologia poderá interferir no comportamento natural dos animais. Realizamos alguns testes nos animais com e sem colares e não observamos estresse ou efeitos negativos sobre o bem-estar e comportamento habitual dos animais com esses dispositivos”, detalha.
Fonte: Exame (Comunicação Corporativa) - http://tempuri.org/tempuri.html




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