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27/09/2018 - Pecuária

Raio-x das pastagens no Rally da Pecuária


As pastagens continuam sendo um gargalo importante da pecuária. É o que mostram dados do Rally da Pecuária. Nas análises, dependendo do critério adotado, de 50% a 77% das áreas de pasto do público da expedição estão em processo de degradação. A porcentagem de pastagem considerada degradada se manteve estável, em 3%, mesmo com a adoção de uma metodologia de avaliação mais rigorosa. “Consideramos degradado o pasto que não tem mais capim, que a população de planta por metro quadrado é insuficiente. Se for controlar invasoras não vai sobrar pasto e se adubar o que vai produzir não vai ser pasto; tem que reformar”, explica Maurício Palma Nogueira, sócio-diretor da Athenagro e coordenador do Rally.

Com a avaliação mais rigorosa, quantificando a presença de plantas invasoras, aumentou a porcentagem de pastagens que se encaixam na qualidade 2. “Isso mostrou que o problema pode ser maior do que imaginávamos. Mas agora temos que ver se isso se manterá nos próximos anos”. De acordo com ele, os outros níveis de qualidade não importam tanto para a análise, pois podem sofrer influência de taxa de lotação, nível de chuvas, entre outros fatores. A nova metodologia, além de amostragem mais rigorosa, também conta com o uso de drones, que permitem visão de uma área maior da pastagem.

A expedição, com a Agrosatélite, também fez a avaliação por imagens de satélite das áreas de pasto. “O interessante dessa avaliação é que conseguimos buscar o passado das áreas, identificar se o pasto foi reformado, recuperado, pegou fogo, ou seja, estabelecer curvas do que está acontecendo com ele”. A análise mostrou que 40% das áreas amostradas na Mata Atlântica, 27% do Cerrado e 10% na Amazônia estão melhorando, enquanto 22% na Amazônia, 11% no Cerrado e 5% na Mata Atlântica estão perdendo massa ano a ano por causa do processo de degradação.

Reformas
De acordo com Nogueira, os índices de reforma entre o público do Rally vêm melhorando ano a ano. Em 2018, o público da expedição afirmou que 8,3% das áreas de pastagens passavam por reforma anual. Nos primeiros anos do Rally, a taxa estava em torno de 16% a 18%, descontando quem faz integração. “Uma das bandeiras que levantamos é o uso de recursos eficientes nas fazendas. Identificamos que só 3% da área de pasto precisaria de reforma”, diz Nogueira. 

Segundo ele, o pecuarista poderia usar os recursos que aplica na reforma para recuperar as pastagens, medida que tem metade do custo da primeira. “Em três anos, ele sairia da degradação de pasto com o mesmo dinheiro. Claro que precisaria de mais recursos para aumentar o rebanho, outros pacotes tecnológicos, mas fecharia esse gargalo fazendo uma avaliação correta da fazenda. O que dá para recuperar, é melhor recuperar, não preciso replantar”.

Outros dados
Da área total de pastagens plantadas (782.946 ha) coberta pelo público da expedição, em 8,9% é feita calagem e 9,4% recebe adubação. O último índice, inclusive, caiu em relação ao ano anterior. “Mas acreditamos que seja pontual”, diz Nogueira. Já 22,8% da área conta com aplicação de herbicidas, enquanto 2,6% é área anual de roçadas manuais. “Temos que lembrar que parte – se não toda ela – da roçada manual também é aplicação de herbicidas”.

A edição de 2018 do Rally da Pecuária visitou propriedades em 11 Estados entre junho e agosto, o que resultou em 2.275 pastos amostrados e georreferenciados. Na público da expedição, a distribuição de pastagens foi de 782.946 hectares de área plantada e 74.195 de campo ou pasto natural. 

Fonte: Portal DBO.




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