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22/01/2019 - Soja

Projeto pretende estabelecer parâmetros para iniciativas conservacionistas


Um projeto da Embrapa Soja em parceria com a UEL (Universidade Estadual de Londrina)e a Cooperativa Cocamar vai monitorar a qualidade do solo em propriedades rurais de diferentes regiões do Paraná. O objetivo é criar um banco de dados para estabelecer parâmetros e auxiliar na elaboração de projetos conservacionistas nas propriedades rurais do Estado. Nas próximas três safras serão avaliadas as qualidades física, química e biológica do solo. 

Há dois anos a Embrapa articula a Caravana de Solo que percorre as propriedades para observar o solo e como afeta a produtividade das lavouras. "O piloto da caravana avaliou propriedades com manejo tradicional e aquelas que faziam consórcio de milho e braquiária. A proposta agora é maior, incorporamos o caravana com o Rally da Cocamar", explicou Julio Francischini, pesquisador de manejo do solo da Embrapa Soja. 

Para o projeto foram definidas 24 lavouras com histórico de manejo tradicional e de consórcio, em quatro regiões com diferentes altitudes. "A altitude é importante porque influencia a temperatura e a chuva, fatores que afetam o acúmulo de matéria orgânica no solo. Áreas com temperatura mais alta têm maior dificuldade de acumular matéria orgânica porque a decomposição é mais rápida", disse Francischini. 

Uma das regiões que compõe a amostra é a do Arenito Caiuá, que tem menos de 500 metros de altitude e possui solos arenosos (Iporã e Jussara). A outra região é a de basalto com solos argilosos. Neste caso, há lavouras a menos de 500 metros de altitude, que ficam no Norte (Maringá e Londrina) e lavouras com mais de 500 metros (São Sebastião da Amoreira e Sertanópolis). Também compõem a amostra áreas de Integração Lavoura Pecuária e outras formas de diversificação de culturas no sistema plantio direto. 

As análises da safra 2018/19 foram feitas 30 dias após o plantio da soja. Foi usado o Dres (Diagnóstico Rápido de Estrutura de Solo), metodologia que avalia a qualidade física do solo no campo sem a necessidade de levar as amostras para o laboratório. 

"A análise nos diz se o solo está bem estruturado e permite o bom crescimento de raízes", contou o pesquisador. Ele explicou que em uma área de consórcio com braquiária a proteção contra erosão é de 80% a 90%, enquanto que a talhada só de milho é de 30%. 

MANEJO 
Os pesquisadores também estudam a taxa de infiltração de solo. No manejo com soja e milho, exemplifica Francischini, a infiltração é de 20 a 30 milímetros por hora, já no uso do consórcio a taxa é de 70 a 80 mm/hora. Foram feitas imagens aéreas para levantar informações operacionais, distribuição do vigor das plantas. 

Francischini exemplifica que conhecer a taxa de infiltração de água é um indicador de qualidade estrutural do solo porque a água que não infiltra não fica disponível para as plantas. "Uma alta taxa de infiltração é essencial para aumentar a disponibilidade de água às plantas, evitando seu escoamento e erosão. Além disso, a infiltração de água é o parâmetro básico para a construção dos terraços nas propriedades. E hoje carecemos de dados precisos em diferentes situações para o planejamento próximo da realidade", disse. 

O pesquisador lembra que nas duas safras anteriores a produtividade foram muito boas. 2016/17 teve a melhor safra de todos os tempos (19,6 milhões de toneladas). "Tivemos uma safra perfeita do ponto de vista climático. Já em 2017/18 teve problemas de excesso de chuva. E agora estamos com seca. Quando você tem manejo ruim do solo ele vai armazenar pouco água e a raiz não vai conseguir crescer", explicou. 

A qualidade do solo pode reduzir em até 80% do potencial da produção de grãos. Francischini contou que na região de Toledo, que sofreu com 30 dias de seca, uma propriedade que na safra 2017/18 colheu 98 sacas/hectares, reduziu a produtividade para 20 sacas/hectares nesta safra. Dentro da mesma região, propriedades com bom manejo de solo tiveram produtividade de 50 sacas/hectares.

"O trabalho visa estarmos preparados para momentos ruim. Estávamos vivendo quatro a cinco safras sem problema de seca, mas ela faz parte do clima da região e precisamos estar preparados para reduzir esse impacto", ressaltou Francischini. 

RESULTADOS 
Para a Embrapa, conduzir as pesquisas em parceria com a iniciativa privada é importante, porque aproxima a empresa da assistência técnica e dos produtores, que são os usuários da tecnologia. "Quando eles fazem parte do processo, a legitimidade dos resultados é muito maior", avalia. 

"É muito diferente o produtor dizer que o manejo adequado traz retorno, a partir da experiência pessoal, e com o respaldo de dados científicos", afirmou Henrique Debiasi, pesquisador da Embrapa Soja. "Isso é relevante também para outros produtores que ainda não estão adotando as mesmas práticas conservacionistas, porque conseguem visualizar que não é algo inacessível, pelo contrário, apesar do esforço, traz muitas vantagens". 

O trabalho será conduzido ao longo das próximas três safras. O projeto foi inserido no calendário do Rally Cocamar de Produtividade e teve como trajeto os seguintes municípios paranaenses: Iporã, Mandaguaçu, Jussara, Florai, Maringá e São Jorge do Ivaí, Primeiro de Maio, Sertanópolis, São Sebastião da Amoreira e Santa Cecília do Pavão. Ao final da safra de soja, os resultados serão repassados aos produtores por meio de dias de campo e outros eventos técnicos.

Por Aline Machado Parodi
Fonte: Folha de Londrina





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