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14/07/2020 - Milho

Produtores reclamam da falta de fiscalização na classificação de grãos


Com mais da metade da segunda safra de milho colhida em Mato Grosso, produtores e tradings mais uma vez divergem sobre a classificação do grão. A falta de fiscalização no determinador de umidade dos armazéns é a principal reclamação dos produtores.

Em Lucas do Rio Verde, o ritmo das máquinas é acelerado na propriedade de Denis Ogliari. A colheita do milho segunda safra está praticamente encerrada na área de cinco mil hectares e, apesar da falta de chuva durante o ciclo da cultura, o agricultor comemora o resultado. A produtividade média ficou em 115 sacas por hectare.

A frustração, segundo ele, ocorreu da porteira para fora: na entrega de 80 mil sacas para uma trading. ” [Estou] satisfeito com a produção, mas, mais uma vez insatisfeito com a classificação. Fizemos uma troca de milho por adubo, foi verificado na entrega do milho que está tendo uma divergência de classificação, diferença de umidade. Eu tentei amigavelmente uma solução com eles, no entanto, não fui atendido  e acionamos o classificador da Aprosoja, onde o mesmo fez uma classificação, acompanhou a classificação, acompanhou a colheita e constatou a diferença”, disse.

Classificador oficial do Ministério da Agricultura, Huander Moreira explica que está sendo feito um acompanhamento e que houve essa divergência com a avaliação da trading. ”A gente fez o acompanhamento dessas cargas na lavoura, a trading também acompanhou a nossa classificação. Foram duas cargas assim que passaram pela classificação e já deu uma diferença 0.9 no primeiro impasse e, assim que a carga chegou lá na trading, deu uma diferença de 1.2, chegando até 1.6. A situação foi questionada junto ao comercial e à qualidade, onde nos passaram que iriam tomar uma devida providência,  mas até o momento nada foi resolvido. Pedimos, então, a contra -amostra, mas se recusaram a entregar, alegando que só entregariam com ordem judicial”, disse Moreira.

Essa angústia também tomou conta do Gilberto, que reclama dos descontos na carga de 20 mil sacas de milho entregues em outra empresa. Segundo ele, a diferença chegou a 300 sacas. Revoltado, ele também acionou o classificador credenciado pelo ministério, que atestou a divergência. “Estou entregando milho com 14 de umidade e estão descontando 4,6 sacos de milho, isso me dá um valor de 136 reais por hectare. Fiz um investimento um pouco melhor esse ano, estou colhendo 140 sacas e era para ter uma margem de lucro para poder fazer um pouco de investimento na propriedade, mas com essa divergência que está acontecendo, a diferença está indo para o ralo”, lamentou.

“Foi um ano de muita demanda. Teve trading onde, a maioria das unidades, deu problema de umidade de 1,5 até 3,4 pontos de diferença. Outra empresa tinha dado 10% de avariado, e nossa classificação apontou 0,4, o que fez o agricultor parar de entregar nessa trading, mas o principal foco foi na umidade, pois tivemos um ano favorável para o agricultor, alta produtividade, mesmo assim as trading usaram como consequência a umidade”, falou Huander Moreira.

Para o agricultor Gabriel Lens, que também teve problemas com tradings, é possível que haja um problema de calibragem nos equipamentos e não de má fé nas empresas receptoras. “Fiz o chamado ao classificador da Aprosoja, eles prontamente me atenderam e foi realmente constatada uma diferença na classificação realizada pelo classificador da Aprosoja deu 1,7% da umidade, comparando em um armazém e outro teve diferença de até 2 pontos a mais de umidade, eu já acho que isso é um problema nos órgãos que faz a aferição dos aparelhos de medição. Talvez eles não estejam falando a mesma língua, talvez as empresas que fazem essa aferição não estão trabalhando com as mesmas curvas para estar acontecendo isso, porque é impossível que todos os armazéns estariam agindo de má fé em questão da umidade”, disse.

A denúncia de falha na calibragem dos aparelhos que medem a umidade dos grãos em duas unidades de uma trading em Mato Grosso reforça a desconfiança do setor produtivo de que ocorram problemas no equipamento. A aprosoja espera o ressarcimento da cobrança indevida dessas cargas entregues pelos agricultores e cobra, do órgão responsável, mais atenção na fiscalização.

“Essa questão foi comunicada ao Ipem [Instituto de Pesos e Medidas]. O armazém era aqui de Lucas do Rio Verde, uma grande trading, e chegou ao consenso e eles reconheceram que esse equipamento estava descalibrado. Parece que resolveu o caso desses dias para cá, agora tem um acerto para fazer de uma parte onde se levou esses 2% de percentual a mais. Mas eu tenho certeza que isso não veio da matriz, é um problema localizado,  porque essa empresa tem diversos armazéns no estado e eu não acredito que o dono iria pedir a um armazém ou dois para fazer esse tipo de trabalho”, disse o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Antônio Galvan.

Segundo ele, caso o produtor encontre alguma irregularidade, deve comunicar a Aprosoja para que um classificador vá até o armazém. “Caso algum armazém resista, nós vamos tomar providências a respeito disso”, finalizou.

Por Pedro Silvestre
Fonte: Canal Rural




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