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06/04/2018 - Soja

Produtores dos EUA estão preocupados com taxas


Segundo associações, tarifas chinesas podem reduzir em bilhões de dólares o valor da produção dos EUA.

Grupos que representam agricultores nos Estados Unidos disseram que tarifas chinesas podem reduzir em bilhões de dólares o valor da produção norte-americana de grãos, e alguns produtores já estudam mudanças em seus planos para o plantio, que deve começar em algumas semanas no Meio-Oeste. Nesta quarta-feira, 4, a China ameaçou sobretaxar uma série de produtos norte-americanos, incluindo soja e milho.

"Vínhamos alertando o governo e membros do Congresso que isso aconteceria desde que começaram as especulações sobre as tarifas", disse John Heisdorffer, produtor de soja de Iowa e presidente da Associação Americana de Soja. "Infelizmente, isso não traz nenhum alento aos milhares de produtores de soja que serão afetados por essas tarifas." O grupo estima que a queda do preço da oleaginosa nesta quarta-feira diminuiu em mais de US$ 1 bilhão o valor da safra norte-americana.

O país asiático é o maior comprador mundial do grão e no ano passado absorveu mais da metade das exportações dos EUA. Segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA), as compras chinesas de soja norte-americana totalizaram 32 milhões de toneladas em 2017, ou aproximadamente 58% das exportações totais dos EUA.

Autoridades chinesas não disseram quando as tarifas serão implementadas, mas a ameaça aumentou temores de que agricultores e pecuaristas dos EUA sofram perdas com uma eventual escalada da disputa. Na segunda-feira, já tinham entrado em vigor tarifas chinesas contra carne suína, frutas e etanol dos EUA, em resposta à decisão do governo Trump de sobretaxar a importação de aço e alumínio.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, tentou tranquilizar os produtores do país. "Conversei com o presidente ontem à noite", disse Perdue. "E ele me disse, "Sonny, você pode assegurar aos agricultores que não vamos permitir que eles sejam vítimas se essa disputa comercial se acirrar. Vamos cuidar de nossos produtores. Pode dizer isso diretamente a eles.""

Zippy Duvall, presidente da Federação Agrícola Americana, um dos principais grupos de lobby do setor, disse que essa disputa tem de acabar. "Sabemos que os mercados sobem e descem", disse Duvall. Mas a ameaça de retaliação chinesa "está testando a paciência e o otimismo de famílias que estão enfrentando a pior situação econômica na agricultura em 16 anos".
A empresa de alimentos Cargill também disse estar "bastante preocupada" com a escalada das tensões comerciais entre os dois países. A disputa "pode levar a uma guerra comercial destrutiva com sérias consequências para o crescimento econômico e a criação de empregos", disse a companhia. "Não há vencedores em uma guerra comercial."

Alguns produtores estão repensando suas estratégias para o plantio em resposta à ameaça chinesa. A menos de duas semanas do início do plantio em sua fazenda de 809 hectares no Estado de Illinois, o agricultor Aaron Wernz disse que uma queda acentuada dos preços da soja e preocupações de que as tarifas reduzirão as exportações podem levá-lo a plantar mais milho - e menos soja - do que ele pretendia originalmente. Ele também vai examinar com mais atenção as futuras compras de sementes e fertilizantes se os preços de grãos continuarem deprimidos, disse. "Eu provavelmente acabei de perder US$ 50 mil." 

Ameaça já deve ter impacto - As tarifas sobre a soja dos Estados Unidos propostas pela China podem ter um impacto sobre a comercialização da oleaginosa mesmo que não sejam implementadas. A simples ameaça deve levar indústrias processadoras chinesas a cancelar compras de soja norte-americana que ainda não foram embarcadas e redirecionar a demanda para o Brasil, disseram analistas. As exportações dos EUA já estão abaixo da expectativa na atual temporada. Segundo o trader Ken Morrison, uma queda acentuada dos preços da soja norte-americana poderia atrair compradores de outros países, o que amorteceria um pouco o impacto para exportadores dos EUA. Mas "não compensaria a queda da demanda chinesa", observou.

Para Morrison, a ameaça de tarifas contra a soja é uma tática astuta da China e pode levar os EUA rapidamente para a mesa de negociação. O país asiático é o maior comprador mundial do grão e no ano passado absorveu mais da metade das exportações dos EUA. Mesmo se a tática não funcionar, a China pode recorrer ao Brasil e se manter sem a soja dos EUA até o fim do ano, disse o trader. O país sul-americano deve colher outra safra robusta este ano. A consultoria Informa Economics elevou sua estimativa para a produção brasileira em 1 milhão de toneladas, para 116 milhões. "Sempre enxerguei as tarifas contra a soja como a "opção nuclear"", afirmou Morrison. "Agora eles colocaram a "opção nuclear" sobre a mesa."

Analistas do Commerzbank disseram que a China não pode ficar sem a soja dos EUA, mas lembraram que nos próximos meses as compras chinesas de soja do Brasil devem aumentar, seguindo os padrões sazonais. Além disso, a participação da soja brasileira nas importações chinesas vem crescendo nos últimos anos. Isso permite à China fazer a ameaça sem temer alguma consequência imediata significativa, afirmaram os analistas. 

Fonte: Estadão Conteúdo




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