Notícias

21/08/2020 - Outros

Produtores contabilizam ganhos com uso de bioinsumo


O Programa Nacional de Bioinsumos, lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em maio deste ano, pretende incentivar práticas mais inovadoras com o uso sustentável da biodiversidade biológica para alavancar a agricultura brasileira. Nesse sentido, a tendência é que tecnologias que estão sendo testadas por produtores e com resultados comprovados estejam ainda mais presentes nos campos em todo o país. Entre elas, a proteína Harpin, ainda pouco conhecida, tem ganhado adeptos nas mais diversas culturas e demonstrando um alto potencial de promover a produtividade com baixo custo.

Produzida pela Plant Health Care (PHC), empresa americana dedicada ao desenvolvimento e comercialização de tecnologias orgânicas de aprimoramento da produtividade agrícola, funciona como uma “vacina”, que tem a parte não-patológica de substâncias secretadas por bactérias conhecidas na natureza. Em contato com os tecidos vivos vegetais, a proteína aciona receptores que estão na superfície da planta, induzindo respostas bioquímica e mudando processos fisiológicos. Uma das primeiras mudanças morfológicas é a promoção de crescimento de raiz, o que amplia a capacidade de absorção de água e nutrientes.

Testada pela primeira vez no Brasil em 2017, em canaviais da Cooperativa de Plantadores de Cana-de-açúcar do Estado de São Paulo (Coplacana), a proteína orgânica sinalizou sua eficácia já na primeira avaliação de campo, afirmam os responsáveis pelos testes. “A aplicação ano após ano, ciclo após ciclo, faz com que os patamares de benefícios subam”, explica Rodrigo de Miranda, agrônomo responsável pela implantação do uso da proteína no país e hoje diretor da Plant Health Care Brasil.

No primeiro ano, com uma única aplicação do produto na área da Coplacana, houve um aumento de rendimento entre 15 e 18 toneladas de cana por hectare a mais com uma única aplicação. No segundo ano, foi deixada metade da área sem aplicar e na outra metade foi feita uma segunda aplicação. “A área que não teve aplicação produziu 15 toneladas a mais. Ou seja, ela praticamente manteve o benefício, como um efeito residual da primeira aplicação. A área em que foi feita a segunda aplicação, teve um rendimento de 25 toneladas a mais por hectare”, explica Miranda. Além disso, houve um aumento de até 68% em tonelada de açúcar por hectare (TAH), em uma área em Ituverava, no interior de São Paulo.

“Visualmente, mostrava-se uma planta mais vigorosa, mas o teste final é feito com a colheita e comparação. Os colmos tinham uma espessura maior e, consequentemente, pesavam mais do que aqueles onde não havia sido aplicado o produto. Alguns campos chegaram a ter até 30 toneladas a mais de cana. Isso incentivou bastante a gente a treinar nossos técnicos e consultores de vendas a oferecer esse produto aos nossos cooperados”, comenta o presidente da Coplacana, Arnaldo Antônio Bortoletto.

Segundo levantamento da Coplacana, com mais de 14 mil cooperados, a quantidade de proteína utilizada entre os cooperados mais que dobrou: só este ano, já foram comercializadas mais de duas toneladas do produto  que serão utilizadas na próxima safra. No memso período no ano passado, tinham sido 774 quilos. Com o sucesso do uso da proteína iniciado na Coplacana, o produto comercial hoje no Brasil leva o nome H2COPLA.

Produtores
O produtor Rodrigo Morelli, do município de Glicério (SP), já usa a proteína há um ano e meio na batata-doce, no tratamento de rama (mudas) antes do plantio. Com um acréscimo de aproximadamente 40% na produção na primeira safra, Morelli aprovou e passou a utilizar a tecnologia também no tratamento de sementes para a soja. “Não que tenha dado mais batata, mas ela igualou a qualidade, uniformizando a produção. Ficou maior e mais pesada”, conta Morelli.

Uma caixa de 33 quilos que ele enchia com cerca de 120 batatas, com o uso da proteína, o mesmo peso foi alcançado com 65. “Agora estamos usando na área toda. Ela (a tecnologia) fica barata. Se fizer a aplicação na rama, o custo gira em torno de R$ 24 por hectare. Só no plantio, não faz mais nada depois”, explica o produtor.

Em 240 hectares plantados de soja, Morelli afirma ter obtido um rendimento de 27% a mais por hectare, em média, apenas com o tratamento de semente. “Na soja, ela fica R$ 16 por hectare. É barato”, garante.

Guilherme Jacon, produtor de cereais e citros em Porto Ferreira (SP), também começou a usar em 50 dos 3.500 hectares há cerca de dois anos, no sulco de plantio de soja. “Cnsegui ver resultado visualmente de primeira. Daí testei em 400 hectares de milho, também teve bastante resultado. Daí passei usar na área total”, conta Jacon, que já está na terceira safra.

Segundo o produtor, com 30 dias após o plantio, visualmente já era possível observar diferença significativa no crescimento radicular e na parte aérea da soja. A tecnologia também rendeu, em média, 4 sacos a mais da oleaginosa por hectare. “O custo benefício é excelente, de menos de uma saca por hectare. Se esse custo x benefício continuar, eu vou continuar usando porque, pra mim, está valendo a pena”, ressalta Jacon.

O produto foi tema da pesquisa de conclusão de curso dos graduandos em agronomia José Raul Pioltini Vieira e Luciano Corsi, do Centro Universitário Fundação de Ensino Octávio Bastos (Unifeob), em São João da Boa Vista (SP). Testado na cultura da beterraba, o experimento mostrou diferenças significativas no diâmetro, em crescimento de raízes e qualidade da raiz tuberosa.

As plantas que receberam tratamento da proteína tiveram, em média, 12,8 cm de raiz, 7,6 cm de diâmetro e peso médio de 235 gramas, enquanto a testemunha teve média de comprimento de 11,5 cm, diâmetro de 6,5 cm e peso de 160 gramas. “Isso proporciona um granho grande na produção com o aumento de peso e tamanho, as plantas ficaram bem mais vigorosas, uma folhagem maior e mais verde, sem arroxear, comparado com a testemunha. O interior dela também é bem mais arroxeados

Para o diretor da Plant Health Care Brasil, o incentivo às discussões e conhecimentos dos bioinsumos no país vai alavancar as pesquisas, o desenvolvimento e o consumo deste e de novas tecnologias do setor. Na avaliação de Rodrigo de Miranda, é preciso explorar um pouco mais o segmento, levando-se em conta a biodiversidade brasileira e os talentos científicos nas universidades e centros de pesquisa

“Acreditamos que o potencial de crescimento desse mercado é gigantesco. Os bioinsumos sendo mais falados e discutidos, com o estímulo ao desenvolvimento de novas tecnologias e a regulação, a adoção com certeza vai ser muito mais rápida, barreiras de entrada serão desfeitas. Hoje, estamos pegando um pedacinho só dele, um mínimo. Quanto mais empresas tivermos falando disso, melhor pra todo mundo”, avalia Miranda.

Por Alana Fraga
Fonte: Globo Rural




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.