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17/07/2020 - Outros

Presença de gafanhotos no Paraguai preocupa Brasil e países vizinhos


A mais nova nuvem de gafanhotos no Paraguai preocupa autoridades fitossanitárias e especialistas do governo brasileiro e dos países vizinhos. O receio é da incidência de novos focos da praga em diferentes pontos dos territórios paraguaio, boliviano e argentino, o que poderia levar a um problema generalizado na região.

As autoridades de Brasil e Argentina abordaram as formas de combate e o monitoramento da Schistocerca cancellata em webinar transmitido ontem (16/7) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“O que sabemos dessa nuvem que está no Paraguai é que o vento vai passar de norte ao sul, e, com as altas temperaturas, seguramente vai descer um pouco mais na fronteira com a Argentina”, afirmou o engenheiro agrônomo e chefe do programa de combate ao inseto do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), Hector Emilio Medina. “É importante abordar essa zona da Bolívia, Paraguai e do Brasil (na fronteira com o Mato Grosso do Sul), que podem ser lugares de novos focos”, disse.

Segundo informações do Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes do Paraguai (Senave) publicadas ontem (16/7), a nuvem está em uma área que abrange o Parque Nacional Defensores del Chaco. "Até hoje, a nuvem está na área circundante ao Parque Defensores del Chaco e estima-se que ela se mudará para outras áreas de  Boquerón e Alto Paraguai (os departamentos do País), se houver condições climáticas ideais. Diante disso, o Senave está sob vigilância para dar uma resposta oportuna", afirmou o órgão por meio das redes sociais.

“Antes do relato de uma nova nuvem de gafanhotos no Chaco, o Senave ordenou nesta semana o monitoramento nas áreas de Madrejón e 4 de Mayo, a fim de localizá-la e aplicar as medidas fitossanitárias correspondentes”, completou a agência, sem dar mais detalhes. Segundo informações recebidas pelo Senasa das autoridades paraguaias, a nova nuvem estaria a cerca de 300 quilômetros da fronteira com o norte da Argentina.

Para o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura do Brasil, Carlos Goulart, é preciso ficar atento porque, embora a nuvem ainda não esteja próxima à fronteira, existe a possibilidade de deslocamento para os estados do Mato Grosso do Sul e para o oeste do Paraná.

"O assunto nos preocupa porque está ocorrendo na região entre Bolívia, Paraguai e Argentina. É um desafio lidar com um mesmo problema na fronteira, e depende muito da capacidade financeira e logística de cada um desses países, que, logicamente, são diferentes”, afirmou.

O porta-voz do Mapa disse ainda que o governo pode vir a decretar o estado de emergência fitossanitária no Mato Grosso do Sul, como ocorreu no Rio Grande do Sul e no Paraná, caso a nuvem se torne uma ameaça real, o que não é o caso neste momento. “Não é só possível adotar essas medidas, como a gente fará isso. Mas é preciso lembrar que em 2017 nós emitimos um alerta para o Mato Grosso do Sul porque havia o risco da entrada no Brasil, mas não se concretizou”, pontua.

Em entrevista à Globo Rural, o engenheiro agrônomo e diretor do Senave (Paraguai), Julio Rojas, explicou que os técnicos do País aguardam o deslocamento da nuvem de 10 km² para uma ação mais incisiva - a localização atual impede o uso de químicos contra a praga por se tratar de áreas de preservação ambiental. O diretor da agência governamental paraguaia acredita no deslocamento para uma área próxima ao Chaco Central, onde se concentra a maior parte da produção agrícola do País.

Agora, o receio de entomologistas e autoridades fitossanitárias é que novos focos nos próximos meses possam dificultar o controle do gafanhoto, o que levaria a novas ondas e deslocamentos, podendo prejudicar as áreas agrícolas de Paraguai, Bolívia, Argentina, Uruguai e Brasil. Em regiões propícias, como clima seco e árido, os entomologistas estimam que as fêmeas podem ovipositar até 120 ovos por dia.

Argentina
Na Argentina, os técnicos localizaram ontem (16/7) uma parte da nuvem que está no País desde maio nas redondezas do Rio Ávalos, na cidade de Curuzú Cuatiá, província de Corrientes. Segundo o Senasa, os insetosse movimentaram pouco nos últimos dias por conta das baixas temperaturas. Com isso, a estimativa é que os gafanhotos continuem a cerca de 130 km de Barra do Quaraí (RS).

A agência governamental ressaltou ainda que não é possível executar novos tratamentos aéreos por conta da difícil localização. Esse tem sido um entrave nas últimas semanas, já que a nuvem tem repousado em lugares como matas de vegetação fechada. Há alguns dias, os profissionais chegaram a andar a cavalo por mais de uma hora para obter a localização precisa dos gafanhotos.

Segundo o engenheiro agrônomo do Senasa, Hector Emilio Medina, o receio é que a praga faça novos sobrevoos e ocupe uma área ainda maior. “É muito difícil de saber e antecipar os movimentos. Não podemos prever o que vai acontecer daqui a 15 dias, porque basicamente dependemos dos prognósticos da temperatura, que são atualizados permanentemente”, disse.

Para obter mais informações e experiência no combate à Schistocerca cancellata, o governo brasileiro prepara o envio de técnicos do Ministério da Agricultura e da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul para acompanhar in loco os trabalhos do Senasa na Argentina. Isso ainda depende de autorizações do País vizinho por conta da pandemia do coronavírus.

Por outro lado, os sete países que integram o Comitê de Sanidade Vegetal (Cosave, órgão fitossanitário sul-americano) avaliam criar um fundo monetário junto ao Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) com o objetivo de erradicar os gafanhotos, segundo Carlos Goulart, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa.

“Não há uma falha dos demais países no controle. Mas talvez os recursos financeiros, de estrutura e pessoal não sejam suficientes para o tamanho do problema. Estamos discutindo formas de solucionar isso”, declarou o porta-voz do Mapa.

Por Fernando Barbosa
Fonte: Globo Rural




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