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01/03/2019 - Soja

Poucos fazem: palhada pode salvar soja da Bahia de dois problemas recorrentes


Sabe aquelas dicas técnicas dadas por pesquisadores, mas que na prática parecem não se encaixar com na realidade de uma região? Pois na região oeste da Bahia a dica essencial é sobre a cobertura do solo com palhada, mas que muitas vezes é sacrificada devido a curta janela deixada pela sucessão soja/milho. Com isso, dois problemas são recorrentes por lá: a falta de água no solo para a soja e o surgimento de nematoides.

Todos os produtores sabem que a lavoura de soja rende mais com uma boa palhada. Mesmo assim, a cobertura no oeste da Bahia não é algo fácil de encontrar. Muitos produtores culpam a curta janela entre a soja e o milho segunda safra. Não à toa o pesquisador da Fundação Bahia, Alex Rebequi vem estudando há seis anos qual a melhor maneira de aliar clima, solo e palhada à rotação de culturas.

“O produtor precisa fazer uma rotação com milho e braquiária, para somente então entrar com a soja por cima. Após colher a soja ele entraria com alguma planta de cobertura, né? Temos definido espécies de coberturas e estágios vegetativos mais adequados para que essa palhada consiga se manter no sistema”, conta Rebequi.

A palhada diminui a evaporação e com isso mantém água no solo. ideal para os períodos em que a chuva não dá as caras, muito comum na região. O pesquisador explica que leva de dois a três anos para a palhada começar a dar resultado. Mas quando ela vem, compensa o esforço.

“Mesmo se ocorrer um período de déficit hídrico, ao longo de 20 a 30 dias, dependendo da intensidade que isso ocorrer, a palhada pode garantir ganhos de 10 a 15 sacas a mais em relação a uma área que não faz uso desta técnica”, diz.

A palhada não salva a plantação das estiagens, mas ajuda a controlar um problema persistente no oeste baiano, queixa de muitos produtores: os nematoides, já que ela libera material orgânico no solo que serve para combater a doença.

Na região é comum que o produtor escolha variedades de soja resistentes aos nematoides, devido seu alto poder destrutivo. O pesquisador da Embrapa Fabiano José Perina mapeou 250 mil hectares de plantações do estado. Em 87% os nematoides estavam presentes.

“Não é só a ocorrência do nematoide que assusta, mas a densidade populacional e o dano que ele está causando. O nematoide que mais causa dano na região é o das galhas”, confirma.

Uma raiz atacada pelo nematoide das galhas, pode gerar uma produtividade 20% menor na planta. A dica que o pesquisador dá é de primeiro saber qual tipo está presente no solo, para só depois começar a combater.

“A gente costuma falar que é um problema grande em uma área pequena. Mas se não quantificar esse nematoide, não saberá controlar adequadamente. É preciso quantificar e saber corretamente qual a espécie de nematoide está ocorrendo, para usar as metodologias de controle certas, conforme a densidade populacional”, conta Perina.

Por Carolina Lorencetti
Fonte: Projeto Soja Brasil/Canal Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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