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24/07/2018 - Soja

Perspectivas para demanda/oferta global de grãos e alimentos nos próximos 10 anos


A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) publicam anualmente um relatório em conjunto sobre Perspectivas Agrícolas para os próximos 10 anos. O relatório deste ano projeta um enfraquecimento da demanda por alimentos e uma melhoria na produtividade por unidade. No entanto, as barreiras comerciais podem restringir a oferta de alimentos nos países importadores.

Em relação a demanda:

O relatório indica que, uma década depois do forte aumento nos preços dos alimentos em 2007-08, as condições nos mercados agrícolas globais agora são diferentes. A produção cresceu significativamente em todas as commodities e em 2017 teria alcançado os níveis mais altos na maioria dos cereais, carne, produtos lácteos e peixes.

Ao mesmo tempo, os estoques de cereais atingiram altas recordes. Mas a OCDE/FAO indica que o crescimento da demanda começou a enfraquecer. Ao longo da última década, muito da procura ocorreu devido ao aumento da renda per capita da República Popular da China, o que estimulou a demanda do país por carne, peixe e alimentação. Essa fonte de crescimento da demanda estaria desacelerando e novas fontes em escala global não seriam suficientes – nos próximos anos – para manter o crescimento geral.

Como resultado, os preços dos produtos agrícolas básicos devem permanecer em níveis baixos ou relativamente estáveis. Os altos níveis de estoques atuais dificultam uma recuperação nos preços nos próximos anos.

O relatório projeta para o período 2018-2027 uma redução no crescimento da demanda por alimentos devido a uma diminuição na taxa de crescimento populacional em termos globais. A maior parte do consumo adicional na próxima década terá origem em regiões com alto crescimento populacional, como a África subsaariana, a Índia, o Oriente Médio e o norte da África. Essas áreas continuarão a depender das importações de alimentos nos próximos dez anos.

A análise global da OCDE-FAO indica que as projeções levam em conta a evolução previsível da demanda por alimentos, ração animal e combustíveis (etanol, biodiesel). Para essas instituições, a demanda na próxima década será impulsionada principalmente pela alimentação animal e, em segundo plano, pela alimentação humana.

O consumo humano per capita de cereais, raízes e tubérculos aumentará menos de 2% nos próximos 10 anos. Esse crescimento lento se deve ao fato de muitos países apresentarem consumo per capita muito próximo dos níveis de saturação. Portanto, o ligeiro aumento na demanda dependeria do crescimento da população na próxima década.

A demanda por cereais deve crescer principalmente em regiões de baixa renda, como a África subsaariana. Vale lembrar que em regiões de baixa renda os cereais respondem por aproximadamente dois terços da energia da dieta, em comparação com cerca de um terço das regiões desenvolvidas.

Na última década (2007-2017), o milho representou quase 330 Mt dos 520 Mt de demanda adicional de cereais, valor que corresponde a mais de 60% do total. Em relação à perspectiva do período em estudo, a demanda por milho cresceria em 164 Mt no período 2018-2027, o que representaria apenas 46% do crescimento da demanda. Essa desaceleração do crescimento é consistente com a evolução dos mercados de biocombustíveis.

Para o arroz e o trigo, espera-se que o crescimento da demanda no período 2018-2027 seja mais robusto, com 97 Mt de demanda adicional de trigo e 66 Mt de demanda adicional de arroz, principalmente para uso alimentício.

Em resumo, para cereais, carne, peixe e óleo vegetal, as taxas de crescimento esperadas para o período 2018/2027 seriam aproximadamente metade das taxas mostradas na década anterior. A desaceleração seria particularmente pronunciada no futuro para o óleo vegetal, uma vez que foi o produto que mais cresceu na última década. Apesar da desaceleração, o óleo vegetal continuaria a ter uma taxa de crescimento significativa, juntamente com produtos lácteos frescos e açúcar.

Em relação a oferta: 

Espera-se que a produção mundial de produtos agrícolas e de pescado cresça cerca de 16% na próxima década, mas com considerável variação entre as regiões. Espera-se um forte crescimento na África Subsariana, no Sul e no Leste da Ásia, no Médio Oriente e no Norte de África. Em contrapartida, espera-se que o crescimento da produção no mundo desenvolvido seja muito menor, especialmente na Europa Ocidental.

O relatório indica que as políticas agrícolas da Índia concentraram-se em atender às necessidades alimentares da população, daí o crescimento esperado na produção de alimentos.

No nível das culturas agrícolas, o crescimento da produção seria alcançado principalmente através de um aumento na produtividade por hectare com pequenas mudanças no uso global da terra. Intensificação e eficiência nas práticas agrícolas através do uso de sementes melhoradas, fertilizantes e outras tecnologias elevarão os rendimentos na próxima década.

Cereais e oleaginosas no mundo

Para os cereais, estima-se que haverá expansão na produção global em 13% até 2027, sustentado em grande parte por rendimentos mais elevados e não para um maior uso da terra (com excepção do milho na América Latina).

Para o trigo, a Federação Russa está a emergir como um importante player no mercado internacional, superando a União Europeia em 2016 para se tornar o maior exportador. Para o milho, as exportações do Brasil, da Argentina e da Rússia aumentariam, enquanto diminuiria para os Estados Unidos. Quanto ao arroz, espera-se que o Vietnã continue sendo o principal fornecedor nos mercados internacionais.

Para as sementes oleaginosas, a produção mundial deverá crescer em torno de 1,5% ao ano; bem abaixo das taxas de crescimento da última década. O Brasil e os Estados Unidos continuarão sendo os maiores produtores de soja do mundo.

A safra de soja área plantada irá expandir na América Latina e melhorar a produtividade no período 2018/2027, especialmente no Brasil e na Argentina. Enquanto isso, o uso de alimentos de proteína equilibrada vai crescer mais lentamente do mundo em linha com as expectativas de menor taxa de crescimento da produção pecuária.

O que acontecerá com a produção na América?

Para a OCDE-FAO, a América (Norte, Centro e Sul) é a principal produtora da maioria dos produtos básicos analisados. A região responde por quase 90% da produção mundial de soja e também tem uma grande participação na produção mundial de cereais (28%), especificamente milho (52% do total mundial). É também um grande produtor de produtos com alto valor agregado, como farelo de proteína, açúcar e biodiesel, onde representa 41%, 39% e 42% da produção global, respectivamente.

De acordo com projeções de 10 anos, o uso agrícola da terra na região se expandirá em aproximadamente 11 milhões de hectares. O cultivo de soja representará aproximadamente 62% da expansão da área cultivada. Estima-se que o Paraguai aumente significativamente sua área de soja, enquanto o Brasil o fará com o cultivo duplo, ou seja, no mesmo lote da mesma safra serão produzidos soja e milho de segunda qualidade.

A produção mundial de soja continuará a ser dominada pelos Estados Unidos e pelo Brasil. Além disso, 46% da produção de soja deverá ser exportada (principalmente para a China) e cerca de 54% da produção total é processada na região.

Com a área colhida expandindo e aumentando a produtividade das culturas por hectare, a produção nas Américas deverá crescer 14% na próxima década, com o cultivo de soja liderando a expansão.

Fonte: Adaptado da Bolsa do Comércio de Rosário pelo Portal Mais Soja 




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