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21/06/2019 - Mercado

Para consultor, agricultura já está "desmamando" do governo


O crédito destinado à agropecuária comercial para a próxima safra é adequado, principalmente porque o setor já está "desmamando" do governo.

Há algumas safras que a taxa de juros não subsidiada supera a Selic, reduzindo os gastos do Tesouro com equalização.

O peso maior dos custos atuais do governo vem dos recursos tomados pelos produtores nas safras passadas, para a compra, por exemplo, de tratores e de colheitadeiras.

A avaliação é de Ivan Wedekin, da Wedekin Consultores. Ele comparou as taxas de juros das safras mais recentes. Constatou que, na de 2015/16, os juros de custeio dos grandes produtores foram de 8,8%, 5,4 pontos percentuais abaixo da Selic.

Em 2018/19, o custo dos juros dessa categoria de produtores já superou em 1 ponto percentual a Selic. Projeções para a próxima safra apontam que os grandes produtores voltarão a pagar juros superiores à Selic.

Desta vez, o custo deverá superar em 2 pontos percentuais a taxa básica de juros do mercado.

O volume de crédito da próxima safra é praticamente o mesmo da atual, que foi de R$ 221,1 bilhões. Desse total, R$ 159 bilhões foram emprestados no período de julho de 2018 a maio de 2019.

Sendo o último mês da safra um período de maior movimento, Wedekin acredita que o governo vá fechar o ano safra colocando R$ 175 bilhões no mercado agropecuário, ou seja, 80% do que ficou à disposição do setor.

Na opinião do consultor, um dos pontos mais delicados do programa de crédito na próxima safra será a manutenção do orçamento de R$ 1 bilhão para o seguro rural.

Já o montante de R$ 1,85 bilhão destinado à política de preços mínimos poderá superar a demanda. Em 2017, o governo gastou R$ 911 milhões com o programa de preços mínimos, volume que recuou para apenas R$ 47 milhões em 2018.

Para Wedekin, o produtor vai arcar com uma taxa de juros maior e com os pouco convidativos preços das commodities, principalmente os do café. Na avaliação dele, porém, o câmbio poderá ajudar a compensar parte das perdas.

Exportações De janeiro a abril deste ano, as exportações dos produtos do agronegócio brasileiro cresceram 8% em volume, ante as do mesmo período de 2018. 

Receitas O faturamento em dólar, porém, evoluiu apenas 0,3% no mesmo período, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Receitas Preços médios internacionais dos produtos em queda e valorização do dólar --esta última tirando parte da competitividade do produto brasileiro-- não permitiram avanço maior das receitas do setor.

Rumo ao Pacífico A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou neste início da semana, na Associação Comercial de São Paulo, que há conversações entre os governos chileno e brasileiro para a viabilização de um acesso do Brasil ao oceano Pacífico.

Por Mauro Zafalon
Fonte: Folha de S.Paulo




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