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09/06/2020 - Tecnologia

Orquestra de agtechs em Rio Verde


O ecossistema da cidade de Rio Verde, em Goiás, formado por grandes produtores de grãos e de proteína animal, ganhou um reforço importante para tornar-se um polo ainda mais eficiente do setor. O hub Orchestra Innovation Center pretende acelerar a transformação digital no campo e, com isso, fazer daquela fatia de terra do Estado goiano o novo núcleo de agtechs do País. Para usar uma expressão recorrente, uma espécie de Vale do Silício do agronegócio. “É um desafio para nós e para as startups gerar maior produção e mais negócios em um a região bem estruturada. Mas vemos que existe espaço para isso”, afirma Nathália Secco, CEO do centro de inovação Orchestra.

Rio Verde está imersa em uma área territorial com o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário do País e o com maior mercado produtor de proteína animal do Brasil. A cidade exporta anualmente R$ 977 milhões, maior valor entre os 246 municípios do Estado de Goiás. Produz 1,1 milhão de toneladas de soja e 1,5 milhão de toneladas de milho ao ano, com 586 mil hectares de área produtiva e 350 mil cabeças de boi.

Um local que possui aglomerado de grandes empresas como BRF (Perdigão/Sadia), Comigo (terceira maior cooperativa agroindustrial do País), Internacional Papers, Videplast, Cargill, Siol e Kowalski, atraídas pelo alto volume e facilidade de produção. Na órbita dessas potências industriais estão outras companhias de valor agregado, de defensivos, insumos e maquinários, como Monsanto, Pioneer, Case, New Holland e John Deere, sediadas em Rio Verde e ao menos 30 cidades adjacentes. Um celeiro anfitrião da de uma das maiores feiras anuais de agronegócio do País, a Tecnoshow Comigo, que gera volume de R$ 3,4 bilhões em negócios.

Como ponto forte da cidade está a localização estratégica na região Centro-Oeste e a perspectiva do funcionamento, a partir de 2021, da Ferrovia Norte-Sul, principal eixo ferroviário do Brasil, interligando o centro aos portos de Itaqui-MA e Santos-SP – foi concedida à concessionária Rumo S.A pelo governo federal em março de 2019.

Diante dessa virtualidade, a Orchestra visa, como o nome diz, orquestrar esses atores para tirar o máximo proveito da região. Para o hub, falta uma pitada de tecnologia para fertilizar o terreno que já é promissor. “Queremos transformar regiões como a minha, que são polos do agronegócio, mas não desenvolvem tecnologia e têm pouco acesso à variedade de tecnologias que estão disponíveis no mundo”, afirma Nathália, pós-graduada em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e especialista em Liderança Executiva, Tecnologia e Inovação pela Universidade de Stanford, no Vale do Silício.

Além dela, o co-founder da Orchestra, Diogo Ruiz, também teve passagem pela famosa baía de São Francisco, na Califórnia (EUA), onde estudou na Y Combinator. O terceiro fundador do hub é Adriel Bortolotti, que traz na bagagem a expertise como manager da empresa Fertverde, presente no mercado do agronegócio há mais de 30 anos, com tecnologias para o manejo das culturas agrícolas – ele também foi jogador de futebol profissional de 2003 a 2012, atuando pelo Internacional, do Rio Grande do Sul.

Esse é o time que encabeça o centro de inovação criado no início do ano passado e que começou suas atividades de fato no segundo semestre. O trabalho visa preparar startups em fase de escala durante três meses para incrementar algum componente ao mercado da região, num programa chamado Startup Connection. Junto com agricultores e produtores, desenvolvem a tecnologia necessária para fazer os processos mais eficientes.

A expectativa é de usar tecnologias de IoT, Big Data, machine learning, inteligência artificial e blockchain na busca por soluções nas áreas de analytics, robótica e drones, biotecnologia, irrigação, fintech, conectividade, proteínas alternativas, nanotecnologia e energia alternativa.

O networking é outro ponto forte do hub, que atua em parceria com 18 grandes agricultores e duas indústrias, atingindo aproximadamente 20 mil hectares. Neste ano, a previsão de investimento é de R$ 1 milhão para conectar as agtechs aos principais players do setor.

As agtechs selecionadas têm acesso a mentorias, palestras e workshops, encontros com investidores e potenciais compradores de seus serviços e produtos, além de reuniões comerciais e eventos. Por meio de parcerias, o hub oferece acesso a uma infraestrutura para testes de campo e possui conexões com outros hubs de inovação que podem ser conectados pelos empreendedores.

A expectativa é realizar ainda em 2020 ao menos dois eventos para estimular o desenvolvimento desse ecossistema, como a Corporate Innovation e os Challenges. O primeiro consiste em programas de inovação para indústrias e corporações. O segundo, desafios realizados em parceria com outras aceleradoras para auxílio da indústria parceira. “Queremos fazer toda a roda do ecossistema agro girar com resultados concretos e mais engajamento de todos os stakeholders”, diz Nathália Secco.

E para fazer rodar a dinâmica do processo de aceleração digital, a Orchestra tem o apoio, além da empresa Fertverde, da Prisma Inteligência Agronômica, companhia que utiliza ferramentas digitais e com precisão no manejo da fertilidade do solo e nutrição de plantas, do TecnoIF (Parque Científico-Tecnológico do Instituto Federal Goiano).

CASE – Um dos cases do primeiro Startup Connection, realizado no segundo semestre do ano passado, foi com a empresa C6Bio, de São José dos Pinhais, no Paraná, que visa maximizar a produtividade no campo através da química orgânica aliada à biotecnologia. Produz soluções para a agricultura com o objetivo de fornecer às plantas nutrientes e substâncias bioativas necessárias para o melhor desenvolvimento e produtividade. Na prática, promove a agricultura com maior sustentabilidade.

Depois de três meses com a Orchestra, sem custos neste primeiro momento, ganhou conhecimento e teve acesso a players de Rio Verde. “Tivemos o que precisávamos: mindset e conexões para escalar no mercado”, afirma o sócio e diretor comercial, Fransérgio Batista, que visitava a região goiana a cada duas semanas e passava ao menos 48 horas em reuniões, treinamentos, acesso a projetos experimentais. “Uma boa vitrine tecnológica”, afirma o executivo da empresa criada há apenas um ano, que oferece nutrientes e substâncias bioativas para solo, enraizamento, crescimento, florescimento, frutificação, fortalecimento e adjuvantes.

Os resultados apareceram. A previsão de faturamento anual foi alcançada em um trimestre, segundo Nathália Secco, da Orchestra. Mas o olhar da C6Bio está voltado para a próxima safra, do segundo semestre, pois a atual já estava preparada pelos agricultores e produtores.hub, um espaço aberto para a inovação, é o que acreditamos como caminho para novas tecnologias.”

O Conexa é o primeiro projeto que nasce com uma sede física no Centro-Oeste, embora não seja somente isso que defina um hub. O conceito de um hub passa, também, por ideias em série vindas das startups, constantes acertos e erros e, principalmente, por uma rede de financiadores para sustentar um movimento que pode ter inúmeras variáveis. Justamente por ser um organismo de inovação aberta. No caso do Conexa, no espaço de 600 metros quadrados as startups contam com salas de trabalho e equipamentos, espaços para reunião e descanso, estúdio de áudio e vídeo, e um departamento de apoio jurídico e técnico.

A cidade de Rio Verde está imersa numa área territorial com o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário do País e o com maior mercado produtor de proteína animal do Brasil. A cidade exporta anualmente R$ 977 milhões, maior valor entre os 246 municípios do Estado de Goiás. Produz 1,1 milhão de toneladas de soja e 1,5 milhão de toneladas de milho ao ano, com 586 mil hectares de área produtiva e 350 mil cabeças de boi.

Um local que possui um verdadeiro aglomerado de grandes empresas, como BRF (Perdigão/Sadia), Comigo (terceira maior cooperativa agroindustrial do País), Internacional Papers, Videplast, Cargill, Siol e Kowalski, atraídas pelo alto volume e facilidade de produção. Na órbita de todas essas potências agroindustriais, estão outras companhias de valor agregado, de defensivos, insumos e maquinários, como Monsanto, Pioneer, Case, New Holland e John Deere, sediadas em Rio Verde e ao menos 30 cidades adjacentes. Um celeiro anfitrião de uma das maiores feiras anuais de agronegócio do País, a Tecnoshow Comigo, que gera volume de R$ 3,4 bilhões em negócios.

Como ponto forte da cidade está a localização estratégica na região Centro-Oeste e a perspectiva do funcionamento, a partir de 2021, da Ferrovia Norte-Sul, principal eixo ferroviário do Brasil, interligando o centro aos portos de Itaqui-MA e Santos-SP – foi concedida à concessionária Rumo S.A pelo governo federal em março de 2019.
 
Diante dessa virtualidade, a Orchestra visa, como o nome diz, orquestrar esses atores para tirar o máximo proveito da região. Para o hub, falta uma pitada de tecnologia para fertilizar o terreno que já é promissor. “Queremos transformar regiões como a minha, que são polos do agronegócio, mas não desenvolvem tecnologia e têm pouco acesso à variedade de tecnologias que estão disponíveis no mundo”, afirma Nathália, pós-graduada em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e especialista em Liderança Executiva, Tecnologia e Inovação pela Universidade de Stanford, no Vale do Silício.

Além dela, o co-founder da Orchestra, Diogo Ruiz, também teve passagem pela famosa baía de São Francisco, na Califórnia (EUA), onde estudou na Y Combinator. O terceiro fundador do hub é Adriel Bortolotti, que traz na bagagem a expertise como manager da empresa Fertverde, presente no mercado do agronegócio há mais de 30 anos, com tecnologias para o manejo das culturas agrícolas – ele também foi jogador de futebol profissional de 2003 a 2012, atuando pelo Internacional, do Rio Grande do Sul.

Esse é o time que encabeça o centro de inovação criado no início do ano passado e que começou suas atividades de fato no segundo semestre. O trabalho visa preparar startups em fase de escala durante três meses para incrementar algum componente ao mercado da região, num programa chamado Startup Connection. Com agricultores e produtores, desenvolvem a tecnologia necessária para tornar processos mais eficientes.

A expectativa é de usar tecnologias de IoT, Big Data, machine learning, inteligência artificial e blockchain na busca por soluções nas áreas de analytics, robótica e drones, biotecnologia, irrigação, fintech, conectividade, proteínas alternativas, nanotecnologia e energia alternativa.

PLAYERS 
O networking é outro ponto forte do hub, que atua em parceria com 18 grandes agricultores e duas indústrias, atingindo aproximadamente 20 mil hectares. Neste ano, a previsão de investimento é de R$ 1 milhão para conectar as agtechs aos principais players do setor. As agtechs selecionadas têm acesso a mentorias, palestras e workshops, encontros com investidores e potenciais compradores de seus serviços e produtos, além de reuniões comerciais e eventos.

Por meio de parcerias, o hub oferece acesso a uma infraestrutura para testes de campo e possui conexões com outros hubs de inovação que podem ser conectados pelos empreendedores.

A expectativa é realizar ainda em 2020 ao menos dois eventos para estimular o desenvolvimento desse ecossistema, como a Corporate Innovation e os Challenges. O primeiro consiste em programas de inovação para indústrias e corporações. O segundo, desafios realizados em parceria com outras aceleradoras para auxílio da indústria parceira. “Queremos fazer toda a roda do ecossistema agro girar com resultados concretos e mais engajamento de todos os stakeholders”, diz Nathália Secco.

E para fazer rodar a dinâmica do processo de aceleração digital, a Orchestra tem o apoio, além da empresa Fertverde, da Prisma Inteligência Agronômica, companhia que utiliza ferramentas digitais e com precisão no manejo da fertilidade do solo e nutrição de plantas, do TecnoIF (Parque Científico-Tecnológico do Instituto Federal Goiano).

Um dos cases do primeiro Startup Connection, realizado no segundo semestre do ano passado, foi com a empresa C6Bio, de São José dos Pinhais, no Paraná, que visa maximizar a produtividade no campo através da química orgânica aliada à biotecnologia. Produz soluções para a agricultura com o objetivo de fornecer às plantas nutrientes e substâncias bioativas necessárias para o melhor desenvolvimento e produtividade. Na prática, promove a agricultura com maior sustentabilidade.

Depois de três meses com a Orchestra, sem custos neste primeiro momento, ganhou conhecimento e teve acesso a players de Rio Verde. “Tivemos o que precisávamos: mindset e conexões para escalar no mercado”, afirma o sócio e diretor comercial, Fransérgio Batista, que visitava a região goiana a cada duas semanas e passava ao menos 48 horas em reuniões, treinamentos, acesso a projetos experimentais. “Uma boa vitrine tecnológica”, afirma o executivo da empresa criada há apenas um ano, que oferece nutrientes e substâncias bioativas para solo, enraizamento, crescimento, florescimento, frutificação, fortalecimento e adjuvantes. Os resultados positivos apareceram. A previsão de faturamento anual foi alcançada em um trimestre, segundo Nathália Secco, da Orchestra. Mas o olhar da C6Bio está voltado para a próxima safra, do segundo semestre, pois a atual já estava preparada pelos agricultores e produtores.

Por Beto Silva
Fonte: Dinheiro Rural





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